Aquele que critica, revela-se. Cuidado!

“Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo.” (Sigmund Freud)

Contraponto.


Esse é o papel que faz a água atirada na chama do incêndio. Contraponto.

Não é à toa que a Natureza reúne no mesmo contexto forças opostas. Pode reparar: o bem e o mal, o bom e o ruim, amor e ódio, altruísmo e egoísmo... deixo que você mesmo busque algumas forças opostas que influenciam as decisões, ações, manifestações, deliberações, as observe. Percebe? Estão em toda parte.

Esses conceitos que se opõem são facilmente descritíveis como extremos de uma linha imaginária. Ainda há quem se orgulhe de dizer “eu sou oito ou oitenta”, como se fosse o extremismo alguma vantagem. Não é. Não para mim.

Um dia, quando eu ainda era um ser que agia de modo intuitivo e extremista, uma alma boa doou caridosamente uma chave que serve para abrir a porta de uma busca incessante: a busca pelo equilíbrio. Não, ela não impôs a ‘fórmula’ goela abaixo. A assimilação do conteúdo ofertado deu-se após pontual exposição de que muitos dos percalços que eu vivia eram edificados e colocados diante de mim por força de decisões extremadas. Eram fruto de minhas escolhas e ações.

Na Terra, você pode vasculhar o quanto for, não encontrará perfeição. Aqui não é lugar de tal coisa. Na Terra, perfeição é um conceito que só se vislumbra os contornos na prática quando se coloca em mente a Natureza, a Criação. E só.

A palavra de ordem é ‘ponderação’ (reflexão, meditação).

Quando avaliamos um contexto, circunstância, ação ou seja lá o que for. Convém ser ponderado. A opinião isenta sempre considera todos os pontos de visa, todos os interesses, vantagens e desvantagens, motivações e justificativas.

Uma boa razão para ser ponderado reside na necessidade de ser justo. Sim, se pretende decidir da melhor forma, expor pontos de vista opostos de forma imparcial, o objetivo do bom observador deve ser chegar a uma conclusão útil, porém temporária, deve-se lembrar que um decreto ou sentença são rígidos e definitivos.

A dinâmica da vida, as transformações a que está sujeito o homem e a temporariedade de tudo, exige uma conclusão que deixe aberta a possibilidade da reforma, da reavaliação.

Não há nada que seja todo mal, nem bem que seja perfeito.

A crítica é um exemplo desse tipo de avaliação que fazemos o tempo todo. É o exercício da emissão de juízo e a necessidade de publicar opinião. Isso faz parte da vida em sociedade.

Nós publicamos nossas preferências e opiniões, no fundo no fundo, para podermos nos classificar e encontrar na vasta coletividade, um subgrupo de seres semelhantes com os quais possamos nos unir a fim de somar forças.

Somos seres sociais, ok.

Mas quando damos as costas para algum ou alguns dos aspectos do que julgamos cometemos o crime da parcialidade, sem perceber direito, colocamos uma armadilha pra nós mesmo. Em tudo há vantagens e desvantagens, em todos há vícios e virtudes. Tudo há de ser considerado pra que não se caia na hipocrisia ao emitir juízo.

A convulsão política gera comoção social.

A Justiça traz à luz e comprova fatos nauseantes da gestão do patrimônio e interesses públicos. Gestores eleitos para que zelassem pela multiplicação da riqueza pública, da garantia dos direitos constitucionais lançam mão do poder que lhes foi confiado para defender os próprios interesses. Em verdade, tudo isso já era do conhecimento de todos nós.

Chamo a atenção de todos para o fato de que nada é tão ruim que não possa piorar.

Precisamos fazer um esforço (descomunal, bem verdade) para manter a calma e expressar com alguma responsabilidade a indignação. De que adianta jogar gasolina na fogueira? O humor empresta a amarga tarefa da análise e crítica aos nossos algozes algum estímulo e leveza.

É preciso arrefecer os juízos.

Isto não impele jamais afrouxar o cerco, amolecer com a canalhada. Mas tornar o discurso, o seu, o deles e o meu, mais eficaz. Como se faz isso? Comece ponderando. Reflita, pense amplamente, considere o ontem, o hoje e principalmente o futuro.

Meu avô materno, Ruy da Costa Antunes, mestre querido e amado, foi jurista de talento reconhecido. Homem eloquente que dominava a arte de se expressar.

Meu avô falava baixo, pausado. Sabia que o quanto mais seu interlocutor compreendesse sua mensagem, mais vantagem ele poderia tirar da conversa.

Certificava-se de que tudo ficava bem compreendido e quanto mais dura a reprimenda, mais baixo ele falava (exigindo que se redobrasse a atenção) e mais polido ele era. Nunca o vi perder a razão, nunca vi falar alto, nunca o vi perder a calma.

É essa a lição que, depois de muito ponderar, vim compartilhar com todos vocês. Tenham calma ao se expressar. Vamos primar para garantir o impacto de nossa manifestação pela qualidade do que dizemos, e não pelo estrago feito por uma tijolada. Já vivemos clima e ambiência de terra-acabada.

Vamos tentar manter o mais alto nível possível numa luta que tem tudo pra ser ganha como dignidade, pra que possamos um dia nos abraçar orgulhosos do feito, sem traço de remorso ou culpa.

Nós merecemos isso.

João Henrique de Miranda Sá
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João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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