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Ideias mínimas para as eleições municipais

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Sou defensor público e a ética me impede de tomar atitudes político-partidárias. Conquanto isso deva ser obedecido, obviamente, tal imperativo não me desautoriza a adentrar na cerne cultural de assuntos políticos. Aliás, é praticamente no imaginário cultural popular que as ideias têm que ser plantadas ou regadas, eliminadas e destruídas.É na guarda vigiada de direitos e liberdades fundamentais que arregaço as mangas e onde ponho o coração.

Existem muitos eleitores indecisos nestas eleições municipais no próximo dia 15. Aliás, nada de novidade em relação a eleições passadas e sempre será desta forma para as futuras. Digamos que existe um certo ceticismo com relação aos candidatos e suas promessas políticas; ceticismo ou uma certa forma cartesiana de olhar politicamente a vida ou o exercício do sufrágio. Estão mais do que certos os que assim se conduzem.

A política da prudência começa com a escolha do candidato que vai decidir os caminhos do mundo. Com a mente em Descartes, creiamos em seu método de resolver os dilemas de pedacinhos em pedacinhos e não em Pirro, o pai do ceticismo absoluto, que nada crê. Acima de tudo, estejamos sempre com o coração em Edmund Burke, que nos lembrou da prudência como forma de manter as valiosas e necessárias conquistas que temos; em resumo, um certo ceticismo equilibrado e relativo, um pessimismo absoluto em relação a promessas incumpríveis e uma dose predominante de confiança no seu voto e em quem foi o candidato escolhido.

No Brasil, juridicamente falando, o voto não é obrigatório, podendo o eleitor votar em algum candidato, votar em branco ou anular o seu voto. Pode até justificar o seu voto se não estiver em seu local de votação. A obrigação político-jurídico-cidadã é pelo comparecimento. De outro lado, acredito que a obrigatoriedade de votação é mais cultural. Veja se você se sente à vontade para falar que votou e branco ou anulou seu voto.

Caiu o Muro de Berlim fez 31 anos, mas ainda existem muros de polarização cada vez mais invisíveis dentro de nossa cultura gramsciana. A cegueira por ela causada é o principal ponto a ser estudado, verificado e eliminado das mentes cauterizadas. Pouco adianta falar em política se a moral e a cultura mal caminham com as muletas econômicas de Karl Marx e ideais de Antonio Gramsci.

Como tudo em moral, não existem fórmulas mágicas. Eu tenho um critério fixo e bastante claro na escolha. Sempre olho certos graus de tonalidades de certos candidatos. Quanto mais eles se aproximam de uma certa cor avermelhada pura ou misturada eu já descarto. Afinal de contas, restrições de liberdades e quase 140 milhões de cadáveres de opositores, para mim, já é um grande sinal indicativo de que devo me abster e, indo além, lutar para que a consciência coletiva siga o meu exemplo. O perigo vermelho sempre anda perto, acendendo nossa consciência da sensatez e a vigilância que devem nos guiar. A busca por utopias ou pelo cumprimento delas ainda não está longe de acabar. O ser humano busca sempre a maior felicidade, mesmo que hoje restrições e mortes pareçam uma distante crença numa fantasia inimaginável, é sempre necessário exercer a vigilância constante.

Não se deixe ludibriar pelo falsa imagem do progresso; mesmo que não dê para voltar a um passado mais ou menos distante (e isso não é mesmo aconselhável), pense no seu filho e nas futuras gerações. O que é pintado por intelectuais engenheiros do bem, por jornalistas braçais desta obra futurista que dá pinta de salvação, redenção e felicidade, por operários disfarçados de atores nobres e bons mocinhos, termina em uma obra não perfeitamente acabada, um ser humano desviado de sua natureza; termina em coisas inumanas, num desconhecido humano-deus. Lembre-se da ideologia de gênero, que, graças ao bom Deus, não foi a julgamento no último dia 11 no Supremo Tribunal Federal.

O desprezo das urnas a candidatos que queiram nos levar para um certo estado natural hobbesiano, com a falsa, ou criminosa, e velada promessa de que num futuro próximo ou distante todos teremos direito a tudo, não importando o que sejam estes direitos, parece ser um dos imperativos categóricos do presente momento eleitoral para conservadores e liberais. Candidatos frívolos como esses devem ser eliminados da lista que devemos levar para a cabine de votação. Aliás, aquela promessa utópica já vem sendo implementada na cultura já não vem de hoje, e o que este candidato revela estar prometendo é apenas a continuação desse estado de coisas incultas e destrutivas. Mas, para surpresa de muitos, o candidato é que deve ser trocado, não a ideologia, que, pasmem, continua bela e maravilhosa como sempre.

Camisetas de partidos comunistas e seus ideólogos, datas comemorativas para celebridades do mundo das fantasias vermelhas, são apenas alguns exemplos claros de que os quase 140 milhões de mortes não significam nada para a mente revolucionária.

O amor ao próximo não pode ir tão longe assim, ser capaz de vilipendiar liberdade, igualdade e propriedade do indivíduo. É preciso amar sim o próximo na literalidade deste mandamento, não alguma abstração longe como a humanidade.

Sérgio Mello. Defensor Público no Estado de Santa Catarina.

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