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Flagelo Humano: A miséria de quem só possui grana e poder

Flagelo humano, a miséria é fruto dos vícios (defeitos) morais, desvios de personalidade e imperfeições do caráter. 

Todos os males que nos afligem têm origem no orgulho e na vaidade, sem exceção alguma. 

A palavra “miséria” nos remete a mais absoluta privação de tudo aquilo nos é essencial à sobrevivência: saúde, alimentos, trabalho, família, algum conforto e dose boa de desopilação. Mas essas são as carências de ordem física, necessidades superficiais, inclusive coisas bem relativas. 

A miséria que assola e degrada, nada tem a ver com coisas, bens ou comida, família.. nada a ver. 

O vazio abissal, conceitual e existencial é capaz de extrapolar os limites do suportável. É quando uma diversão ou passatempo se converte em cárcere; quando um adorno temporário traveste-se numa chaga crônica; quando a personalidade se dilui na ilusão, fruto da mais absoluta ignorância da própria razão de existir. É quando o sujeito perde o fio da meada e o contato com sua essência. 

Temos agora, diante de nós, um miserável. Ao contrário do que se pensa, pode-se viver miseravelmente abastado de tudo o que o dinheiro compra. É… 

Aprendi que a fortuna é prova muito mais inglória e infinitas vezes mais difícil de vencer, diferente de “suportar”, que prova da privação, que exige apenas resignação. Já a fortuna demanda do afortunado que ele destine com inteligência a compaixão, caridade e boa-fé, todos os recursos a ele confiados em empréstimo. 

No afã de possuir, muitos de nós, deslumbrados e envaidecidos, vemos a fartura como “merecimento”, e não nos damos conta de que em verdade de quanto mais recursos dispomos, mais responsabilidade assumimos. 

“Recursos” não se restringem à grana ou bens. Talentos são recursos de valor incalculável. É dilacerante ver gente querida deter todo tipo de recurso, em quantidade e qualidade, porém ainda desprovidos da percepção do que isso representa… pra sua existência. 

Ao dar bom dia aos leitores desta coluna, aos amigos, aos amores, peço a todos que à sua maneira, cada um de nós hoje, a partir de hoje, nos lembremos com carinho de todo aquele que hoje está privado do que há de mais essencial: do amor próprio.

João Henrique  de Miranda Sá é escritor e redator autônomo

jhmirandasa1931@outlook.com

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João Henrique de Miranda Sá

Jornalista independente em Campo Grande - MS.

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