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Quando pessoas são transformadas em commodities: A pedofilia, o tráfico de órgãos e os dados aterrorizantes

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Conforme uma notícia publicada no Portal de Notícias do Senado em abril de 2018, “o índice de desaparecimento de crianças e adolescentes no mundo vem se elevando a uma taxa superior a 10% anualmente. Só no Brasil, são registrados 50 mil casos por ano”.

Tal notícia foi publicada no decorrer de uma audiência da comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), a qual discutia o problema do crescente “desaparecimento” de crianças e adolescentes.

Diante dos dados, há uma verdade que precisa ser trazida à tona: uma parte desses “desaparecimentos” está relacionada com redes de pedofilia (envolvendo prostituição e escravidão) e tráfico de órgãos. E, cabe enfatizar, os números aterradores: são mais de 4 mil crianças por mês e aproximadamente 137 por dia (apenas no estado de São Paulo “desaparecem” 23 crianças e adolescentes por dia).

Tais dados, crescentes, provavelmente são mais elevados hoje. Aliás, talvez haja inclusive uma subnotificação de casos, uma vez que boa parte deles envolve crianças e adolescentes cujos pais sequer se preocupam em procura-los, muitas vezes não registrando ocorrência por julgarem que eles simplesmente fugiram de casa e estão vivendo em situação de rua (o que certamente é o caso muitas vezes). Esse é, aliás, um dos efeitos colaterais da dissolução familiar.

No entanto, apesar da gravidade do problema, pouca atenção tem sido dada a ele. Aparentemente redes obscuras e poderosas agem desde as sombras para que tal “comércio” humano permaneça quase incógnito.

Além disso, alguém, em um momento de dissonância cognitiva, poderia questionar: “alguma pessoa realmente se empenharia em realizar tais práticas?” “Algo assim poderia estar realmente ocorrendo ao meu redor?” “Trata-se de algo real?”

Tais práticas são tão hediondas que muitas pessoas as relegam ao âmbito das teorias conspiratórias. Afinal, como diz o provérbio popular (adaptado de um antigo provérbio português), “quem mal não faz mal não pensa”.

Sim, para pessoas comuns, normais, é quase impensável que alguém possa agir dessa forma, escravizando crianças e lhes extraindo órgãos para comercialização. Daí que pessoas normais entrem, em um primeiro momento, em uma espécie de estado de negação.

Mas tais casos são reais. Assustadoramente reais. Basta vermos os dados, atentarmos para os fatos.

Observemos, por exemplo, o caso da pedofilia. Embora o governo federal tenha recentemente enviado ao congresso nacional um projeto de lei sugerindo a alteração dos códigos penal e de processo penal para aumentar a pena de agressores que cometem crimes de abuso sexual contra menores e incapazes, do outro lado temos, dentro da mídia, do meio acadêmico (e de grupos de esquerda), sujeitos que tentam “normalizar” tal prática hedionda.

Tratei disso nesse texto aqui no JCO:

A “normalização” dessa prática abominável e criminosa tem ocorrido lentamente. Aqui temos o uso do que se convencionou chamar de “janela de Overton”, nomeada a partir de seu elaborador, Joseph P. Overton.

Com efeito, Overton nos mostra como é possível passarmos do espectro “totalmente inaceitável” para o outro extremo, o “totalmente aceitável”. O caminho de um espectro a outro passa, em linhas gerais, pelo “inaceitável com ressalvas”, pelo “neutro” e pelo “aceitável com algumas ressalvas”.

Ao final aceitamos práticas anteriormente inaceitáveis.

Como isso se dá?

Ora, mediante a inserção de ideias através da propaganda: na mídia, nas “pesquisas” acadêmicas, etc. Aliás, não podemos subestimar o papel dos “acadêmicos” nesse processo. Afinal, são eles aqueles que oferecem um simulacro de “superioridade” a certas ideias que o senso comum sabe serem aberrações.

Na prática, o que tem ocorrido é a aplicação daquela famosa frase de Goebbels (ministro da propaganda do nazismo): “uma mentira contada mil vezes torna-se verdade”.

Os nazistas foram os principais artífices das práticas hoje levadas a efeito pelos chamados “progressistas”, os quais têm promovido uma espécie de engenharia social para causar o colapso não apenas de nossos pilares civilizacionais, mas da natureza humana mesma.

Desta feita, alguém já se perguntou pela razão de o nazismo ter criado um ministério da propaganda?

Ora, eles sabiam que mediante a propaganda eles poderia impor, gradualmente, ideias hediondas à sua população, para que ela passasse do espectro do “totalmente inaceitável” para o “totalmente aceitável”.

E com isso eles convenceram o povo alemão da aceitabilidade de ideias abomináveis (eugenia, hierarquia de “raças”, extermínio de grupos considerados indesejáveis e inferiores, etc).

Hoje isso é feito para que nossa sociedade aceite a promiscuidade, o aborto, o antinatalismo, a eugenia, bem como a pedofilia, a antropofagia e outras práticas originariamente inaceitáveis para pessoas com um senso moral minimamente funcional.

Sim, todas as práticas que cito acima (mesmo o antinatalismo e a antropofagia) estão, nesse momento, sendo defendidas por alguns grupos, muitos deles subsidiados por grandes fundações.

Por quanto tempo a maioria das pessoas as considerarão “totalmente inaceitáveis”? Quantos já não as consideram “neutras” ou “aceitáveis com ressalvas”?

Sobre a pedofilia, cito alguns exemplos no artigo acima referido, mas aqui enfatizo o papel que uma série tem tido mediante sua torpe erotização de meninas de 12 anos. Nesse caso, a erotização é um passo inicial para conduzir as pessoas pelo “inaceitável com ressalvas”, passando pelo “neutro” e pelo “aceitável com algumas ressalvas”, até chegarem ao que eles pretendem: o “totalmente aceitável”.

Goebbels ficaria orgulhoso com os progressistas, uma vez que eles aprenderam exemplarmente suas lições.

Sobre a questão do tráfico de órgãos, recentemente escutei um podcast que me deixou profundamente chocado, aterrorizado. Como conservador, acompanho o excepcional trabalho feito pelo ‘Burke Instituto Conservador’, o qual mantém o ‘BurkCast’, no qual há ótimas entrevistas.

Em uma delas (cujo link postarei abaixo desse texto) encontramos um relato aterrador, de um pai que revela como seu filho de 10 anos foi morto em um hospital após sofrer um acidente doméstico (havia uma central clandestina de retirada e tráfico de órgãos no hospital).

Tanto na entrevista quanto em um livro que ele publicou posteriormente (intitulado “Tráfico de órgãos no Brasil”, o qual está disponível na internet) ele revela todos os detalhes de como funciona o tráfico de órgãos em hospitais brasileiros. Desde que perdeu seu filho ele passou a investigar toda a rede obscura que vige nesse “comércio” clandestino.

O assustador é percebermos, a partir do seu relato, que tal rede envolve muitos profissionais da área da saúde, bem como instituições que deveriam estar a serviço da humanidade, se consagrando ao bem-estar do doente (tal como lemos no juramento de Hipócrates).

Não obstante, os pacientes são muitas vezes tratados como commodities (assim como seus órgãos).

Após escutar sua entrevista fiquei me perguntando: quantas pessoas já não foram mortas – aqui mesmo no Brasil - intencionalmente para que seus órgãos fossem colhidos e vendidos? Mais: quão complexa e organizada é tal rede?

Quantas figuras proeminentes não fazem parte dela, não apenas na área da saúde, mas no judiciário, na política, dentre outras? Afinal, algo como o que foi descrito no podcast citado (e no livro) não pode ocorrer e permanecer nas sombras sem a proteção de uma rede complexamente organizada e enraizada em várias esferas de poder.

Eu já li muitos relatos sobre o partido comunista chinês promover a perseguição e a prisão dos ‘falun gong’ para lhes retirar os órgãos e vendê-los. Relatos similares mostram isso ocorrendo na África também.

No Haiti, logo após o terremoto de 2010, surgiram diversos registros não apenas de tráfico de crianças, mas inclusive de seus órgãos. Estima-se que em torno de 10% dos transplantes que ocorrem no mundo são ilegais.

Em 2011 os dados sugeriam que o tráfico de órgãos movimentava de 600 milhões a 1.2 bilhões de dólares ao ano. Tais dados são da ‘Organização Mundial da Saúde’ (OMS) e citados pela agência organ.care.

De qualquer forma, tais relatos sempre parecem descrever uma realidade distante e, mesmo, “embaçada”. Não apenas isso, parece um tabu discutir a questão. Há pouquíssima repercussão desse problema em nossos meios de comunicação.

E aqui entra o ponto que coloquei anteriormente: qual a magnitude do poder dos grupos aos quais interessa esse comércio?

Afinal, observem que há grupos claramente empenhados em “normalizar” as práticas citadas acima.

Mas vejam. Tanto no caso da pedofilia quanto no comércio de órgãos há um pressuposto comum: em ambas as situações foi abandonada a ideia de pessoa, de dignidade da pessoa humana. E essa é uma ideia que vem sendo imposta por décadas (em acordo com a janela de Overton). Cito o caso do aborto, no qual uma pessoa é simplesmente considerada um “material”, um “aglomerado”, etc.

Ou seja, sua pessoalidade lhe é brutalmente violada, mesmo que saibamos, pela embriologia, que desde a concepção temos uma pessoa humana viva e individual. Ou seja, de um ponto de vista material, todos fomos embriões, fetos, etc. Algo similar ocorre na hoje “totalmente aceitável” ideia de fertilização in vitro. Em tal prática pessoas (embriões) são tratadas não como pessoas (com valor intrínseco – dignidade), mas como commodities.

Ou seja, como produtos manufaturados que servem inclusive para a pesquisa (podendo ser alterados, descartados, etc). Na fertilização in vitro a reprodução deixou de fazer parte da sexualidade humana e passou a seguir uma espécie de “lógica de mercado”, válida para mercadorias. E aqui ela passa, consequentemente, a ser julgada por critérios que lhe são externos, como eficiência, controle de qualidade, lucro, etc.

O proprietário do laboratório quer a satisfação de seus clientes no tocante à qualidade do serviço prestado. É disso que se trata a chamada “reprodução assistida”: oferecer um “produto” de acordo com a expectativa dos clientes. Hoje essa é uma indústria que movimenta bilhões de dólares anualmente.

Em suma, subjaz aos problemas da pedofilia e do tráfico de órgãos uma reificação da pessoa humana, em um processo que faz parte de um continuum. Estamos avançando do “totalmente inaceitável” para o “totalmente aceitável” em passos largos.

Muitos já julgam aceitável a pedofilia, por exemplo. Quanto tempo até julgarem aceitável retirar de pessoas sua pessoalidade, sua humanidade, para que se possa colher seus órgãos e vendê-los para aqueles em condições de pagar quantias exorbitantes por tais com commodities?

Nesse momento tal comércio ocorre nas sombras. Mas ele não vem à luz imediatamente. Ele vem aos poucos. E, acredito, os mesmos que o realizam às escuras os estão trazendo, gradualmente, à luz.

Eis o link para o ‘BurkeCast’ acima referido:

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Foto de Carlos Adriano Ferraz

Carlos Adriano Ferraz

Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio doutoral na State University of New York (SUNY). Foi Professor Visitante na Universidade Harvard (2010). É professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), bem como membro do Docentes pela Liberdade (DPL) nacional e diretor do DPL/RS.

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