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O Brasil e seus heróis: um longo aprendizado necessário

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Sabe porque ainda precisamos de um lobo-guará numa cédula de duzentos reais?

Porque a imagem de um animal não homenageia gente, outro bicho não vai reivindicar a sua imagem ali estampada.

Vivemos uma crise de egos em que gente mesquinha exige homenagens sem mérito algum. Somos um povo infante que não consegue reconhecer gente de valor.

Precisamos do lobo-guará para camuflar a inveja brasileira. Aprendemos que engrandecer os nossos homens é retrógrado, mas a verdade é que aplaudir nossos heróis brasileiros é insuportável para a nossa mente invejosa, narcísica e pouco patriota.

Reconhecer Dom Pedro II, Machado de Assis, Heley de Abreu Silva Batista ou Gerson Coutinho da Silva seria provocar a ira dos Herodes e Pilatos do Brasil.

Salve o lobo-guará que, com sua imagem estampada no papel moeda, nos poupa de encararmos a nossa pequenez.

Para conseguirmos avançar há um longo reaprendizado que deverá se iniciar na escola primária incentivando as crianças a aplaudir aquele que merece aplauso.

Temos um longo caminho pela frente, precisamos domar dentro de cada um de nós a nossa inveja nos círculos pequenos para irmos estendendo essa capacidade para espaços mais amplos.

Um trabalho lento, porém fundamental para que o nosso país possa, um dia, imprimir o rosto de um brasileiro em nossa moeda.

Do primitivismo do animal para a civilidade há que se levantar e admirar aqueles que andam com os dois pés firmes no solo verde e amarelo.

Nara Resende

Psicóloga clínica de adolescentes e adultos, escritora de Divã com poesia, Freud Inverso e organizadora do livro O jovem psicólogo e a clínica.

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