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O Rio tem cura?

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Crime organizado, ex-governadores e parlamentares presos por corrupção, recessão econômica, falta de segurança pública, deterioração do patrimônio cultural, desvalorização imobiliária, colapso financeiro em áreas importantes como o turismo, má gestão governamental e municipal, saneamento básico ainda deficiente, uma das piores mobilidades urbanas do mundo… a lista pode continuar.

Uma palavra resume bem o quadro geral: decadência. Há décadas, o Rio de Janeiro, cartão postal do país, beira à falência.

Como se esses problemas já não fossem suficientes, autoridades responsáveis pelo bem estar da população da cidade e do estado desviam recursos da saúde em plena pandemia de Covid-19.

Não há limites para as fraudes quando o enriquecimento ilícito impera. Para complicar, recente decisão liminar do STF de suspender as operações policiais nas favelas durante o período de propagação do novo coronavírus teve, não coincidentemente, desmembramentos, como invasão, tiroteios, sequestros e a morte de uma mãe protegendo seu filho na guerra entre grupos rivais do tráfico por domínio de território.

Embora a cidade tenha recebido milhões de reais em investimentos nos grandes eventos, como a Rio 92, de Meio Ambiente; a Olimpíada do ano 2000; a Rio +20, em 2012; a Jornada Mundial da Juventude 2013, a Copa de 2014; os Jogos Olímpicos de 2016 e as diversas edições do Rock in Rio, especialistas apontam que não houve transformações de longo prazo, somente a criação de soluções imediatistas.

Do mesmo modo, iniciativas recentes como as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o Metrô, os VLTs e BRTs, as Forças Armadas na intervenção federal, nada conseguiu tirar o Rio da crise em que se encontra há décadas.

Onde estaria a salvação?

Há quem aposte que devolver ao Rio o status de capital do país ou que transformá-lo em segunda capital poderia trazer benefícios. A justificativa principal é de que o Rio sedia as bases de instituições federais e ministérios, e tem mais funcionários e repartições públicas do que Brasília.

Alguns parlamentares já apresentaram proposta de emenda à Constituição (PEC) nesse sentido. Especialistas acreditam que essa é a vocação maior da cidade, que ainda possui presença forte da União e várias estatais, fundações e autarquias, além das sedes antigas de importantes instituições, entre elas o Supremo e o Congreso.

Não se trata apenas de ganhar status simbólico, mas de receber efetivamente mais investimentos do governo federal e de resgatar seu papel de direito de vitrine da nação.

Simone Salles

Jornalista, Mestre em Comunicação Pública e Política

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