57% do território do Rio de Janeiro dominado pelo tráfico e pela milícia (veja o vídeo)

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Em entrevista ao Jornal da Noite de terça-feira (23), o procurador de Justiça Marcelo Rocha Monteiro e o policial civil Ricardo Santi abordaram os desafios da segurança pública no Brasil e o avanço das organizações criminosas em estados como o Rio de Janeiro.

Um estudo aponta que 57% do território do estado foi dominado pela milícia e pelo tráfico. De acordo com informe do Centro de Inteligência do Exército, as quadrilhas impedem o acesso dos moradores a serviços essenciais, como luz, gás, telefonia e internet – já existem empresas que estão deixando de atuar no Rio.

Profundo conhecedor dos problemas enfrentados pela cidade, Marcelo Rocha Monteiro relembra as origens do caos:

“Isso se agrava a partir dos anos 80, com a política do então governador Leonel Brizola, que é exatamente a mesma adotada na liminar do ministro Fachin, depois confirmada por maioria do Supremo, de proibir operações policiais em comunidades.
A partir daí o tráfico aumenta seu poderio bélico, sem o incômodo da polícia, começa a vender muito mais droga, ganhar muito mais dinheiro.
Em meados da década de 80 e caminhando para 90, nós chegamos ao momento em que as polícias do Rio de Janeiro enfrentavam, com revólveres e pistolas, criminosos armados de fuzis – só anos depois a polícia conseguiu se armar num parâmetro minimamente compatível com a da bandidagem”, explicou.

De acordo com o procurador, outra coisa que fomenta a criminalidade é inversão de valores:

“Você vê o traficante como herói, o assaltante como vítima da sociedade. Quem tem que estar preso é só Daniel Silveira, pelo visto. Traficante tem que soltar, homicida tem que soltar, estuprador, latrocida... Só precisa prender Daniel Silveira, esse é perigoso...”, ironizou o procurador.

Munição vencida e papel higiênico no lugar de guardanapo

Com a experiência de policial civil em São Paulo, Ricardo Santi falou sobre os desafios de atuar nas ruas enfrentando a bandidagem, muitas vezes em condições precárias.

“Eu estou com a munição vencida. Na delegacia onde eu trabalho, a gente não tem nem guardanapo na nossa copa, o que a gente usa de guardanapo é papel higiênico.
Os telefones estão totalmente deteriorados, a gente não consegue ouvir o que diz o declarante, ele não consegue ouvir o que a gente fala. Existe também a leniência do ponto de vista legal, a legislação vai afrouxando cada vez mais com o criminoso e apertando cada vez mais com o policial”, ressaltou.

Veja o vídeo:

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da Redação
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