O desperdício do direito à vida

Ore pelos retardatários

Nós, seres humanos, compartilhamos, grosso modo, da mesma dinâmica de aprendizado e transformação. Seja lá como for, é o crescimento de cada indivíduo um passinho na evolução da espécie.


Assim como há indivíduos que assimilam com muita facilidade as lições que as provas da vida lhe ofertam, há também aquelas figuras estacionárias, pessoas que são impermeáveis ao conhecimento fruto da experiência, cada um com seu porquê.

O direito à vida é a meu ver o maior bem que um ser humano conquista. Trata-se de uma concessão divina muito rara e breve. A vida tem a duração do brilho de uma fagulha, de um piscar de olhos... de um estrondo que assusta.

Já não sou mais menino e a vida me deu quantidade imensa de sinais e demonstrações de que eu conto com a indulgência (no sentido kardecista) de quem comigo convive. E estou aprendendo a ser indulgente também. Fica para trás o velho hábito de julgar e crucificar todos aqueles que diferente de mim se comportam.

O escabroso caso de pedofilia envolvendo parlamentares e empresários da Capital Morena, nos cobrem de vergonha e tristeza.

Parceiros de orgia foram delatados por outros, igualmente asquerosos, como por exemplo, Robson Martins.

Eles fazem parte de um grupo de pessoas que faliram até aqui, na missão a que se propuseram, tanto diante de Deus, quanto das pessoas que através do voto, confiaram-lhes mandato.

Observem que os denunciados caíram numa armadilha elaborada por outros criminosos que para tanto, aliciaram e agenciaram as menores para os pedófilos.

Essa é uma história recheada de fatos nauseantes.

O então presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, um tal Mario Cesar, um (Zé) carioca que não se sabe como e nem porque veio importunar nossa sociedade, chegou a atribuir às menores a responsabilidade sobre o ato sexual criminoso. Segundo o despudorado vereador o criminoso fora “induzido” pelas menores ao crime já que estas “se ofereciam”. (pausa pra vomitar).

Não resta dúvida de que a conduta desses senhores é nojenta. Há justiça, assim na Terra como no Céu, disto tenho certeza.

É essa consciência que me deixa tranquilo e até permite que eu não sofra tanto com os detalhes sórdidos que são divulgados desse e doutros casos vis.

Chamo a atenção de todos para o fato da importância de conhecer a história daqueles que se propõem à representação popular.

Excepcionalmente vou contar um caso aqui, para mero efeito ilustrativo. Não costumo citar pessoas outras em qualquer escrito meu, neste caso a utilidade fala mais alto:

Conheci Robson Martins no mais profundo porão do submundo em que eu buscava “diversão” na juventude, àquela época era conhecido como “Biu”. Não, eu também não era “flor que se cheirasse”, mas venho bebendo com sede cada lição que a vida me dá. Principalmente as mais amargas.

Certa ocasião ele invadiu uma festa que meu pai oferecia aos seus alunos, e imediatamente passou a causar problemas.  “Biu” passou a importunar as mulheres com gracejos, comportou-se como de fato é, um delinquente, e foi convidado a se retirar.

O nobre futuro vereador da Capital então reagiu. Sacou de uma faca e fora prontamente dominado, tomou uns sopapos, imobilizado e arrastado até a rua. Lá, ouviu de alguém que nem precisava se dar esse trabalho, que tinha ele “sorte de não virar bainha da própria faca” e pode ver bem de perto a arma ser toda quebrada bem pertinho dos seus olhos.

A vida deu a “Biu” uma grande lição naquela noite de festa.

Apesar de ter sido uma situação difícil, poderia “Biu”, se tivesse assimilado a mensagem nas entrelinhas, mudado de conduta e a direção que daria a sua vida. Mas tudo indica que aquela situação de nada lhe serviu. A história nos mostra que “Biu” optou por continuar a delinquir.

Não importa em que âmbito da sociedade o delinquente age.

A qualidade do caráter das pessoas, nada tem a ver com a classe social em que nasceram, cresceram ou estão agora. Caráter é condição humana que revela o quanto já se aprendeu.

Não me cabe julgar o mérito ou o crime desses delinquentes que hoje ocupam cargos no legislativo municipal. Lembra-se da observação feita parágrafos acima acerca da Justiça? É, fico tranquilo porque sei que a Justiça será feita, seja na Terra, seja no Céu.

Este é mais um artigo que dedico a todos com o objetivo de estimular a reflexão. Não pretendo julgar as pessoas ou seus crimes, apenas mostrar como é importante observar a jornada de quem se oferece para nos representar. 

Peço preces pelas vítimas de cada parlamentar de conduta delinquente. Peço preces por eles também. 

Que seus exemplos nos sirvam nem que seja para indicar um caminho a não seguir. 

Sobre tudo na vida repousam dois mantos: o da negatividade e o da positividade. 

Vamos dar utilidade ao mau exemplo dessa gente. 

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo

jhmirandasa1931@outlook.com

João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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