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A ironia de Bolsonaro, as infantilidades perversas, o peixeiro e a vara de marmelo

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Essa semana, Bolsonaro pespegou mais uma de suas ironias no lombo do Brasil IDEAL imaginado pelas esquerdas:

"É um orgulho, é uma satisfação que eu tenho, dizer a essa imprensa maravilhosa que eu não quero acabar com a Lava Jato. Eu acabei com a Lava Jato, porque não tem mais corrupção no governo. Eu sei que isso não é virtude, é obrigação".

Os exegetas da “imprensa maravilhosa” rapidamente divulgaram em grandes manchetes que Bolsonaro havia acabado com a “lava jato”.

Certamente não entenderam, nem captaram a ironia. São boas pessoas. Querem salvar o mundo. São muito, muito inteligentes, por isso não passa por suas cabeças que alguém queira acabar com a lava jato. São superiores às pessoas normais por isso não entendem uma ironia.

Os sites de todos os tipos, nacionais e internacionais, imediatamente, replicaram a notícia para o mundo todo: “Bolsonaro acabou com a lava jato”.

É claro que uma notícia como essa não exige qualquer esforço mental para ser compreendida. Não é uma teoria da relatividade, nem uma equação de segundo grau, portanto, passá-la adiante sem verificar as verdades que ela esconde é coisa normal e salvadores do mundo não gastam energia com esse tipo de afirmação.

Os Procuradores, ofendidos, disseram que a fala de Bolsonaro "reforça a percepção sobre a ausência de efetivo comprometimento com o fortalecimento dos mecanismos de combate à corrupção". Citaram ainda que enfrentam "forças poderosas em sentido contrário".

Para os Procuradores o que está dito, está dito e acabou. É um fraco quem diz uma coisa querendo dizer o seu contrário. Não há entendimento nisto tudo. É incompreensível que alguém se expresse dessa maneira e não exalte os feitos da força tarefa. Os Procuradores também estão ocupados em salvar o mundo, portanto não conseguem compreender uma ironia.

Moro saiu de seu caixão, e como Bento Carneiro, o “Vampiro Brasileiro”, tentou sorver umas últimas gotículas de sangue, e disse:

“As tentativas de acabar com a Lava Jato representam a volta da corrupção. É o triunfo da velha política e dos esquemas que destroem o Brasil e fragilizam a economia e a democracia. Esse filme é conhecido. Valerá a pena se transformar em uma criatura do pântano pelo poder?”, afirmou Moro em seu perfil no Twitter.

O ex-juiz não se deu ao trabalho de interpretar o que o Presidente disse. Por que perder tempo com isso? Basta uma olhada simples e tudo está entendido: “Bolsonaro acabou com a lava jato”. Ele mesmo disse. Uma inteligência superior como a de Moro, não se permite objeções, muito menos associações sem sentido. Portanto, o que interessa não é o que disse o Presidente, mas como a mensagem foi entendida por todos aqueles que querem salvar o mundo das pessoas malvadas.

Os “Políticos” de esquerda e os enrustidos também ficaram revoltados:

“Com cinismo e deboche, Bolsonaro diz que acabou com a Lava Jato porque ‘não tem mais corrupção no governo’. A Lava Jato nunca foi contra a corrupção, sempre foi um instrumento para perseguir o PT e levar a direita ao poder. Por isso, Bolsonaro diz isso e nada acontece", escreveu a deputada federal Erika Kokay.

Marota, brutal, maldosa e desprezível, foi essa fala de Bolsonaro. Só uma pessoa que tem um pensamento destrutivo, egoísta é capaz de dizer isso. Quer destruir tudo. Puxar todos para escuridão onde ele vive com seus bolsominions. Uma frase como essa desestabiliza o país.

O peixeiro aqui da esquina de casa, que TRABALHA e vive no Brasil REAL, me disse:

- “Esses caras são idiotas, professor. Todo mundo sabe que o Presidente não tem o poder de acabar com a lava jato. Nem os petistas acabaram, ora, isso é uma leseira sem tamanho desses jornalistas”.
“Ironia, verdadeira liberdade! És tu que me livras da ambição do poder [...] do fanatismo dos reformadores, da superstição deste grande universo, e da admiração de mim mesmo”. ( Proudhon – 1849).

Agora, uma pequena aula com a vara de marmelo na mão:

As figuras de linguagem são recursos de nosso idioma que tornam as mensagens que emitimos mais expressivas e significativas. O estudo faz parte da norma culta da língua. Isso significa que todo sujeito que foi à escola já teve algum contato, através dos professores de língua portuguesa, com esse assunto.

Existem diferentes figuras de linguagem, eis algumas: metáfora, hipérbole, eufemismo, ironia, elipse, zeugma, comparação, metonímia, antítese, paradoxo, prosopopeia, pleonasmo, anáfora, sinestesia, gradação, aliteração, polissíndeto, assíndeto e onomatopeia.

Perceba que não é preciso ser um sábio para utilizar as figuras de linguagem. Todo mundo as usa o tempo todo.

Quando você ouve alguém dizer: -“Essa chuva é um novo diluvio!” A pessoa utilizou uma “hipérbole”, pois ela não falou literalmente, ela não quis dizer que a terra toda foi inundada, mas usou um exagero para esclarecer o quanto chovia, portanto: “hipérbole” = exagero da linguagem.

Quando alguém diz: -“ Meu amigo foi para o céu”, temos um exemplo de “eufemismo”. Essa figura suaviza a linguagem, pois substitui o termo “morreu”, que causa horror, por “foi para o céu”, que suaviza o acontecimento, assim sendo: “eufemismo” = a suavização da linguagem.

Quando você erra e alguém diz: -“Puxa, como você é inteligente!” Aqui temos o uso da “ironia”, pois o autor manifestou o oposto daquilo que ele observou em você, do erro que você cometeu e o associou a sua falta de inteligência para resolver a questão, assim: “ironia” = uso de palavras que são o contrário do que realmente se quer dizer.

Pois é, foi isso que Bolsonaro fez: uma ironia! E ela interpretada corretamente significa que “não existe lava jato investigando coisas erradas em seu governo, nele, ela acabou, pois não há qualquer investigação. Acabou no seu governo, que é criticado todos os dias pela “imprensa maravilhosa” (olha a segunda ironia!), mas continua no resto do Brasil.

Ao final posaram de bobos e produziram a maior “Fake News” de todos os tempos: jornalistas, políticos, analistas, cronistas, e até uma “sumidade” como Moro. Mas não o peixeiro. O peixeiro interpretou tudo corretamente. O peixeiro não quer salvar o mundo. Não diz que é inteligente. Nem que é bom. Só quer trabalhar, viver sua vida e interpretar corretamente o lugar e as coisas do mundo onde está inserido e o que o Presidente diz.

Assim, ofereço aos bobalhões o soneto de Arthur Azevedo:

TERTULIANO, O PASPALHÃO
Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;
.
Lá um dia deixou de andar à malta
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:
.
- Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso?
.
Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: — Juízo!
(Artur Azevedo - São Luís MA 1855-1908)
Foto de Carlos Sampaio

Carlos Sampaio

Professor. Pós-graduação em “Língua Portuguesa com Ênfase em Produção Textual”. Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

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