A ponte e o mar

As fotos do acidente com a ciclovia da Avenida Niemeyer na orla do mar, mostram as vigas de suporte do tabuleiro intactas. Os cálculos estruturais se preocupam com a capacidade das vigas de suportarem as intempéries, no caso as ondas, e o peso do tabuleiro. Por si e quando carregadas pelos veículos transitando por esse.

A tecnologia é de preparação do tabuleiro no canteiro da obra e seu assentamento sobre as vigas. Tudo em concreto e sem amarração. Essa seria desnecessária, uma vez que se prevê, a partir do projeto, o encaixe perfeito do tabuleiro sobre as vigas. E a segurança pela lei da gravidade. É o próprio peso que garante a estabilidade.
Aparentemente as forças das ondas levantaram o tabuleiro e que caiu inteiro, como se fosse um papel ou uma tampa  de isopor. O peso do tabuleiro, que não temos aqui, mas é considerável, não "foi páreo" para as ondas. 
Não houve desabamento, no sentido clássico. Simplesmente as ondas levantaram o tabuleiro tirando-o do lugar. E não foi um simples deslocamento. Levantou-o por inteiro e jogou ao precipício no refluxo. 
Ocorrido o acidente logo surgiram interpretações sobre erro de projeto ou de construção. Os projetistas - num primeiro momento - argumentam que não há registro nos últimos anos, cem ou mais anos, de ondas tão fortes como as que ocorreram no dia 21 de abril de 2016. 
A avaliação dos riscos é feita pelos chamados períodos de recorrência e esses, provavelmente, não indicaram tamanho furor das ondas no local. O que pode ter acontecido é que exatamente no local, que é onde está Gruta da Imprensa, não tenha sido feita a medição. 
A empresa construtora é tradicional e a principal empresa nacional especializada em obras em encostas, inclusive costões junto ao mar. Ela não soube se defender e deixou difundir informações equivocadas e referencia a parentescos que nada tem a ver com a sua contratação. 
Mas, sem dúvida, há fatores adicionais aos técnicos.  E um deles é bem conhecido. A contratação de engenharia pelo menor preço.  Mas não é o que interessa à mídia e à sociedade. Que continuam na ilusão de que tudo deve ser comprado pelo menor preço, independentemente da qualidade.   
O que provavelmente irá se constatar é que não havia amarração do tabuleiro às vigas. E a discussão será se deveria ou não ser prevista uma  amarração. 
Como sempre discutir a colocação da fechadura de segurança após a porta ter sido arrombada com facilidade. 
E emergirão outras questões, inclusive teorias conspiratórias.  

Jorge Hori

 

Jorge Hori

Articulista

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