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Eis que é chegado o dia do “grande reset”: Será o coroamento da ‘nova ordem mundial’? (veja o vídeo)

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Ao longo do século XX diversas instituições foram criadas com o propósito de se instituir um “mundo melhor”, um mundo totalmente administrado, muitas vezes denominado por uma expressão costumeiramente usada de forma imprecisa: “nova ordem mundial”.

Digo imprecisa pois ela não possui uma acepção unívoca, sendo amplamente difundida e vulgarizada, muitas vezes sem maiores esclarecimentos sobre seu significado.

Mas o ponto é que a ideia de se criar um “mundo melhor”, bem como um ser humano “melhor” (eugenia), é uma ideia resiliente. Ela avançou resolutamente no decorrer das últimas décadas.

Embora não se trate de uma ideia nova, foquemos em seus desdobramentos desde meados do século XX, especialmente com o surgimento (planejado) de instituições centralizadoras como: ‘Federal Reserve System’ (1913); ‘Fundação Rockefeller’ (1913), ‘Liga das Nações’ (1919); ‘Council on Foreign Relations’ (1921); ‘Fundação Ford’ (1934), ‘Fundo Monetário Internacional’, FMI (1944); ‘Banco Mundial’ (1945); ‘Organização das Nações Unidas, ONU (1948); ‘Clube de Bilderberg’ (1954); ‘Comissão Trilateral’ (1973), ‘União Europeia’ (a partir do Tratado de Maastricht, de 1992), apenas para nomear as mais conhecidas.

Mas, perguntemos: ainda que distintas, que valores tais instituições compartilhariam? Não seriam elas instituições capitalistas, avessas a ideias socialistas (de um governo centralizado e planificador)?

Primeiramente, cabe observar que já está suficientemente demonstrado que a elite financeira subsidiou um dos maiores avanços do socialismo no século XX, a saber, a revolução bolchevique de 1917.

Destaco aqui a bem documentada obra de Antony Sutton, “Wall Street & the Bolshevik Revolution” (1974), na qual acompanhamos como a elite financeira mundial contribuiu, desde o final do século XIX, para o avanço do socialismo na união soviética. Portanto, na prática, capitalismo e avanço de ideias socialistas não se excluem, não necessariamente.

Digo “na prática”, pois em teoria certamente elas são categorias excludentes, como já esclareceram autores como Mises e Hayek. Mas o ponto é que capitalistas nem sempre são fiéis aos princípios fundamentais de uma economia de mercado, como individualidade, liberdade, livre concorrência, etc. Basta vermos que o nosso assim chamado capitalismo tem sido, na melhor das hipóteses, um “capitalismo de compadrio”, no qual os amigos daqueles que exercem o poder estatal se beneficiam dessa “amizade” espúria (como no caso das empreiteiras que se beneficiaram imensamente de sua “amizade” com governos anteriores).

Sem falar nos cartéis, trustes e holdings, por exemplo, os quais também surgem em modelos ditos capitalistas visando à violação da livre concorrência (e, consequentemente, da individualidade e da liberdade – pilares de uma economia de mercado).

Portanto, mesmo “capitalistas” frequentemente violam a natureza mesma de uma economia de mercado. O desejo por um poder quase exclusivo os leva à negação da liberdade e da individualidade. Essa relação entre capitalismo e socialismo pode ser compreendida a partir da afirmação atribuída a Maurice Strong (primeiro chefe do programa das nações unidas para o meio ambiente e secretário geral das conferências da ONU para o clima – o qual, importa notar, era próximo de figuras apenas aparentemente irreconciliáveis, como David Rockefeller e Mikhail Gorbatchov):

“sou um socialista na ideologia e um capitalista no método”.

Parece-me que essa frase se aplicaria a uma parte considerável de nossa elite econômica mundial. Não apenas isso, julgo que a ideia de uma “nova ordem mundial’ envolve, também, esse uso do capitalismo (sobretudo do capital) para o estabelecimento de uma casta planificadora, a qual negaria à maioria a liberdade e a individualidade. E eis que aqui entram algumas das instituições criadas ao longo do século XX, como as acima citadas. Todas elas têm em vista a instituição de uma sociedade global planificada, totalmente regulada por titereiros que avançam sua ideologia mediante tais instituições.

Cabe observar que tal projeto é longo (e árduo), pois a instituição de uma ‘nova ordem mundial’ enfrenta alguns obstáculos (e seus “descontentes”, como diria H.G. Wells). Sobre esses obstáculos, eu colocaria especialmente os seguintes:

1. A ideia de liberdade individual, pois eles pretendem nos massificar, anulando aquilo que nos torna únicos (seu objetivo é suprimir nossa alma mesma);
2. A lealdade à família, às tradições e à pátria;
3. Nossa religiosidade e os princípios religiosos, sobretudo os judaico cristãos, uma vez que tais princípios reforçam os demais obstáculos e constituem a maior barreira aos avanços da nova ordem mundial.

Isso é, hoje, evidente. Nesse momento é inegável o papel dessas instituições no combate aos obstáculos que listei acima. E nesse combate ganha proeminência especialmente a ONU, uma vez que ela foi concebida justamente para desempenhar esse papel planificador mundial. Embora seu propósito originário fosse justamente levar adiante a agenda socialista, foi somente no decorrer das décadas seguintes que passamos a perceber seus propósitos gradualmente se desvelarem, especialmente o de criar uma nova ordem mundial que coloque fim à individualidade, às soberanias nacionais e aos valores da tradição judaico cristã. Afinal, esse é um dos propósitos fundamentais da nova ordem mundial: a criação de uma espécie de feudo mundial centralizado sob um poder global planificador (político, moral, religioso, etc).

Desse modo, o “mundo perfeito”, de acordo com a distopia de uma “nova ordem mundial”, é um mundo sem Deus, sem liberdade e sem individualidade, totalmente controlado por aqueles que atualmente exercem, ocultamente, o controle quase total de nossas instituições, diante de uma mirrada resistência. Ou seja, um mundo muito similar àquele sistema imposto atualmente pelo partido comunista chinês à China: um mundo sem liberdade, sem individualidade e sem Deus.

Nesse sentido, a China é, nesse momento, um paradigma para a distopia presente na ideia de uma “nova ordem mundial”: um país em que quase um bilhão e meio de pessoas, indivíduos, são tolhidos brutalmente em sua liberdade e individualidade, sendo massificados e monitorados pela quase onipresença estatal, vivendo, em sua maioria, miseravelmente, servindo como meros meios descartáveis para a produção de mercadorias também descartáveis. Na verdade, na China mercadoria é um termo que se aplica tanto às pessoas quanto aos seus produtos. A dignidade da pessoa humana é um princípio lá inexistente.

Sem embargo, se há alguma dúvida quanto ao papel da ONU na instituição de um modelo socialista de gestão mundial, observemos rapidamente suas raízes, as quais remontam a uma tentativa de se instituir a liga das nações, ainda em 1917, quando Woodrow Wilson palestrou para os senadores estadunidenses (em um discurso intitulado “Peace without Victory”) visando convencê-los a aceitar que os USA integrassem a liga das nações.

A retórica por detrás do seu discurso já era a que vige nos dias atuais: alcançar a paz. No entanto, talvez fortemente motivados pelos ideais de seus founding fathers, os senadores rejeitaram a proposta e os USA não aderiram à liga das nações. Suponho que eles tenham percebido o perigo de integrar uma instituição supranacional que eventualmente faria colapsar os princípios fundamentais da democracia liberal e conservadora estadunidense.

Não obstante, as coisas mudaram nas décadas seguintes. Em 1939 James Shotwell e Isaiah Bowman começaram a atuar em um estudo conhecido como “Estudo para a Organização da Paz”, o qual visava à organização do mundo pós-guerra. Ambos eram membros da liga das nações e estiveram na Conferência da Paz de Paris, em 1918 (na qual foi instituída a liga das nações).

Posteriormente houve o ataque a Pearl Harbor, o que motivou não apenas a entrada dos USA na segunda grande guerra, mas o surgimento de um comitê presidencial consultivo, no qual começaram a ser desenvolvidas as ideias que levaram à formação da ONU (vejam como os seus articuladores foram pacientes, diligentes e resilientes). E é aqui que entra uma figura fundamental para a implementação da ONU: Alger Hiss. Com efeito, ele esteve em altos cargos no departamento de estado dos USA.

Posteriormente, descobriu-se, ele era um agente espião soviético. Mas ele não era o único. Vários estadunidenses ocupando cargos altíssimos na administração do USA eram ou espiões soviéticos ou simpáticos ao regime comunista. Muitos deles se reuniram em 1943 em Moscou, para tratar da “manutenção da paz e da segurança internacionais”.

A ideia foi fomentada por Stalin e apresentada a Franklin Roosevelt para parecer que seria uma ideia dos USA. Alger Hiss estava nesse grupo. Na verdade, ele coordenou a reunião feita na Conferência Dumbarton Oaks, ocasião em que foram assentadas as bases da ONU. Vários sujeitos ligados diretamente a Stalin faziam parte dessas conferências. Para que se tenha uma ideia de como a ONU foi concebida por comunistas, basta lermos o volume de Abril de 1945 da revista Politica ‘Affairs’, uma publicação oficial do partido comunista dos USA na qual lemos:

“Grande suporte e entusiasmo pelas políticas das nações unidas devem ser consolidadas, bem organizadas e totalmente articuladas. A oposição deve ser levada à impotência de tal forma que se torne incapaz de levantar suporte significativo no senado contra as nações unidas e os tratados que se seguirão”.

Se isso não bastasse, vejam o que disse Earl Browder (no livro “Victory and After”), o qual presidiu o partido comunista dos USA:

“Os comunistas estadunidenses trabalharam energicamente e de forma incansável para o estabelecimento das fundações das nações unidas”.

Resta ainda alguma dúvida de que a ONU tem suas raízes no socialismo? E para quem julga que ela não tem uma proximidade pervertida com o capitalismo, observem que em dezembro de 1946 o megacapitalista John Rockefeller doou um terreno de 18 acres em Manhattan para a construção da sede da ONU. Em suma, a grande elite econômica nunca foi hostil ao socialismo. Pelo contrário, ela sempre lhe ofereceu subsídios.

Por que? Ora, porque elas possuem propósitos em comum.

De qualquer maneira, não causa surpresa ver que em seguida Alger Hiss, traidor condenado por seu vínculo com o comunismo, tenha assumido uma posição na secretaria geral da ONU. Aliás, até onde se pode verificar, todos os secretários gerais da ONU tiveram relações próximas com ideais comunistas.

Nessa lista temos nomes como os do socialista norueguês Trygve Lie, do socialista sueco Dag Hammarskjold, do marxista de Mianmar U Thant, do austríaco originariamente ligado ao partido nazista, Kurt Waldheim, do socialista peruano Javier Perez de Cuellar, do socialista egípcio Boutros-Boutros-Gali, etc. Todos os secretários, até hoje, usam dos recursos da ONU para promover agendas de jaez socialista em âmbito internacional.

Aliás, a Internacional Socialista (fundada em 1951) possui hoje milhões de membros em dezenas de países. Eles declararam em um congresso de 1962:

“O derradeiro objetivo dos partidos ligados à Internacional Socialista é nada menos do que alcançar um governo mundial .... Associação à ONU deve ser tornada universal”.

E notem o seguinte: Quase todas as comissões ditas independentes da ONU ao longo das últimas décadas são coordenadas por membros da Internacional Socialista. Coincidência?

Há, pois, um vício na origem da ONU. E tal como há um vício em sua origem, também identificamos esse vício na raiz de seus tentáculos, como na Organização Mundial da Saúde (OMS). Para exemplificarmos, vejam o que disse Brock Chisholm, primeiro diretor geral da OMS:

“Para alcançarmos um governo mundial, é necessário remover das mentes dos homens sua individualidade, sua lealdade à família, e às tradições, seu patriotismo nacionalista e os dogmas religiosos”.

Diante disso, não surpreende que, quando investigamos sua biografia, encontramos que ele era simpático ao socialismo e, claro, anticristão. Não apenas isso, como psiquiatra Chisholm fez parte de uma corrente que defendia o fim da distinção entre “certo” e “errado”. Ele inclusive escreveu um artigo sobre a importância, da necessidade mesma, de rompermos os elos morais.

Portanto, não há dúvidas: agências como a ONU e suas subsidiárias estão, por décadas, trabalhando de forma diligente e paciente para fazer colapsarem os pilares da civilização tal como a conhecemos, os quais surgiram, aliás, de forma espontânea. Seu propósito: instituir um mundo planificado, não espontâneo, no qual já não há mais espaço para a individualidade, para a liberdade e para Deus (bem como para todos os valores da tradição judaico cristã).

E a sua retórica mantém um ponto constante: a criação de um suposto mundo “melhor”, bem como de um ser humano “melhor”.

No entanto, importa sublinhar que sua ideia de um mundo “melhor” é a ideia de um mundo totalmente administrado por essa mesma elite global que o está projetando, em uma espécie de feudo global gerido por uma aristocracia e desvinculado absolutamente de qualquer valor cristão, no qual todos os demais serão meros vassalos.

Nesse mundo não haverá espaço para individualidade ou liberdade. Eis a razão de estarmos acompanhando um crescente cerceamento de nossa liberdade, especialmente com o avanço de tecnologias que cada vez mais monitoram aspectos íntimos de nossas vidas. Cada vez mais nos sentimos como personagens em algum episódio obscuro da série ‘Black Mirror’.

Assim, tanto o isolamento social forçado quanto a imposição arbitrária do uso de máscaras foram um prelúdio da engenharia social que ganhará força em seguida, assegurando um grande passo para a criação de uma “nova ordem mundial”. O próximo passo, coroamento desse projeto, está em vias de ocorrer. Trata-se do “grande reset”, a instituição de uma tecnocracia global centralizadora. E nesse momento entra em ação o ‘Fórum Econômico Mundial’ (FEM), o qual avançará os planos desenvolvidos de forma muito lenta pela ONU. E não estou falando em teoria. No site do FEM encontramos um vídeo e diversas falas que corroboram esse fato. Em seu site mesmo encontramos algumas informações esclarecedoras. Em janeiro de 2021 será proposto o “grande reset”.

Assim como tínhamos socialistas na fundação da ONU, na fundação do “grande reset” teremos notórios socialistas avessos ao liberalismo e à economia de mercado, como Thomas Piketty e Joseph Stigliz. Eles estão traçando as diretrizes do “grande reset”. E os temas que serão discutidos estarão em acordo profundo com o socialismo em suas roupagens atuais: aquecimento global, acordo verde, tributação de grandes fortunas, criar barreiras para a indústria da carne (lembram que a ONU está propondo que passemos a consumir insetos para termos proteínas?) e do petróleo, etc.

Mas há ainda algo mais sinistro: criação da vacinação obrigatória e de um passaporte mundial com rastreamento genético.

As coisas estão se encaminhando a passos largos para que cheguemos a um modelo similar àquele que encontramos na China. Nesse momento já não somos livres para nos deslocarmos, por exemplo. Desde o início da pandemia o que temos é não um direito fundamental de nos deslocarmos, mas uma concessão do Estado para que o façamos. Como se trata de uma concessão, ela pode ser abruptamente revogada.

O mesmo vale para as demais liberdades, como a liberdade econômica. Basta nossos prefeitos e governadores decidirem que é preciso um novo lockdown para que sejamos obrigados a voltar ao isolamento.

Mas para não fechar esse texto de forma pessimista, menciono um ponto alvissareiro: sabemos que para que seu propósito possa ser alcançado é imperioso se extirpar da mente das pessoas sua individualidade, sua lealdade à família, às tradições, à pátria e aos seus princípios religiosos (especialmente aqueles oriundos da tradição judaico cristã). Será isso possível?

Creio que não. Regime algum, por mais totalitário fosse, jamais conseguiu tal feito. A individualidade é a menor unidade social. Ela sempre emerge, mesmo sob as situações mais desfavoráveis. Por essa razão, qualquer pretensão de se instituir uma ordem hostil à liberdade individual leva, necessariamente, à tirania e, eventualmente, à desobediência civil e à revolução.

Então, que venha a desobediência civil!

No vídeo abaixo participo de um podcast do Burke Instituto Conservador, no qual tratamos desses temas.

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Carlos Adriano Ferraz

Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio doutoral na State University of New York (SUNY). Foi Professor Visitante na Universidade Harvard (2010). É professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), bem como membro do Docentes pela Liberdade (DPL) nacional e diretor do DPL/RS.

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