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A questão aqui não é o estupro ou o tráfico, mas o vacilo da justiça

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Duas notícias agitaram os bastidores da guerrinha ideológica da esquerda contra a direita, neste final de semana.

A primeira traz a contratação do atacante Robinho, pelo Santos Futebol Clube. Uma volta quase simbólica, considerando que aos 36 anos, a prata da casa da Vila Belmiro, ruma à aposentadoria. O fato que mexe com a opinião pública, entretanto, é a acusação de estupro que pesa contra o atleta.

Em 2013, na Itália, onde defendia o clube do Milan, Robinho teria, junto com outros quatro homens, incluindo o colega de clube Ricardo Falco, praticado a violência contra uma mulher, imigrante de origem albanesa, que vivia em Milão.

Segundo a advogada dele, Marisa Alija, a condenação a 9 anos de prisão de fato ocorreu na primeira instância da justiça italiana, em 2017, mas não houve pedido de prisão e ainda há mais três instâncias para recurso, até que se esgote a presunção de inocência.

O agito das redes, claro, partiu das feministas, principalmente porque o anúncio veio justamente no Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. E a gritaria, obviamente, foi alimentada de todas as formas pela grande mídia lacradora.

Os que ousaram defender o jogador, ainda que com argumentos coerentes sobre o que determina a lei, o respeito à tramitação na justiça e inconsistências nas acusações, e até mesmo os que apontaram a culpa do atleta, mas alegaram que ele tem o direito de defesa e prosseguir trabalhando até que venha a ser preso, logo ganharam o carimbo padrão: “machistas, fascistas, estupradores, seguidores do bozo, e por aí vai”.

Mas onde está, de fato, o erro em toda esta polêmica. Na justiça. Isso mesmo, no “modus operandi” da justiça, que adora deixar brechas e cometer erros, senão por incapacidade técnica, mas ainda pela pressão e a vigilância ideológica que estes tipo de casos sofrem. Pois toda a investigação da polícia italiana, após a acusação formal da vítima, foi literalmente “levada nas coxas”.

Apesar da afirmação de que Robinho estava no grupo que praticou o crime, algumas testemunhas não conseguiram confirmar, tanto que apenas Falco foi identificado oficialmente, e os outros três envolvidos tiveram as acusações arquivadas. O que se sabe é que ele estava no local com sua esposa, participou de um jantar com várias pessoas, entre elas a vítima e depois levou a esposa para casa. As imagens das câmeras de segurança do local comprovam estas informações, mas não mostram o atleta voltando para a cena do crime.

A vítima afirmou que foi embebedada antes do ato, para que não pudesse reagir, mas não houve laudo comprobatório e, enfim, o processo e respectivo julgamento se arrastou até 2017, quando uma das juízas do caso afirmou que não havia provas, mas levou em consideração, para condenar o acusado, o estado emocional da vítima e a análise da troca de mensagens entre Robinho e seu companheiro de clube, que denotariam falta de escrúpulos e desprezo pela condição dela. A juíza italiana reconheceu em uma sentença de 28 páginas que condenou o jogador com base em uma “análise de caráter”.

Ora, não estou aqui para defender Robinho, jogador que conheço apenas de passagem, do período em que atuei como repórter esportivo.

Em seu início de carreira, até cheguei a acompanhar a rotina de treinos e jogos do time da Vila Belmiro, mas não troquei palavras, além de breves perguntas em entrevistas coletivas, portanto, sem ter vínculo de amizade.

Considero, aliás, que ao final da tramitação dos recursos ou após uma eventual condenação em segunda instância, que se cumpra a determinação e o jogador seja extraditado e encarcerado pelo período da pena. Ou não foi exatamente isso que cobramos no caso de Cesare Battisti?

A outra “mancada” judicial que assistimos de camarote neste final de semana vem, pra variar, do nosso Supremo Tribunal Federal. O fato começa com o habeas corpus inexplicável do ministro Marco Aurélio Mello em favor do traficante André do Rap.

Preso desde setembro do ano passado e condenado a quase 16 anos de prisão, o bandido apontado como chefe do PCC, maior facção criminosa de São Paulo, ganhou o direito de permanecer em prisão domiciliar em sua mansão na cidade do Guarujá, no litoral paulista, causando indignação da população, que questionou a decisão do ministro nas redes sociais.

Afinal, ainda que a condenação seja em primeira instância, as acusações e provas se acumulam e há ainda a preocupação em relação à periculosidade do recém-libertado (mas faço questão de lembrar aqui que não houve uma única linha dos lacradores ideológicos questionando a soltura de André do Rap, afinal muitos deles, aqui representados por Márcia Tiburi, são a favor do assalto e da prática de crimes como ferramenta de reequilíbrio social).

No final das contas, em resposta à voz das ruas, o presidente do STF, Luiz Fux corrigiu a ação de Mello e expediu nova ordem de prisão com cumprimento imediato.

E qual não foi a surpresa (não para mim) ao perceberem que André do Rap não estava em sua humilde moradia de frente para o mar. Pois o bandido, que diria, sem qualquer vigilância, foi da prisão para o aeroporto onde pegou um jatinho particular e sumiu do mapa. Está foragido!

Marco Aurélio, creio que para disfarçar a vergonha, veio a público neste domingo (11) e lamentou a determinação de Fux afirmando que não sabia que "havia ministro superior ao outro no Supremo". Mello não satisfeito e, pelo jeito, sem ninguém para aconselhá-lo a ficar quieto, disse ainda que o colega "jogou para a turba". Pois nós, cidadãos brasileiros que pagamos impostos e lutamos diariamente para sobreviver dignamente “somos a turba”, ilustríssimo Marco Aurélio. E temos convicção de que cometeu um erro grosseiro. A história de André do Rap está aí para contar ... ele, não mais!

Por isso, encerro repetindo o título do artigo, com comentários: a questão aqui não é o estupro (que repudiamos e exigimos que os culpados sejam punidos) e nem o tráfico (que exigimos que se combata e se puna exemplarmente os que praticam), mas o vacilo da justiça (que parece não saber quem, quando e como deve mandar prender ou soltar e, principalmente, se deixa influenciar, vergonhosamente, pela ideologia dos lacradores de esquerda).

Vergonha!

Mário Abrahão. Jornalista, trabalha com produção de textos, rádio e televisão desde 1996. Pós-graduando em Ciência Política e em Gestão de Comunicação e Mídias Digitais, foi repórter setorista, em Brasília, desde junho de 2011 até o final de 2019. Reside agora em Jundiaí-SP, onde se especializa e prepara novos projetos de comunicação, com foco na política da região.

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