Vento a Favor: Sopro de serenidade

Eu não sabia o quanto, mas aquele momento era um dos mais importantes da minha vida toda até ali.


Eu havia girado o leme da minha nau em busca de me posicionar de modo a aproveitar o a força motriz do vento forte a que sempre estive submetido.

Meia existência lutando contra o vento deu-me a capacidade de conhecer bem as pessoas, principalmente a mim mesmo.

Navegar com o vento no nariz da nau é possível sim. Demanda mais conhecimento, habilidade; conduz à fadiga expande a persistência do marujo. Ele trabalha mais e produz bem menos. Lida com a lei da escassez o tempo todo.

Legal é poder hoje determinar onde quero chegar e saber lidar com todo tido de mar e vento, mar crespo e vento forte e de todo lado ou terral e vela murcha... o navegante do mundão aprende que toda circunstância tem utilidade.

Nesse oceano da vida, sou um marujo bem relacionado. Tenho amigos que navegam em canoas, outros que são comandantes de cargueiros que viajam águas internacionais ano todo, tem amigo garrado numa “táuba”, tenho amigos nadando. E tem um montão de gente no estaleiro.

Não importa o tamanho da sua embarcação e o que foi buscar no mar, apenas seja sempre grato à Natureza que lhe concede as marés, o alimento, o porto seguro que é a família em terra e no Norte que representa ela, a Natureza Divina.

Neste momento meu país pega fogo.

A revolta e a tristeza são potencializados por toneladas de conteúdo vergonhoso que alimentam a chama do deboche no maior provocação e vexame nunca antes vistos na República, soa como armadilha.

Penso: “Isso tudo é pra que a gente faça exatamente o que nos ocorre instantaneamente”. Eu, que não quero mais vento na minha proa, me assossego no convés...

Eu eu olho pro céu.

Sei que não é na porrada que se resolve nada.

Na porrada já pensei liquidar questões, e elas me assombram até hoje... e lá se vão trinta anos do litígio...

Eu não quero viver remorso.

Acredito que o arrependimento e o remorso sejam aquilo que os católicos chamam “inferno”, os kardecistas “umbral”, e por aí vai.

Foi olhando pro céu e fazendo o que tinha de ser feito que consegui dar alguns passos valiosos. Aprendi que navegar é preciso, para tanto, agressões não servem pra nada.

Olho pro Céu e peço calma.

Quem tem de sair está caminhando para porta com seus próprios pés. Aquele barco está fazendo água há muito tempo. Está adernando, percebe? 

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo

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João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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