João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

Solidão: Um mal da vida moderna

Desde de a década de 1950 as pessoas experimentam transformações substanciais no cotidiano, nos costumes e na forma de se relacionar. Esse fenômeno é consequência avanço da tecnologia, do surgimento de ferramentas cada vez mais ágeis e eficazes de comunicação, da globalização.


Vivemos, em pleno século XXI, um momento caótico em que a tecnologia, tanto as máquinas (hardwares) quanto os sistemas que rodam (softwares), são tantos e com tantas aplicações, que começam a desvirtuarem-se de sua função essencial: proporcionar conforto, praticidade e aproximar as pessoas.

Curiosamente, toda essa parafernália que se propõe a nos aproximar, vem promovendo é uma mudança no comportamento das pessoas em direção a imersão numa realidade virtual. O fato é que essas ferramentas têm nos aproximado sim, de quem está muito longe, mas em compensação vem nos afastando cada vez mais de quem está perto. Estranho, não?

Uma cena corriqueira é uma pessoa conversar diariamente com um ou mais amigos que vivem em outros continentes e usar o aplicativo de mensagens do smartphone para falar com alguém que está na mesma casa que ele.

Estamos nos perdendo em meio a profusão de ondas de rádio. Aliás, essa é uma excelente analogia: imagine se fosse possível colorir as ondas de rádio? Definitivamente não veríamos nada além delas!

A solidão é um mal que aflige a milhões de pessoas.

Acredito que o mau uso da tecnologia, o abandono dos costumes tradicionais em detrimento da facilidade de métodos de interação virtual, estejam entre os principais motivos da escalada deste sentimento.

Mas isto não é tudo. Na chamada vida moderna há substancial aumento de famílias de uma pessoa só. A cada dia que passa, as famílias estão cada vez menos numerosas. O estilo de vida moderno está voltado para o indivíduo e não à coletividade.

A vida nos grandes centros é corrida. Cada um para atender suas demandas pessoais, abre mão das refeições em família, por exemplo.

O mercado é cada vez mais competitivo, seja o cidadão colaborador em uma grande organização, seja ele profissional liberal, tem como prioridade a carreira, antes de tudo. Relegando às relações afetivas, familiares ou não, à segundo plano.

O resultado destes e doutros muitos fatores não citados aqui, é uma sociedade que perdeu contado consigo, com os amigos, com os prazeres reais e duradouros que só a interação física nos proporcionam. Isso considerando quem vive só.

Essa questão, para quem vive aos pares ou mesmo compõe núcleo familiar, é ainda mais complexa.

Pode soar estranho para muitos, mas a solidão a dois é uma das realidades mais angustiantes e que vem se tornando cada vez mais comum. Muitos casais chegam a um ponto em que não sabem mais ao certo o que justifica a convivência. É uma simbiose que envolve desde questões financeiras até nuances patológicas a serem compreendidas para que se resolva a questão.

Tudo isto gera sofrimento e a desconexão do indivíduo consigo mesmo. É tanta informação, são tantos compromissos, há tanto a dedicar aos outros, ao trabalho e à sociedade, que não nos damos alguns minutos de meditação, o que é fundamental para todos.

Depois de pontuar alguns dos fatores desorganizadores que são o combustível da solidão, havemos de esclarecer que nem tudo é treva.

Há recursos extremamente eficazes para anular a solidão que aflige milhões no mundo todo.

A psicoterapia é um processo de autoconhecimento conduzido por um profissional competente que baliza o processo. Em verdade, é o paciente que se trata. O terapeuta proporciona, de forma controlada, os confrontos necessários com conteúdos mentais ocultos ou inacessíveis ao leigo.

O fato é que a pessoa que se conhece bem, pode até padecer de carência circunstancial, sabemos que isso passa. O que não podemos nos permitir é amargar solidão num mundo tão lindo, tão cheio de gente bacana, nos privar da nossa própria companhia.

Se você se sente só, procure ajuda.

Seja feliz!

Um amigo.

João Henrique de Miranda Sá

*Este texto é parte integrante do projeto O Pote D’Água, que pretende auxiliar a superação do sofrimento causado por males diversos do cotidiano moderno.

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