Renovação: Um processo que só depende de nós

Hoje é um dia muito importante para todo o povo brasileiro. Hoje, pela segunda vez em pouco mais de vinte anos, chegamos, aos trancos e barrancos, a reta final de um processo de impeachment. 

Não. Definitivamente isso não é bom. 

O impeachment é um recurso extremo que a maioria dos países jamais precisou recorrer, e tenho certeza, morreriam de vergonha caso fosse necessário. 

Nos últimos meses testemunhamos verdadeiro cabo de guerra em que a profusão de artigos, matérias, vídeos, denúncias, gravações de grampos, e toda sorte de conteúdo relacionado aos processos que intentam punir corrutos e corruptores, vem de encontro ao argumento dos partidários e defensores dos acusados, independentemente de partido, estado ou interesse. 

Aqui, hoje, pouco importa quem tem razão. 

Este é um excelente momento para refletirmos acerca de nossa conduta no que tange às medidas que tomamos todos, no intento de construir o mundo que queremos. 

Uma coisa tenho como certa: não é por meio do confronto que chegaremos a um denominador comum. Venho comprovando ao longo dos últimos anos que o caminho da conciliação sempre traz algum fruto. Enquanto o confronto e o choque, geralmente culminam em progresso algum, mágoas, rancores e aumenta sempre a distância entre as partes do conflito e seus objetivos. 

Não seria o momento de realizar uma autoanálise, um estudo na agenda, uma reorganização das prioridades, para então observar no meio em que vivemos, a urbe que compartilhamos, o bairro que moramos ou universidade que frequentamos, onde é que podemos nós atuar de fato e de direito para construir esse mundo que almejamos. 

Não tenho dúvida que comparecer às urnas para exercer o dever de votar, está muito aquém do necessário à mudança. É preciso que gente indignada com os corruptos disponha-se a ocupar seus lugares. 

É isso aí. Não vejo outra saída para o nosso país que não seja a renovação. E as velhas raposas, políticos de carreira tem de ceder lugar aos que virão, ninguém melhor do que seus mais ácidos críticos para ocupar seus lugares. Penso que a renovação eficaz acontecerá de baixo para cima. Acadêmicos se interessando pela política estudantil, criando os diretórios acadêmicos de seus cursos. Os moradores de bairros que não tem um representante, criando as associações e trabalhando por conquistas em favor do coletivo, e assim por diante. 

Eu sonho com o dia em que a maioria das pessoas entenda isso com naturalidade. Com o momento em que cada um faça a análise de suas aptidões, meios de que dispõe, capacidade de engajamento, e cada um fazendo o que é possível, concretize a tal renovação almejada. 

É isso, moçada. É conosco a parada. 

Estão todos convidados... à reflexão, que seja. 

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo

jhmirandasa1931@outlook.com

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João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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