Mártires para quê? Seja você o herói de sua família

Em 21 de abril de 1792 foi executado devido às suas convicções políticas e trabalho social, um cidadão mineiro chamado Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.


A vida em sociedade é um grande constructo. Estabelece-se uma rede de relacionamentos de naturezas diversas, sejam elas sociais, profissionais ou afetivas, toda relação é baseada em afinidade.

A beleza das relações está justamente no fato de que cada indivíduo traz em si necessidades particulares. Cada um de nós determina e atribui valor às suas prioridades de acordo com suas convicções, credos, anseios e no(s) projeto(s) por meio do qual pretende alcançar seus objetivos.

A sociedade não passa de uma grande rede de interesses.

A civilização teve início quando o homem deixou de ser nômade ao dominar algumas culturas, desenvolveu meios de armazenar produção, e alguns deles se especializaram, o extrativismo puro e simples deu lugar à produção racional: uns dedicavam-se à culturas diversas, outros a criação de animais.

A produção, mesmo que incipiente e rudimentar, deu origem ao escambo, mercado baseado na troca, a nossa velha e boa permuta. Locais mais ou menos equidistantes para diversos produtores de uma região, nascia ali os mercados e deles as primeiras cidades.

Àquela época a sociedade engatinhava e vivia a essência das relações, que naturalmente era baseada na colaboração mutua.

Em algum lugar perdemos o fio da meada.

Infelizmente, tal e qual o indivíduo que perde a capacidade de brincar e partilhar, perde a pureza da infância, numa espécie de cegueira ambiciosa que quase todo adulto padece ao ambicionar bens e poder, atribuindo às coisas valor de riqueza.

Tanto o indivíduo que ambiciona apenas coisas, a sociedade composta por gente assim também desvirtua-se de sua essência, lembra? Colaboração mutua... pois é, a esta altura do campeonato este papo pode até soar piegas, romântico ou mesmo “coisa de otário”.

Mas não se trata de um artigo moralista ou que traga pretenda promover autoajuda, longe disso.

Hoje, dia de Tiradentes, a argumentação acima serve para embasar a reflexão que sugiro baseado em algumas perguntas que me faço com frequência:

Onde foi (na história) que perdemos contato com o sentido de unidade?

Por que precisamos de mártires?

Você imagina o que sente a família do mártir que te orgulha? 

Como poderíamos viabilizar uma reestruturação da sociedade a fim de devolver a ela a organização em que todos busquem seus objetivos em comunhão e respeito aos interesses alheios?

Seria isto possível?

Como fazer?

A vida me ensinou que quando o assunto são os males ou vícios da sociedade, a resposta e uma solução concreta reside na transformação do indivíduo.

Aprendi que a causa de todos os males reside na vaidade e no orgulho.

Tenho fé de que o dia em que cada indivíduo, a fim de transformar a sociedade, voltar-se pra si disposto a enxergar seus defeitos e trabalhar em sua supressão ou substituição gradual por uma virtude, nunca mais haverá um só mártir. 

Seja você o mártir de si mesmo. Presenteie sua família com um herói.

Por uma sociedade repleta de heróis anônimos, desejo a todos um bom feriado. 

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo

Jhmirandasa1931@outlook.com

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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