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Brasil: Da independência fake à independência real (veja o vídeo)

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O dia 7 de setembro de 1822 seria lembrado como o da “independência” do Brasil em relação à Coroa Portuguesa, mas o certo é que não representou de fato a nossa independência.

A DEPENDÊNCIA ou a SUBSERVIÊNCIA do Brasil aos interesses antagônicos, nessa data, apenas mudava de “cara”, dando continuidade à exploração sistêmica que sobre nós se abatera desde o descobrimento e perduraria mesmo após essa data, como sabemos.

Assim, a INDEPENDÊNCIA era a máxima expressão do: ME ENGANA QUE EU GOSTO!

Mas quero começar deixando algo para vocês pensarem: intencional ou não, o episódio da Independência mesmo “fake”, pode ter representado o início de um sentimento de Nacionalidade que inspirou outros movimentos que se sucederam e que contribuíram, 196 anos depois, para estabelecer um novo patamar para a nossa liberdade e soberania: me refiro ao dia 28 de Outubro de 2018 (a independência Real?), quando em segundo turno Jair Messias Bolsonaro, um filho de Imigrantes Italianos, seria eleito o Presidente do Brasil.

E com ele, a esperança do início de um processo, mesmo que longo, de Independência Nacional REAL.

Dentre esses movimentos que culminaram com a eleição de Bolsonaro, os mais recentes que podemos citar seriam o de “Diretas Já” que resultou na Assembleia Nacional Constituinte e a eleição novamente de um Presidente Civil e que, mesmo que não tenha dado muito certo, contribuiu para caminhar na direção do momento atual que estamos vivendo.

Nesse caso, com o tempero ou a pimenta que podemos considerar como sendo as Redes Sociais

Quando digo que não deram muito certo me refiro à Aberração Jurídica que Representou a Constituição de 1988 com seus 200 Artigos e que tratou de preservar como sempre, os Interesses Oligárquicos e Corporativos e à eleição de Fernando Collor de Melo em 1989 (o primeiro eleito diretamente pelo voto, desde a instauração do Regime Militar, em 1964) que, ao enfrentar sem o necessário apoio do Congresso (totalmente aparelhado), os interesses corporativos, foi deposto e assim: continuou “tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

A história política do Brasil é uma interminável história de “faz de conta” ...

Se pensamos numa Independência de fato, temos que imaginar o Brasil e os Brasileiros, livres dos interesses que nos submeteram desde sempre a modelos de EXPLORAÇÃO E SUBSERVIÊNCIA e aos Interesses Corporativos dos detentores do Poder por detrás dos Poderes Aparelhados, como citei no Artigo O resgate da autoestima e o poder da nacionalidade, que recomendo a leitura. E isso de fato, jamais ocorreu se estudamos a nossa história de 1822 até os dias atuais.

PARA ENTENDER O PRESENTE É PRECISO CONHECER O PASSADO

Você de fato conhece historicamente o que chamamos de “INDEPENDENCIA DO BRASIL”?

Vem comigo... vamos revisitar essa história.

Quando nos debruçamos sobre fatos passados conseguimos ver com maior clareza aquilo que, muitas vezes à época não nos permitiu ver todas as nuances e os aspectos sincrônicos que foram se alinhando para construir algo que, de outra forma, talvez pudesse parecer “magia”, para o bem ou para o mal.

Vivíamos a primeira década dos anos de 1800 e por conflitos Geopolíticas as tropas de Napoleão invadiram e ocuparam a Península Ibérica (Portugal e Espanha) entre 1807 e 1814 (depois Portugal viria a se libertar dos Franceses em 1815), fato que obrigou Dom João VI (1767 – 1826) e a Família Real Portuguesa a fugir para o Brasil.

Esse fato histórico é crucial para compreender a nossa história: pois além de elevar o status da chamada “colônia” promovendo diversos investimentos importantes, determinaria dentre outras, a aberturas dos portos Brasileiros para o mundo (por razões econômicas, primeiramente) à partir de 1808, mas que também determinaria o início oficial de um processo de imigração de Europeus para o Brasil (em geral fugindo de conflitos na Europa), algo que até então era proibido pela Coroa, como citei no Artigo sobre a Nacionalidade Brasileira e sua importância na formação étnica e racial dos Brasileiros que conhecemos hoje e que tem uma riqueza cultura, sem igual no mundo e foi influenciada por esses movimentos migratórios nos últimos 200 anos.

Mesmo que Portugal tenha se livrado dos Franceses em 1815, Dom João VI permaneceria no Brasil até 1820, até a eclosão da “Revolução do Porto”, uma outra história envolvendo os aliados Ingleses que em razão do seu apoio contra Napoleão, assumiram privilégios em Portugal se assenhorando do país e provocando conflitos ... algo que não vem ao caso, neste momento, mas que determinou a necessidade do retorno de D. João VI a Portugal.

Retornando a Portugal, Dom João VI deixaria no Brasil o Príncipe Regente D. Pedro de Alcântara e Bragança (que viria a ser D. Pedro I (1798 – 1834)) e este, em 7 de Setembro de 1822 deu o famoso “grito: independência ou morte” (Retratado no quadro pintado por Pedro Américo (ver imagem), em Florença em 1888, 66 anos depois do fato e que passa longe da realidade.

Essa estória fantasiosa e romanceada apresenta, segundo historiadores, várias versões curiosas e algumas até engraçadas, como o quadro de diarreia que D. Pedro apresentaria naquele momento ou o Jumento (sim, dizem que D. Pedro I retornava da casa de sua amante, marquesa de Santos, e a subida da serra era feita só por mulas) no qual viajava com suas tropas maltrapilhas).

Parece que o fato é que, em meio a viagem, ao receber duas cartas de Portugal (uma de Dona Leopoldina, sua esposa e outra do político José Bonifácio), entendia-se que estrategicamente era hora de “promover a independência do Brasil”.

Na verdade antes disso, o Brasil já apresentava movimentos revolucionário de Independência que poderiam inclusive resultar na própria cabeça de D. Pedro I. Com isso, ao declarar a independência de Portugal (por influência de José Bonifácio, principalmente) e constituir o Império, não apenas se safava de um triste fim como mantinha estrategicamente o poder nas mãos da Coroa Portuguesa, mesmo que indiretamente.

É claro, com Portugal exigindo cerca de 2 milhões de libras “pela independência”, fato que resultaria no início do endividamento histórico brasileiro (o Brasil solicitaria o empréstimo aos Ingleses, que também não eram lá “flor que cheire” na época) e que seria um mal endêmico do Brasil daí por diante.

Mas isso é uma outra história...

Mesmo antes do “grito”, em junho de 1822 fora articulado um movimento constitucional por José Bonifácio de Andrade e Silva, um dos grandes articuladores da “independência” e que viria a assumir a condição de uma espécie de primeiro ministro às partir de “declarada” a independência e, sob seu comando, pequenos movimentos revolucionários “anti independência” foram extirpados.

Dessa forma, D. Pedro I não apenas posava como “libertador” como eliminava todo e qualquer foco de resistência aos seus interesses imperiais. Mesmo José Bonifácio, seria demitido no ano seguinte por divergir em algumas questões com D. Pedro I: dizem que o Imperador tinha um perfil bastante autoritário, além de “impulsivo e mulherengo”: frequentemente, seus antagonistas não era a população e sim as elites.

Com a “independência” foram criados no Brasil os primeiros partidos políticos, no caso os “Moderados” defendendo a Monarquia e os “Exaltados”, representando a oposição (hoje temos a absurda soma de 33 partidos).

À época tivemos então a Primeira Assembleia Nacional Constituinte à qual foram incorporadas uma série de ideias LIBERAIS muito por influência do que ocorrera nos Estados Unidos (cujo movimento pela independência entre 1770 e 1780 e cuja declaração de Independência das 13 colônias data de 04 de julho de 1776) que produzira uma constituição de cunho Liberal.

Obviamente nada disso vingou por aqui...

Tal movimento, certamente não agradou a Monarquia e fez com que D. Pedro I fechasse a Assembleia mandando prender seus articuladores, mostrando realmente quem era o “Imperador libertário” que na verdade não passava de mais um Tirano.

Assim, a primeira constituição datada de 25 de março de 1824 seria um fiasco se pensamos nos interesses da sociedade brasileira, sendo totalmente voltada aos interesses Imperiais corroborando o modelo opressor e explorador vigente antes da propagada e romanceada “independência”.

Bom que se diga que a estratégia de “declarar a Independência” foi tão bem sucedida no sentido de aplacar os ânimos exaltados e manter o poder, que perdurou por um longo período, ou seja por 67 anos até 1889 quando foi proclamada a República e assim, deposto o último imperador, Dom Pedro II sucessor de D. Pedro I que retornara a Portugal em 1831, dentre outras, temendo ser assassinado no Brasil, dada a sua impopularidade à época.

E depois disso, seria elaborada uma nova Constituição, a segunda do Brasil e a primeira da República em 1891 onde tudo ficava sob controle das Oligarquias e interesses Corporativos, “só para variar”.

A REAFIRMAÇÃO DA NACIONALIDADE E DO SENTIMENTO LIBERTÁRIO

Se a declaração de Independência foi uma farsa articulada para manter a DEPENDÊNCIA e submissão do Brasil, nesse caso agora para a Monarquia que se estabelecia, mas com as Oligarquias dando as cartas, ela também despertou um SENTIMENTO DE NACIONALIDADE que foi amplamente captado pelos Brasileiros que aqui estavam e principalmente por aqueles que chegaram à partir de 1808 com a abertura dos portos.

E isso se deu pelo fato de que o BRASIL possui uma capacidade peculiar de franquear sua nacionalidade como fruto da síntese étnica e racial que aqui estabeleceu uma sociedade com um forte sentimento de nacionalidade e que abre os braços a quem dela se apropria como sua e a está disposto a defender.

Nesses 212 anos desde a abertura dos portos pela família Real Portuguesa, o Brasil edificou uma síntese Racial multiétnica e multicultural com traços maravilhosos e disso resulta um povo com um potencial extraordinário e isso já vemos aflorar.

A esses 212 anos se somam os 308 anteriores nos quais Índios, negros Africanos e Brancos Portugueses, formaram a matéria prima de que somos feitos.

Não por acaso sobrenomes como Kubitschek; Nascimento; Schurmann; Kuerten; Scheidt; Klink; Sanchez; Viana, Mattar; Brown; Jones; Rossi; Russo; Sato; Suzuki; Lee; Park; Abduch; Ahmad; Andrade; Cardoso; Silva; Bocaiuva; Capanema; Jaguaribe; Freiberger; Valerim, Barddal... e Bolsonaro, dentre tantos e tantos outros, são parte desta linda história de formação dos brasileiros, uma gente diferente, talentosa e com uma energia fenomenal.

É essa gente que quer um Brasil livre, coeso e focado em realizar seu potencial...

O que está sendo construído neste momento é o resultado de uma história de 520 anos, algo que por diversas vezes nos foi negado no processo histórico, como no dia 7 de setembro de 1822... mas isso ficou para traz como o adubo que é preciso colocar nas plantas para faze-las crescer e florescer.

O Brasil está declarando neste momento, sua INDEPENDÊNCIA REAL ...

Confira:

JMC Sanchez

Articulista, palestrante, fotografo e empresário.

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