Integrantes do Bope “vendiam” operações a traficantes, mesmo após a prisão de “caveiras”

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Nem mesmo o Batalhão de Operações Especiais, o Bope, está livre de corrupção. O Ministério Público do Rio de Janeiro descobriu que havia um grande esquema de “venda de operações” a traficantes do estado. Nem mesmo a prisão de cinco “caveiras”, em 2015, e condenação a penas de até 80 anos, impediu que a “feira” continuasse acontecendo. Os criminosos chegaram a usar um guardador de carros para monitorar a saída de viaturas da sede do Bope, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio.

A Justiça só soube que o esquema continuava de pé porque escutas telefônicas gravaram a ex-mulher de um dos PMs presos, Carla Oliveira de Melo, recebendo informações sobre operações do Batalhão. Ela foi casada com o cabo Silvestre André da Silva Felizardo, apontado como chefe da quadrilha de policiais.

Em uma das interceptações, um policial do Bope avisa a Carla que “duas cheias” estavam “seguindo para Santa Cruz”, referindo-se a duas viaturas do Bope. Em outro momento da mesma ligação, o agente chama a mulher de “chefe”, indicando que ela “herdou” o comando das operações do ex-marido. A conversa ocorreu em 2018, três anos depois dos “caveiras” serem presos.

O esquema criminoso era tão bem articulado que as investigações descobriram um informante que monitorava a saída de viaturas do batalhão. O homem responsável por repassar informações sobre a saída dos veículos era um guardador de carros, que se posicionava próximo ao viaduto que dá acesso ao Túnel Santa Bárbara, por onde os carros do Bope têm que passar a caminho de favelas nas zonas Norte e Oeste da cidade.

Após a prisão do ex-marido, Carla passou a ter contato mais frequente com o cabo Franco Guayanaz Maurício, do Batalhão de Choque e, por isso, os investigadores acreditam que a quadrilha também recebia informações sobre as ações daquela tropa.

Felizardo, Guayanaz e Carla Melo foram alvos de mandados de busca durante a Operação “Rainha de Copas”, dia 14, decorrente de uma outra investigação da Polícia Civil que apura o crime de lavagem de dinheiro. As investigações apuraram que o padrão de vida de Guayanaz, por exemplo, é incompatível com o salário que ele recebe: R$ 2.920 líquidos.

Entre os bens do cabo, está uma lancha avaliada em R$ 510 mil, que fica ancorada em ancorada num resort de luxo em Mangaratiba. Fora isso, as frequentes viagens ao exterior que ele faz com a mulher e compartilha na internet chamaram a atenção do Ministério Público.

O esquema de corrupção e venda de operações só veio à público porque um dos chefes do tráfico no Rio de Janeiro, Leonardo Barbosa da Silva, o “Léo do Aço”, foi testemunha de defesa no julgamento que levou à condenação dos cinco PMs do Bope. A proximidade do bandido com os policiais levantou suspeitas no processo.

“Léo”, porém, não agiu, exatamente, como havia acordado com os defensores dos PMS e admitiu em juízo que fazia pagamentos semanais de até R$ 70 mil a um policial do Bope. Em contrapartida, os agentes deveriam ser mais “educados” com os criminosos e sempre dar “bom dia” e “boa noite”, ao se dirigir a eles e, caso, esquecessem de informar alguma operação, deveriam se desculpar por isso.

“Léo do Aço” foi executado com uma série de tiros de fuzil na porta de um motel, em agosto de 2019. O crime nunca foi esclarecido.

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Foto: Extra

da Redação
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