Os inimputáveis eleitores brasileiros

10/08/2021 às 09:24 Ler na área do assinante

“Vaidade de vaidades – diz o pregador, vaidade de vaidades! É tudo vaidade”. (Eclesiastes)

Os deputados e os Ministros são analfabetos funcionais em informática. Eles sabem disso. Nós sabemos disso. Os Técnicos em Informática sabem disso. Portanto, não enganam ninguém, apenas imaginam.

Deputados e Ministros conhecem apenas o básico. Sua área é outra. No entanto insistem em fazer declarações ousadas sobre uma área do conhecimento onde são apenas iniciantes.

Por que não chamam técnicos especializados para resolver o problema? Não um, mas vários. Hackers, doutores em informática.

Eles poderiam explicar a esses Supremos e Deputados que as urnas eletrônicas evoluíram. Elas são de três tipos: as de primeira geração, modelo DRE (Direct Recording Eletronic), as VVPT, de segunda geração com impressão de voto, e as E2E, com escaneamento.

Eles poderiam dizer aos Supremos e Deputados que desde 2014, o modelo DRE, o mais antigo, utilizado no Brasil. Ele é inseguro, não oferece transparência e é totalmente dependente do software para apuração.

Os técnicos poderiam informar que as urnas usadas pelo sistema brasileiro não permitem a recontagem dos votos individuais. Elas falham, clamorosamente, nos dois princípios que mais importam numa eleição, os da legitimidade e segurança.

Os Supremos e Deputados também poderiam perguntar ao povo se querem usar urnas mais velhas, ultrapassadas, ou urnas mais modernas, mais seguras.

E por que não perguntam isso ao povo?

Porque os 513 deputados federais, Barroso e sua turma, o TSE e seus ministros, acreditam que o povo nada sabe. O povo é ignorante. O povo não pode decidir. Suas atitudes nos levam a essa conclusão.

Os brasileiros que votam são como “índios botocudos”: têm o desenvolvimento mental incompleto e são totalmente incapazes de entenderem o caráter lícito ou ilícito do que fazem. São inimputáveis, ou seja, não podem ser punidos por seus atos porque não teriam condições de saber o que é certo ou errado.

Eu e você só servimos para votar! Não podemos decidir como devemos votar e nem saber como votamos. Ficamos sabendo apenas do resultado e isto já é mais do que suficiente! É assim que pensam as “divinas criaturas” que nos governam.

Nós, os eleitores, que deveríamos ser a parte mais importante dessa escolha somos amordaçados pelos “supremos”. É tabu essa decisão.

Diz J. R. Guzzo:

“O STF proíbe a discussão do assunto; diz que qualquer tentativa de melhorar o processo atual, em vigor há 25 anos, é ‘virar a mesa’ para falsificar os resultados e impor uma ‘ditadura’ ao país. Não foi capaz, até agora, de dar uma única resposta séria a uma pergunta simples:
- Por que seria errado tentar aprimorar o atual sistema? Qual o crime em querer melhorar um conjunto de máquinas?
Os bancos, por exemplo, melhoram todos os dias a segurança, a eficácia e a inteligência de seus processos eletrônicos — gastam bilhões de reais nesse trabalho. A Receita Federal faz a mesma coisa; não passa na cabeça de ninguém, ali, trabalhar hoje com os métodos de 1996. A indústria e o comércio criam a cada ano, ou menos, novos ambientes eletrônicos para o exercício de suas atividades. O Uber melhora o seu sistema. O delivery de pizza melhora o seu sistema. O boteco da esquina melhora o seu sistema.
Só os burocratas do Superior Tribunal Eleitoral, sob o comando do STF, têm a certeza absoluta de que não há nada a melhorar nos mecanismos de votação e apuração das eleições brasileiras”. (“A desonestidade reina na discussão sobre o voto impresso” – J. R. Guzzo - publicado no jornal Gazeta do Povo em 15 de julho de 2021).

Vaidade, desprezo, arrogância é o que demonstram.

O problema, agora, está nas mãos dos 513 deputados federais e eles, segundo a imprensa tradicional, que vem desinformando a população sobre o assunto, pensam da mesma forma que os Supremos do STF: nada precisa ser melhorado e nem discutido!

Se realmente acontecer o que a imprensa diz, só nos resta guardar o nome de todos os deputados que nos acham inimputáveis e que apoiam Barroso e sua turma e no outro ano retirá-los do parlamento, através do voto, e pedir aos novos mudança e punição dentro da lei para os que insistem em nos manter no atraso.

É o mínimo que qualquer brasileiro decente pode e deve fazer!

Querem nos calar!

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Carlos Sampaio

Professor. Pós-graduação em “Língua Portuguesa com Ênfase em Produção Textual”. Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

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