Dia das Mães: por mundo melhor...

Testemunhamos, todos nós, os desdobramentos da mais grave crise de natureza moral já vivida pelos brasileiros. Muitas pessoas ainda acreditam que a crise que se abate sobre nós é natureza política ou financeira. Acreditar nisso seria como atribuir a um sintoma de uma doença qualquer, a condição de mal em si. 

Tudo na vida, sem exceções, respeita e responde à lei natural de causa e efeito. Acredito que não haja, nem na vida de um indivíduo, nem no âmbito das coletividades, efeito sem causa. Muitas vezes há dificuldade de entender o que se passa, noutras a dificuldade reside em admitir algo. Isso pouco importa aqui. 

O que vim fazer hoje, 08 de maio de 2016, Dia das Mães, é justamente ser o chato da festa (o que já está se tornando uma rotina). 

Acho bonito que só, de um lado, ver pessoas comuns e celebridades instantâneas fazerem um esforço danado para homenagear suas velhas. 

É comovente ver que chegam até a conceder às suas mães, inclusive o privilégio de figurar em seus perfis nas redes sociais, e mais: submetem o fotinho a um aplicativo que estampa no instantâneo os dizeres “I Love MOM”. Own! Só amando muito para fazer uma concessão dessas. Parabéns! 

A real mesmo é que aquela crise moral que se abateu sobre a sociedade e se manifesta mais salientemente na gestão pública, se abate também sobre os estados, cidades, bairros quarteirões e unidades familiares e em muitos indivíduos que habitam cada residência em todo o território nacional. 

É muito comum hoje que os velhos trabalhem feito burros de carga para marmanjos que acreditam que o mundo está ao seu redor para servi-los. Gente absolutamente desprovida de ambição, gana e vontade para o trabalho e de desconfiômetro. Muitos chegam aos quarenta, cinquenta anos vivendo de mesada. É... Foi ruim ler isso? Pois é. 

Essa crise política e financeira que vivemos é fruto da crise moral que começa a ser edificada na intimidade de cada lar brasileiro. Reforçada por um sistema educacional que vem descendo a ladeira da qualidade em favor da quantidade. 

Juntos, a diluição e deturpação do sentido do correto e do reprovável, na educação dentro de casa e a descaraterização da função maior da escola, estão produzindo efeitos monstruosos na sociedade. 

Muitos meninos e meninas boas que alteraram seus fotinhos em homenagem às suas velhas, tratam-nas de fato como empregadas domésticas, muitas vezes aos esporros, coices e gritos. Isso não é raro não. 

Eu gostaria de viver numa sociedade menos hipócrita. Não exatamente para efeito de satisfação pessoal, nada disso. Mas pelo fato de que a dinâmica da correção nunca abandona o estado estacionário antes de que se finde uma etapa importante chamada “negação”. 

Admitamos, podemos, todos nós, dedicar às nossas velhas, homenagem silenciosa e íntima, na maçante rotina diária, sem o foco da publicidade e pautada no desejo sincero e íntimo de proporciona-las o direito de tomar seu cafezinho sem pensar na pia cheia de louça, por exemplo. Que podemos brincar de deixar uma grana, sem que ela perceba, na sua carteira, é! Ela vai amar a brincadeira, ainda vai render histórias ótimas! Pouca gente quer brincar assim, não veem nisso homenagem alguma. É uma pena. 

De outro lado, ao ver certas mães serem homenageadas, sinto-me no velório do agiota violento e sem escrúpulos, ou no de um torturador, que seja. Aquele cara que levou famílias inteiras à ruína, que humilhou, espancou e matou (de vergonha, ou de fato) as pessoas que não tinham como evitar a relação com ele.  E ter de ouvir coisas do tipo “Era um santo homem...”, “Fez o bem enquanto viveu...”. 

O fato é que nenhuma mãe é só santa, e nenhuma mãe é só puta. Entre o céu e a Terra, todo tipo de mãe há. 

Tem mães que dá vontade de dedicar uns cascudos. Ninguém lembra delas, né? Eu lembro, chamo pra mim essa responsabilidade. 

Dedico aqui, a todas as mães desnaturadas, o desejo sincero de reflitam e entendam que a simples concessão da possibilidade da reprodução é uma bênção divina. Vocês também merecem parabéns, nem que seja só por isso. Mesmo que vocês acreditem que “por acaso” vieram a dar à luz a um ser humano, que sejam decentes com eles, ou se afastem definitivamente. O que é inaceitável é aquela criatura de quem a criança espera o milagre do amor, da companhia ou de um simples olhar, venha apenas a rejeição e seca indiferença... 

Agora sim, com todas as mães na festa, vamos desejar a todas, sem exceção, um feliz Dia das Mães! 

Num dia de Natal, eu disse a meus pais, de pé diante deles, que tenho certeza de que nenhum outro par obteria o êxito que eles obtiveram na criação de uma criança e de um jovem como eu fui. 

Em toda ocasião oportuna reafirmo a gratidão tornando-a pública. 

Muito mais do que meu “muito obrigado”, você, D. Julita, merece é ser aplaudida de pé, por muuuito tempo. 

Parabéns pra você! 

Parabéns pra todas as mães! 

Com amor,

João Henrique de Miranda Sá 

Escritor e redator autônomo

jhmirandasa1931@outlook.com

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João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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