Ataques racistas contra prefeita eleita, negra e conservadora, vieram de homem negro

03/12/2020 às 18:26 Ler na área do assinante

No último domingo (29), logo após a divulgação dos resultados do segundo turno das eleições municipais, Suéllen Rosim (Patriotas), sofreu um ataque racista via postagem na rede social Facebook.

Suéllem, que acabara de ser eleita prefeita de Bauru (SP), mal teve tempo de comemorar a vitória, e já teve que lidar com comentários absurdos e racistas, além de ameaças:

“Sua aberração. Macaca fedorenta, cabelo ninho de mafagafos, cara de favelada!!! Enquanto você ganha um salário de PREFEITA apenas por seu uma macaca, eu estou desempregado, minha esposa está com câncer de mama e vivendo do auxílio emergencial. Eu juro, mas eu juro que vou comprar uma pistola 9 mm no Morro do Engenho aqui no Rio de Janeiro e uma passagem só de ida pra Bauru e vou te matar. Eu já tenho todos os seus dados e vou aparecer aí na sua casa”, diz uma das publicações.

A boa notícia, se é que pode haver alguma em uma situação como essa, é que o responsável por pelo menos uma das publicações ofensivas já foi identificado.

Por incrível que pareça, ele é um homem negro de 37 anos, que foi identificado, qualificado e interrogado pela Polícia Civil, mas não teve o nome revelado. Ele usou um perfil falso para escrever que Bauru “não merecia ter essa prefeita de cor com cara de favelada comandando a nossa cidade”.

Segundo o delegado Eduardo Herrera, que investiga o caso, o homem disse, durante o interrogatório, que o objetivo da publicação era fazer com que pessoas de um grupo do Facebook publicassem ofensas similares para mostrar que elas são racistas.

O homem identificado, apesar de admitir publicar ofensas e comentários racistas, diz não ter sido o autor da ameaça.

O delegado Herrera disse ainda não ser possível ligar o autor da mensagem ofensiva à ameaça de morte, mas acredita ser importante identificar o responsável:

“A identificação do autor, para nós, é importante, é a espinha dorsal de tudo. A partir dele houve outras ações, os chamados efeitos colaterais. Acreditamos que, se não tivesse existido essa mensagem, outras depois não apareceriam”.

Já a prefeita eleita para o mandato que inicia em 2021, Suéllen, declarou que acredita que a motivação para a mensagem foi intimidação:

“A mensagem é pesada, é uma tentativa de desestruturar mesmo, mas não vão conseguir."

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Fonte: Folha de S. Paulo

da Redação
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