O Brasil dos próximos dias pós-afastamento de Dilma Rousseff...

O Brasil irá passar por uma fase de conflagração, principalmente nas grandes cidades, onde os movimentos de rua ganham mais visibilidade.

Nos próximos dias diversos grupos irão às ruas, por motivações diversas. Os movimentos de reação ao afastamento da Presidente Dilma, serão os mais frequentes, com ocorrência em diversos pontos do país.

Na esteira dessas manifestações, específicas de defesa do mandato e ‘contra o golpe’, se juntarão outras motivações.

Os sem tetos irão às ruas contra a redução ou suspensão do Minha Casa Minha Vida. Os favelados, em reação à reintegração de posse. Os servidores públicos demitidos sairão em marcha, os trabalhadores contra a redução das suas conquistas, os estudantes contra a falta de merenda escolar ou os desvios no fornecimento das merendas nas escolas públicas, os taxistas contra a liberação dos aplicativos, as comunidades contra o assassinato dos seus moradores, etc.

As ocorrências serão inevitáveis, favorecidas por um ambiente em ebulição social e a economia em crise. 

Todos esses movimentos tem um começo, explosivo, seguem com um crescimento, alcançando um auge para começar a se esvaziar até sumir. Ficam latentes e mais tarde voltam. Se novos fatos ocorrerem.

Uma grande parte dessas manifestações é organizada por entidades, com apoio do Governo Federal.

Ao longo dos seus 13 anos e alguns meses de governo, o PT deu apoio, com verbas públicas, ou benesses, aos movimentos sociais, que lideram essas manifestações. Com o contingenciamento das verbas, a capacidade de mobilização ficará enfraquecida. 

Algumas questões devem ser analisadas.

Que fatos concretos motivarão as reações e mobilização? Um eventual mandado de prisão de Lula, certamente. Qualquer proposta de reforma previdenciária, também, com certeza. Outros fatos concretos poderão dar ou não origem a manifestações.

Como ocorrerão as manifestações espontâneas, como os movimentos "ocupe" dos jovens, sem o respaldo de organizações? Quantas ocupações ocorrerão? E quanto tempo durarão. Qual será a sustentação das reações de empoderamento dos jovens? 

As primeiras ocupações de escolas em São Paulo tiveram o apoio de parte da sociedade e respaldo do Judiciário. As novas já não contam com o mesmo apoio, enfrentam contestações e não tem a mesma benevolência do Judiciário, embora contem com a simpatia de muitos juízes de primeira instância.

A experiência histórica mostra que a reação pela força das autoridades, só fortalece os movimentos e os apoios populares. A curto prazo, não há como conter a violência das forças policiais sempre que chamadas a agir. 

Diante disso, as estratégias governamentais mais recentes tem sido de "sufocar" os movimentos e acelerar o seu enfraquecimento. O tempo de resistência dos movimentos depende do apoio do resto da sociedade. 

A sociedade organizada quer um clima de paz para restabelecer o funcionamento da economia e superar a crise. Não tem como evitar as manifestações e os transtornos na sua vida cotidiana, mas a tendência é de redução dos apoios, com a predominância da omissão. 

As manifestações serão fortes nestes próximos meses, mas tenderão a se esvaziar. A menos que prevaleça uma reação de força e violência por parte das autoridades, com o apoio de segmentos radicais da sociedade. Será a pior estratégia.

Jorge Hori

                                   https://www.facebook.com/jornaldacidadeonline

Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal da Cidade Online. 

Jorge Hori

Articulista

Mais de Jorge Hori

Comentários

Notícias relacionadas