“A CPI está se transformando em palanque político em cima de 400 mil caixões de brasileiros que perderam vidas”, afirma senador

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O senador Eduardo Girão (Podemos) afirmou que a CPI da Covid “já começa desacreditada pela população”. Um dos motivos para desconfiança seria a própria escolha de Renan Calheiros (MDB-AL) para a relatoria da Comissão Parlamentar de Inquérito, instaurada para investigar, prioritariamente, supostas ações e omissões do Governo Federal e fiscalizar onde foram investidos os recursos federais de combate à pandemia do coronavírus entregues a governadores e prefeitos.

“Não é possível se fazer um meio relatório. O relator é a alma de uma CPI. Se ele tem um conflito de interesses, não vai ter isenção. Não tem como o senador Renan Calheiros ter (isenção) porque o filho dele é governador de um Estado. A CPI já começa desacreditada pela população brasileira porque poderia ter tido um outro relator”, pondera o senador. Renan Calheiros é pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB).

Girão criticou o plano de trabalho da comissão.

“Um plano que só vai buscar um pra ‘Cristo’. É um plano de ataque. Ele não busca a verdade como um todo, só vê o Governo Federal”, afirmou, acrescentando que a CPI deveria convocar um gestor estadual ou municipal para cada nome do Governo Federal que fosse chamado para dar explicações no Senado.
“A CPI está se transformando, logo no início, em palanque político em cima de 400 mil caixões de brasileiros que perderam vidas. Isso é covardia. É desumanidade. Tem membros da CPI que já são candidatos à presidência da República, que estão no xadrez político nacional para o ano que vem. A população está percebendo que existe uma antecipação do calendário eleitoral e isso não é correto”, criticou.

O senador destacou que trabalha para convocar nomes como o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello; para explicar por que permitiu que Estados e municípios decretassem medidas próprias e rígidas sobre o isolamento social na tentativa de conter a disseminação da pandemia.

“Quando eu propus chamar o ministro Marco Aurélio, foi por uma decisão dele de um ano atrás; quando ele retira atribuições que são do Governo Central e passa para Estados e municípios gerirem a pandemia. Ele é uma peça-chave para a gente ver o que de fato aconteceu. Não estou questionando (a decisão do ministro), queremos apenas que ele venha aqui para fazer o monitoramento do que aconteceu após a decisão”, explica.

Girão pretende convocar representantes do Consórcio Nordeste — grupo que reúne nove Estados brasileiros — para investigar possíveis irregularidades na implementação de hospitais de campanha. A subprocuradora-geral Lindôra Araújo também seria convocada.

“Eu quero ver os dois lados. A expectativa é buscarmos (entender) efetivamente algumas decisões na gestão da pandemia, porque alguns (ministros da Saúde) saíram de forma precoce. Acho que isso vai elucidar algumas questões. Nós temos muitas perguntas a fazer”, declarou.

E refletiu sobre os impactos políticos da CPI e o resultado das investigações.

“Acho que a gente precisa ver com serenidade, sem fazer pré-julgamento, isso contamina o processo da CPI, o que tem ocorrido demais. Mas, essa CPI tem tudo para buscar a verdade”, afirmou.

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Fonte: Metrópoles

da Redação
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