O delator da ‘Lama’ poderá ser um evangélico, velho conhecido da Polícia Federal

Aos domingos o cidadão frequenta cultos, faz orações, pede a proteção divina e paga o sagrado dízimo. Durante a semana, ele traça estratégias mirabolantes para ganhar dinheiro ilícito, prejudicar o seu semelhante e se enriquecer com o produto de algum golpe adredemente planejado.


Pela leitura do inquérito da Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal, parece ser esta a vida do empresário Miched Jafar Júnior, dono da Gráfica Alvorada, em Campo Grande (MS).

Filho de boa e tradicional família, frequentador desde a infância dos cultos na Igreja Adventista do 7º Dia, o moço não assimilou os ensinamentos que recebeu em casa e na igreja.

Aliás, arrumou péssimas amizades, aproximou-se do ex-governador André Puccinelli e galgou significativos espaços na organização criminosa por este comandada.

Abaixo, um trecho do relatório 0012/15 da Polícia Federal, que demonstra um pouco do grau de envolvimento nas falcatruas deste jovem empresário do mal:

‘O empresário MIRCHED JAFAR JÚNIOR foi investigado na Operação VINTÉM da Polícia Federal. A referida operação apontou o ex-deputado SEMY FERRAZ, conhecido desafeto político de ANDRÉ PUCCINELLI, como vítima da imputação falsa do delito de corrupção eleitoral.

Em virtude da referida operação, tornaram-se réus na Ação Penal 605 do Supremo Tribunal Federal EDSON GIROTO, ex-deputado federal, ANDRÉ PUCCINELLI JUNIOR, filho do ex-governador, EDMILSON ROSA, um “assessor particular” de ANDRÉ PUCCINELLI, e o próprio MIRCHED JAFAR JÚNIOR, proprietário da GRÁFICA ALVORADA.

O citado empresário, conhecido como JUNIOR, trabalhou para a campanha ao Governo do Estado de ANDRÉ PUCCINELLI em 2006. Tais fatos demonstram que existe uma prévia, e aparentemente espúria, ligação entre ANDRÉ PUCCINELLI e o empresário MIRCHED JAFAR.

É necessário acrescentar, como já mencionado em outros relatórios, que o ex-governador do Estado de Mato Grosso do Sul ANDRÉ PUCCINELLI é réu na Ação Penal 573/MS (2007/0020291-7), que tramitava no Superior Tribunal de Justiça, pelo crime de lavagem de dinheiro.’

‘De acordo com a interceptação legalmente autorizada de uma série de conversas telefônicas, a seguir apresentadas, entre o Secretário Adjunto de Fazenda ANDRÉ CANCE e o Governador ANDRÉ PUCCINELLI, e ainda considerando todo contexto desta operação policial, percebe-se que, de forma dissimulada, os referidos interlocutores viabilizaram o recebimento de vantagem indevida pelo Governador em virtude de contratos da empresa GRÁFICA ALVORADA com o Governo do Estado.

Em conversa interceptada no dia 22.12.2014, o Chefe do Poder Executivo Estadual afirma que precisa conversar com CANCE para que na manhã seguinte (23.12.2014) eles tenham uma “BOA ALVORADA”, uma “BELA ALVORADA”, um “BOM ALVORECER”.

Na referida conversa, o ex-secretário Adjunto de Fazenda precisa enfatizar que entendeu aquilo que o Governador almejava dizer, tendo em consideração a dissimulação que se tenta conferir ao real conteúdo da conversa.

As investigações indicam que na citada ligação os interlocutores estavam se referindo a liberação de um pagamento para a empresa GRÁFICA ALVORADA, de propriedade de MIRCHED JAFAR JÚNIOR, chamado apenas de JÚNIOR por CANCE.’ 

Diante da situação, de todo o gravíssimo conteúdo dos autos, não tenho dúvida nenhuma, que no momento em que a prisão de ‘Junior’ for efetuada, o Ministério Público terá nas mãos um possível delator, que com certeza, terá muito a dizer e poderá colaborar para desnudar o que resta desse mar de lama.

Vamos aguardar!

Lívia Martins

liviamartins.jornaldacidade@gmail.com

da Redação

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