Estaca no peito

O Brasil não está andando para trás, mas para o lado

Lamentavelmente, este é o Brasil de hoje. Se é que voltamos à estaca zero, certamente não foi só por meras questões. O Brasil não está andando para trás, mas para o lado; e, diga-se, para um lado obscuro. A estaca desta narrativa será mais real se considerada cravada no peito do brasileiro – índio ou não, negro, amarelo, o que seja! Neste ponto, parece-me, não há dúvidas mais.

O partido do Governo tomou o Estado para si e o transformou em máquina a seu obséquio, ou resta alguma dúvida?

Se os proprietários urbanos, que vivem à luz de todos os olhos nos grandes centros já mostram preocupação com o seu direito de propriedade, imagine só o que acontece com os brasileiros ocupantes de áreas remotas. Grandes, médios ou pequenos produtores rurais e índios, certamente não estão a salvo de qualquer ameaça.

O Estado de Direito há muito vem sendo violado, especialmente e não unicamente pela súcia petista. Veja, por exemplo, os aumentos absurdos de IPTU que governos locais vêm aplicando. Esta também é uma forma de esbulho, ainda que indireta. O cidadão pobre que não suportar o ônus do tributo vê-se, por vezes, obrigado a vender o bem quando não o perde para o próprio Estado. Coitado, então, do homem pobre que recebe por herança um imóvel. São aquelas Graças Gregas. Até para desfazer-se do direito é complicado.

O Ministro da Justiça, pessoa em quem muitos reconhecem a figura de cidadão de palavra firme para cumprir o que promete, compõe o Estado. Creio que o então Senador quando se refere a ele escrevendo, como já li: “(...). Com todo o respeito que me impõe a pessoa do senhor José Eduardo Cardozo(...)”, [veja aqui - ex-Senador Ruben Figueiró] tinha em mente a genealogia nobiliárquica do Cargo, não do incumbente. Assim, penso! E, ainda que revestido de tanta nobreza que o cargo lhe empresta, sucumbiu ao receio de ver-se enredado em crime de responsabilidade caso não atendesse ao “convite”, creio eu, de comparecimento a Comissão de Agricultura do Senado Federal, como narra Vossa Excelência. Que tipo de Governo é esse Senador?

A permanência do Partido dos Trabalhadores no governo central é um risco enorme para o país e eu duvido que os congressistas não saibam disso. Olhe-se para a situação macroeconômica brasileira! Bem sabem nossos congressistas que muito tempo será preciso para rearrumar o Brasil. Os pacotes de bondades distribuídos ao longo do governo de Dilma Rousseff – especialmente – contribuíram fortemente para o desequilíbrio das contas públicas. O exercício irresponsável do poder, com a já famosa contabilidade criativa que mascara números e enodoa a honradez de um povo inteiro enquanto Nação vai empurrando o país cada vez mais para o precipício. Tomara nem cheguemos perto de lá. 

Além! Todos esses escândalos que se sucedem envolvendo bilhões do dinheiro do Tesouro Nacional enquanto as pessoas mais carentes sofrem por falta de hospitais, de médicos, de equipamentos, de leitos, de especialistas, etc. Na educação não temos uma grade curricular adequada para se alcançar a excelência de aprendizado que hoje o mundo exige. A massificação do estudo superior é para mim um crime lesa-pátria. Estamos formando profissionais fracos – salvo exceções. É uma extraordinária ilusão entregue aos jovens. Quando chegarem ao mercado de trabalho sentirão o peso da concorrência e descobrirão então que foram enganados. Falo é do ENEM, uma fábrica de homens de graduação superior. Já nem mais tenho gosto pelo uso do termo; ele perdeu o seu sentido. Aliás, tenho que, todo o sistema de educação no Brasil se perdeu ou está se perdendo. O sistema de acesso à educação superior como o ENEM é meio duvidoso, a Educação – este sim – é fim em si mesma. O eixo do foco principal do sistema de educação superior está desviado. O que se promove hoje no Brasil com esse sistema é uma domesticação massiva de jovens brasileiros com graduação superior que vai engrossar a quantidade de profissionais inúteis, jovens desiludidos, uma geração inapta e corroída pela raiva e pelo ódio. Estamos criando uma grei de violentos e suicidas. 

Nietzsche como Pedra de Toque:

 “Horrível é morrer de sede no mar. Por que, pois, pondes tanto sal em vossas verdades? Assim as tornais incapazes de saciar a sede!”.

Friedrich Wilhelm Nietzsche

E os índios? Tão brasileiros quanto eu próprio ou Sua Excelência, vão se tornando vítimas de um Estado ausente.

Se não perdem suas terras por decorrência de um Estado inane nestas questões, perdem-na pela ação criminosa da devastação das florestas nacionais. Aqui, também, o Estado se revela inerte e mentiroso. Não bastasse isso, também são vítimas da proximidade e o contato com a vida desregrada do homem branco. Já é tão comum entre tantos indígenas jovens a promiscuidade, a prostituição, os vícios, as desvirtudes. A virtuosidade da cultura indígena brasileira vai se perdendo, e o vírus que a corrói se dissemina com tamanha velocidade! Quanta Nação Indígena já tem atingida?

Hoje, o mal mais visível está na dificuldade de consolidar os direitos dos índios aculturados. São sujeitos de direitos, inegável constatação. De outro lado, famílias em gerações detentoras legais – em tese – de terras que foram trabalhadas e sustentaram a tantos por tanto tempo. Mas, não nos esqueçamos de que outros há no coração da selva, selva que se encaminha para a extinção, e como num processo especialíssimo de conurbação nacional unirá todos num só território, ao menos no campo dos Direitos Constitucionais. O que se terá, então? Migração das malocas para as favelas? Fosse só o problema das terras, seria um alívio!; um problema de menor complexidade e mais fácil de resolver. Mas não é.

Quando reflito sobre questões tão importantes me revolto e me encho de desesperança e medo por aqueles que estão sendo mortos sem se aperceberem do crime; um futuro que está nas sombras.

A assimilação do indígena pelo branco, se chegar e quando chegar, até lá deverá passar por um processo longo, penoso e triste. A história já nos ensinou essas lições; um exemplo que ainda subsiste aos séculos: os semitas e antissemitas. 

Indígenas, judeus e palestinos não se atraem pela semelhança da essência? A todos não falta identidade na sua mais pura concepção, a eles não está dado o limite do Estado-Nação no mais raso mandamento dos direitos humanos?

“Quo plus realitatis aut esse unaquaeque res habet, eo plura atributa ipsi competunt”

(“Quanto mais realidade ou ser uma coisa tem, tanto mais atributos lhe competem”)

Proposição de Spinoza

Falta um bom bocado de Moralismo e Ética ao Estado.

E é quando o Estado dá os piores exemplos; o que se pode esperar do cidadão comum – índio ou não, branco ou negro, rico ou pobre, diferenças étnicas – movido pelo desespero, pela desesperança, pela aflição da ausência de futuro melhor?

É disto que penso! Dessa deformação da essência humana originalmente concebida que desagrega e apodrece as relações entre o homem e o Estado.

As ferramentas de manobra estão se tornando claras demais para o homem que já as percebe com estupenda nitidez.

- A política e as religiões chegarão ao ponto de onde partiram a 360 graus e tornaremos a barbárie? 

Sinto eu que já a vivemos; uma barbárie moderna, atualizada, indigna do século XXI, virtualizada, desvirtuada, enxerta de jovens distraídos e homens desanimados.

Se alguns indígenas se animam a participar desse circo – e não os culpo –, me peno deles; vão aos poucos deformando a própria essência e se inserindo numa sociedade que se reconhece como que esquadrinhada numa cela do Inferno de Dante. Que então se arrependam depois; E faremos parte desta história! 

JM Almeida

JM Almeida

João Maurino de Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. 

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