O PT está morto, mas o seu cadáver permanece insepulto

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Há uma máxima que diz que só se destrói aquilo que se substitui. Desde as manifestações de 2013, o petismo vem sendo o grande antagonista da direita emergente. Isso teve um enorme efeito prático, fez com que a presidente Dilma sofresse um impeachment em seu segundo mandato em 2016 e Jair Bolsonaro derrotasse Fernando Haddad em 2018.

Além disso, o Brasil viu o ex-presidente Lula ser preso como resultado das investigações da Operação Lava-jato e, em 2020, o PT não conquistou nenhuma prefeitura de capital pela primeira vez desde a sua fundação.

É notório que o Partido dos Trabalhadores perdeu a hegemonia que tinha no campo da esquerda. O PSOL conquistou a sua primeira prefeitura de capital em Belém do Pará e avançou muito nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. O PDT mantém uma grande força no Ceará, no Amapá e em Aracajú (SE). Já o PSB continua dominando o Recife e o estado de Pernambuco, além de Maceió (AL) e do governo da Paraíba. Já o PCdoB detém o governo do Maranhão.

O PT ainda mantém resquícios de poder que podem possibilitar que o partido esteja entre os protagonistas da esquerda por muitas décadas, mas não com a força de outrora. Os petistas ainda dominam os estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. Além disso, o PT ainda é o partido com o maior número de deputados na Câmara Federal, totalizando 54, o que garante uma grande fatia fundo partidário e eleitoral.

Porém, o PT carece de novos nomes e não conseguiu se renovar. Seu líder máximo, o ex-presidente Lula, já está praticamente aposentado da política devido à idade e não tem mais a popularidade de outros tempos. Além disso, ironicamente, o partido que surgiu como paladino da ética está completamente desgastado devido aos escândalos de corrupção.

Mas o elefante ainda está no meio da sala e a direita não sabe o que fazer com ele. A esquerda já se livrou do PT e formou uma nova coalizão de partidos socialistas e comunistas, principalmente entre o PDT, PSB, PSOL e PCdoB. Já a direita ainda não acordou para essa situação e continua tendo o anti-petismo como principal elemento de união e objetivo último. Isso precisa acabar!

A esquerda está se renovando, está se reinventando e ressurgindo com uma roupagem menos desgastada. Chegou a hora da direita olhar adiante, o perigo ainda está vivo nos demais partidos de esquerda e no aparelhamento das universidades, das escolas, do judiciário, das instituições e da mídia.

Diego Lagedo. Formado em História, pós-graduado em Gestão Pública e graduando em Direito. Militante conservador do Recife. Foi consultor da UNESCO e é editor do site Pernambuco em Pauta.

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