Lira põe a "sala de imprensa" no sub solo do Congresso e esquerda "pira" alegando "fratura na democracia"

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O novo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), decidiu utilizar a sala dos jornalistas que trabalham na Casa como seu gabinete pessoal no plenário, onde poderá adentrar o salão diretamente e, desta forma, transferiu a imprensa para o subsolo do prédio.

A ordem foi comunicada pelo diretor-geral, Sérgio Camargo, nesta segunda-feira (8), e não foi bem aceita pela base opositora ao governo. Mas, a deputada Soraya Santos (PL-RJ), que já exerceu o cargo de primeira-secretária da Mesa Diretora, afirma que está em curso um projeto para alterar a estrutura física da Casa.

“Com certeza, onde está hoje o Comitê de Imprensa, se fosse eu a presidente, seria a sala do presidente. Não por cerceamento (da imprensa), mas não pode um presidente, quando ele precisar fazer uma reunião com os seus líderes, quando ele precisar se dirigir ao Congresso, ele ter de atravessar o Salão Verde. Temos de otimizar o tempo”, defendeu.

Talíria Petrone (RJ), líder da bancada do PSOL na Casa, divagou sobre as razões da mudança de salas e afirmou que se trata de uma “fratura na democracia” da Câmara.

“Precisamos garantir todas as condições para os profissionais da imprensa terem o acesso mais amplo o possível aos parlamentares e ao que é discutido no Plenário, para o conjunto da sociedade participar”, disse.

Alheia ao “disse-me-disse” e cotada para ser a próxima Secretária de Comunicação da Câmara, Carla Zambelli (PSL-SP) defendeu a alteração e disse que Arthur Lira não comentará “cada notícia da República”, até para evitar atritos com outros Poderes.

“Mas eu não acho que ele faça a mudança do Comitê de Imprensa só por isso. Deve ter também uma questão logística. Não acho que seja para evitar a imprensa, necessariamente”, argumentou.

Esta não é a primeira vez que um presidente da Câmara tenta retirar a imprensa do local. Nas gestões de Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) o assunto bem que chegou a ser cogitado, mas não foi pra frente.

Em nota, Lira disse que a mudança “em nada vai interferir na circulação da imprensa, que continuará tendo acesso livre a todas as dependências, como o cafezinho, o plenário, os corredores, os salões e a própria presidência”.

E completou:

“O objetivo da alteração é aproximar o presidente dos deputados, como eu falei em toda a minha campanha”, diz o texto.

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Fonte: Estadão

da Redação
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