Os aproveitadores do caos

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Tenho usado uma frase latina para me referir a esse período em que estamos: “ordo ab chao”. Significa “a ordem que vem do caos”.

Não há dúvidas que a pandemia abriu definitivamente uma janela de oportunidades para mudarem definitivamente a ordem das coisas.

No mundo já vimos as mudanças.

Donald Trump perdeu a reeleição que antes estava garantida, a Europa passa por uma revisita ao totalitarismo, e o poder global muda de mãos.

E aqui no Brasil o governo de Jair Bolsonaro passa a ser visto, cada vez mais, como aquele equilibrista da corda bamba, que tenta se manter de pé contra circunstâncias que nem dependem de si, lutando contra uma rajada de vento ou um inseto que pousa em seu olho, atrapalhando sua concentração, para se manter hígido, firme e seguir adiante sem cair.

Esse é o ambiente mais do que perfeito para o surgimento dos oportunistas, que fazem das crises provocadas pelo caos um ambiente propício para a alteração da realidade, fora das “condições normais de temperatura e pressão” que rege a Natureza.

O caos sempre gerará uma oportunidade de mudança. Não há dúvidas em se afirmar isso.

Portanto, é extremamente emblemática a fala do Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, ontem (24/3) em Plenário, diante do atingimento de 300.000 mortes no país em decorrência do vírus.

Ela - a fala - deixa claro o que está por vir, no cenário do curto prazo.

Interpretem com muita atenção as palavras ditas pelo Deputado Arthur Lira (saliento que as falas foram tiradas da reportagem que vai ao final desse meu texto), e concluam por si sós.

Lira:

“Estou apertando, hoje (ontem), um sinal amarelo para quem quiser enxergar: não vamos continuar aqui votando e seguindo um protocolo legislativo com o compromisso de não errar com o país se, fora daqui, erros primários, erros desnecessários, erros inúteis, erros que são muito menores do que os acertos cometidos continuarem a ser praticados. Dirijo-me a todos que conduzem os órgãos diretamente envolvidos no combate à pandemia.”

Lira:

“os remédios políticos no Parlamento são conhecidos e, muitas vezes, aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável. Não é essa a intenção desta Presidência. Preferimos que as atuais anomalias se curem por si mesmas, frutos da autocrítica, do instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política.”

Lira:

“Mas isso não depende apenas desta Casa. Depende, também — e sobretudo —, daqueles que, fora daqui, precisam ter a sensibilidade de que o momento é grave, a solidariedade é grande, mas tudo tem limite, tudo! E o limite do Parlamento brasileiro, a Casa do Povo, é quando o mínimo de sensatez em relação ao povo não está sendo obedecido”.

Lira:

“Pandemia é vacinar, sim, acima de tudo. Mas, para vacinar, temos de ter boas relações diplomáticas, sobretudo com a China, nosso maior parceiro comercial e um dos maiores fabricantes de insumos e imunizantes do planeta”.

Lira:

“Mas, acima de tudo, os que têm mais responsabilidade têm maior obrigação de errar menos, de se corrigir mais rapidamente e de acertar cada vez mais. É isso ou o colapso”.

Deus tenha misericórdia do Brasil.

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