O omisso Pacheco quer ser presidente

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Rodrigo Pacheco era uma figura pouco conhecida da cena política nacional, até se tornar presidente do Senado. A partir daí, ganhou destaque por sua omissão. Virou mais um coveiro das esperanças nacionais.

É bom rever o princípio moral por trás disso. Porque somos livres para agir e não agir, somos responsáveis pelo que fazemos e pelo que deixamos de fazer.

Certas omissões são crimes tipificados em lei, como a não prestação de socorro, em certas condições. É imenso o leque de omissões que compõem o cotidiano da vida humana em sociedade. Começa, talvez, na criança que não fez a lição de casa, até o presidente do Senado que não pautou projetos importantes para a nação.

No setor privado, certas omissões dão motivo à demissão por justa causa. No setor público, há omissões que caracterizam prevaricação (retardar ou não praticar ato de ofício por interesse ou sentimento pessoal).

E o omisso senador Rodrigo Pacheco não pautou qualquer dos processos de impeachment contra ministros do STF quando as ruas e as praças clamavam e clamam por isso.

Não pautou a proposta de emenda à Constituição que estabelece a prisão após condenação em segunda instância, mantendo em vigor a regra de ouro da impunidade (prisão só após trânsito em julgado de sentença penal condenatória), só defendida por advogados criminalistas e seus clientes.

Não pautou o fim do foro privilegiado, essa ofensa que a constituinte de 1988, em meio a tantas outras, dirigiu à sociedade brasileira.

Eis que o senador Pacheco deixa o DEM e vai para o PSD de Gilberto Kassab com alvará para disputar a presidência pelo partido que, nas palavras de seu fundador, não é de esquerda, nem de direita, nem de centro...

Quem se seduziu pelo senador bem falante já conhece, a essas alturas, o omisso representante do grande e histórico estado de Minas Gerais.

Foto de Percival Puggina

Percival Puggina

Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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