“Teorias Cínicas” e os danos do relativismo

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“Compreender o pós-modernismo é uma questão de alguma urgência, porque ele rejeita radicalmente as bases sobre as quais as civilizações avançadas de hoje são construídas e, por consequência, tem o potencial de solapá-las”. Helen Pluckrose e James Lindsay (“Teorias Cínicas”).

Recentemente alguns meios de comunicação noticiaram um crime bárbaro ocorrido em 2015, a saber, o do jovem indígena morto e esquartejado por outros membros de sua tribo. Segundo relatos, o jovem seria adepto de práticas mágicas obscuras (magia negra) e, por essa razão, teria sido condenado – de acordo com as regras de sua etnia - à morte seguida de esquartejamento.

No entanto, um dos fatos mais estarrecedores acerca desse crime bárbaro, ocorrido em território brasileiro sob nossas leis e constituição, foi o fato de um antropólogo ter elaborado parecer em defesa do arquivamento desse caso hediondo, eximindo os assassinos da responsabilidade penal pelo assassinato. De acordo com sua perspectiva, seria imperioso “resguardar a manifestação cultural da etnia”.

Assim, “qualquer investigação judicial” representaria uma ofensa à cultura e aos costumes daquela comunidade indígena. Noutros termos, dentro da tribo vigem suas leis, não nosso código penal, nossa constituição, a declaração universal dos direitos humanos, etc.

Tal caso é um exemplo paradigmático do que ocorre quando certas ideias perniciosas invadem nossas instituições e nossa cultura. Afinal, ideias têm consequências. Dessa maneira, poder-se-ia dizer que pelos seus frutos as podemos conhecer e julgar.

Assim, o que subjaz no referido parecer é a mentalidade pós modernista, “descolonialista”, “multiculturalista”, que invadiu nossas universidades para, a partir delas, formar sujeitos que tomarão decisões desse tipo, em evidente oposição aos valores e instituições que passaram pela consagração pelo uso e pavimentaram o caminho para o mundo civilizado.

A história de como isso ocorreu pode ser compreendida a partir do fundamental “Teorias Cínicas”, de Helen Pluckrose e James Lindsay. Esse livro não apenas esclarece como surgiram certas ideias, mas expõe os danos que essas ideias causam à sociedade.

Dessa maneira, voltando ao caso citado, ele é um exemplo do que ocorre quando assumimos um relativismo cultural, ignorando que algumas culturas são, sim, melhores do que outras. Afinal, evoluímos radicalmente desde que vivíamos como caçadores coletores até o mundo civilizado (ocidental) que hoje habitamos. E, nesse processo, certos valores e instituições se consolidaram, nos tornando mais humanos (plenos humanamente).

Por essa razão não assassinamos e esquartejamos pessoas. Temos o império do direito, a moral e toda uma cultura (ocidental de inspiração cristã) que entende que não podemos agir intencionalmente contra uma vida humana, uma vez que reconhecemos que todos possuem dignidade, a qual é o pilar de todos os direitos considerados humanos, ou fundamentais. Além disso, também assumimos “o desenvolvimento dos direitos humanos universais, a igualdade jurídica de todos os cidadãos adultos, a liberdade de expressão, o respeito pelo valor da diversidade de pontos de vista e pelo debate honesto”, etc. Esses são apenas alguns dos valores que construíram o mundo civilizado ocidental.

Em suma, o ocidente é o ápice de nossa civilização até o presente momento. Nossa cultura moral, jurídica, etc, representa a consolidação de certos princípios que se estabeleceram como “melhores” relativamente à nossa plena realização humana.

Não obstante, a premissa assumida no parecer do antropólogo consultado é claramente relativista, pois ignora princípios fundamentais relativos aos direitos humanos, como sua base, a saber, a ‘dignidade da pessoa humana’. E mesmo nisso tal parecer está em acordo com a ideia pós-moderna, “descolonialista”, para a qual não existem direitos humanos universais.

No entanto, como lemos em “Teorias Cínicas”, “somos todos seres humanos em primeiro lugar e seres humanos de culturas específicas em segundo; (...) É tão perigoso quanto absurdo pretender que que não podemos fazer nenhum julgamento a respeito de práticas de uma cultura diferente da nossa. Apesar das diferenças culturais relativamente pequenas entre países e seitas diferentes, todos nós compartilhamos uma única cultura humana, baseada em uma natureza humana universal”.

Isso significa que, independentemente das diferenças culturais, somos todos seres humanos intitulados a certos direitos fundamentais, os quais estão arraigados à nossa natureza enquanto seres humanos. Portanto, tanto o jovem morto e esquartejado quanto seus assassinos possuem “dignidade”, razão pela qual são invioláveis no tocante aos direitos humanos.

No entanto, os homicidas, nesse caso, talvez não respondam pelo seu crime, pois fazem parte de um grupo de intocáveis. Mas, isso apenas evidencia que nossas instituições já não protegem aqueles valores que elas surgiram para proteger e fomentar: universidades já não fomentam a busca pela verdade, mas o relativismo; o judiciário já não busca pela justiça, mas estimula a chamada “bandidolatria”, a estética já não promove a beleza, mas a feiura; e assim por diante.

Nesse sentido, tal parecer não foi elaborado no vácuo, pois nas últimas décadas se consolidou um relativismo lesivo que não reconhece que certos valores assoalharam o caminho para nossa prosperidade. Dada a danosa ideia de “descolonalismo”, um desdobramento do pós-modernismo, temos acompanhado uma tentativa de causar o colapso de nossos pilares civilizacionais.

Com efeito, para que se possa entender qual a base ideológica da degenerescência de nossas instituições e valores, recomendo efusivamente o livro ‘Teorias Cínicas’, de Helen Pluckrose e James Lindsay. Trata-se de uma obra fundamental para entendermos situações como a do caso citado nesse texto.

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Carlos Adriano Ferraz

Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio doutoral na State University of New York (SUNY). Foi Professor Visitante na Universidade Harvard (2010). É professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL).

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