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Lula virou um estorvo para a esquerda brasileira

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Lula não é o presidente do PT, mas age como tal.

Enquanto setores importantes do partido queriam que o PT abrisse mão de candidaturas em capitais e grandes municípios, apoiando ou participando como candidatos a vice em coligações com legendas de esquerda, como o PSB, o PDT e o PSOL, Lula foi contra a ideia.

Segundo informações, a prioridade de Lula nas eleições municipais de 2020 sequer seria eleger algum de seus candidatos, mas lançar o maior número possível de candidatos à prefeito, com o intuito de defender o ‘legado’ da sigla, assim como a ‘biografia’ e os feitos de seu líder, além de utilizar o espaço eleitoral para criticar o governo federal.

Apesar de ser uma estratégia para tentar recuperar a imagem do ex-presidente, a tática não tem causado o efeito desejado e, como efeito colateral, gerou revolta dentro do próprio partido, onde muitos já consideram o afastamento de Lula da vida política como solução para o mau momento que o PT vive.

“O Lula hoje é o nosso caudilho. Nenhuma decisão das alianças políticas passa sem a autorização dele. É uma subserviência total. O PT é governado quase que por um papa. Enquanto isso continuar assim, as derrotas continuarão no horizonte”, diz um integrante do partido que preferiu não ter o nome divulgado.

Há cerca de dois meses, Lula reuniu-se com Ciro Gomes, encontro que só foi divulgado recentemente.

O assunto teria sido uma possível aliança entre os dois políticos de esquerda para as eleições de 2022, visando uma chapa mais forte para fazer oposição ao presidente Jair Bolsonaro. Porém, segundo os próprios partidários, essa é uma possibilidade quase nula, visto que seria necessário Lula abrir mão da cabeça da chapa, concorrendo como vice de Ciro, o que seus próprios colegas acham impossível, já que o ex-presidente não estaria disposto a abrir mão do protagonismo em qualquer situação, muito menos em uma eleição presidencial.

O detalhe é que o próprio Ciro, totalmente desgasrado, parece ser outro estorvo.

De quelauer forma, esse posicionamento exclusivista de Lula, que acaba sendo seguido pelo partido, acaba gerando revolta, também, nos líderes dos demais partidos de esquerda, que enxergam nesse egoísmo um descaso em prol de um egocentrismo partidário.

“A posição do PT sempre foi de exclusivismo. Nestes anos de democracia, nos momentos cruciais, o PT não ficou com o país, ficou com ele próprio e com as suas conveniências”, afirma Carlos Siqueira, presidente do PSB. “Há uma visão autoritária e exclusivista que acha que só o PT pode ser o representante da esquerda, que acha que fora da igreja não há salvação. Que igreja é essa?”, pergunta Siqueira.

Outros líderes defendem que Lula abra mão da candidatura à presidência para apoiar outro candidato de esquerda.

“Seria um gesto de extrema grandeza”, afirma Carlos Lupi, presidente do PDT. Ele, no entanto, não acredita nessa possibilidade. “Acho pouquíssimo provável o PT apoiar alguém que não seja um deles. Eu não luto mais. Já vieram me dizer que eu estou dividindo. Eu não estou dividindo nada, estou constatando. Se houve alguma eleição em que eles apoiaram alguém de outro partido em alguma cidade importante do planeta, me fala”, diz Lupi.

Apesar de ser ainda um político popular em alguns nichos, Lula é um ex-presidiário, condenado a 26 anos de prisão, articulador e beneficiário de um dos maiores esquemas de corrupção já descobertos em nosso país. Isso não será esquecido facilmente pelos eleitores. Basta lembrar a repercussão que tiveram suas visitas ao Rio Grande do Sul após sair da cadeia, em 2018. Foi recebido com vaias e xingamentos em Bagé, Santana do Livramento, São Borja e Santa Maria.

Apesar de toda a assessoria jurídica e dos recursos que podem até anular os processos contra o ex-presidente, os crimes revelados na Operação Lava-Jato não desaparecerão. As consequências podem não ser jurídicas, mas com certeza as consequências políticas já estão acontecendo.

Para muitos, o tempo de Lula já acabou. Só falta ele mesmo perceber.

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Fonte: Revista Veja

da Redação
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