Inábil, cínica e impertinente: isso não tinha como dar certo mesmo

A (i)moral da história nem é tão complicada como muitos acreditam. Na verdade, é exatamente o contrário. É bastante simples.


O último ato público de Dilma Rousseff no gozo da prerrogativa de foro foi um autorretrato de seu tempo à frente da Presidência da República: inábil, cínica e sem qualquer pertinência temática.

Inábil porque o ato exigia de Dilma a preparação e a busca por alguma emoção numa fala direta, não a má leitura de um texto glacial que — todos sabemos! — não tem uma única frase por ela construída; inábil porque insiste referir-se aos responsáveis por seu julgamento como golpistas e à Constituição Federal como sua algoz; inábil por manter o foco nalgum tempo entre as décadas de 1960 e 1970, quando ‘causas’ e ‘crimes’ eram tintas misturadas a colorir um quadro ‘heroico’; inábil porque tenta fantasiar-se de heroína, quando esta pode ser uma droga!

Cínica porque Dilma revelou-se incapaz de realizar alguma autocrítica e, como economista, expor aquilo que tenha ‘dado errado’ na execução de seus planos, ainda que para honrosamente defendê-los e não indignamente fingir sua inexistência; cínica ao propor novos projetos e pactos, alguns inconstitucionais, quando a expressiva maioria do povo brasileiro já não crê que suas palavras tenham o valor de um vintém; cínica por sustentar uma cândida aura construída pelo marketing pago com dinheiro público roubado, exatamente no momento quando até a faixa presidencial desapareceu do cofre! (veja aqui)

Impertinente porque, como acontecera em boa parte de seus 6 anos 4 meses e 12 dias de (des)governo, escolhe a pior hora para uma manifestação oficial; impertinente por revelar-se cabeça de biela de uma engrenagem de péssimos assessores, incapazes de redigir um texto digno e seu tempo adequado; sem qualquer pertinência temática por acreditar que repetir o mesmo lengalenga dito por sua tropa no Senado Federal nos últimos 90 dias seria mérito maior e mais eloquente que os verdadeiros medalhistas!

Ou você ainda acredita que, se realmente Dilma Rousseff tivesse algo relevante a dizer à Nação, o momento mais adequado seria durante os Jogos Olímpicos Rio 2016?

Cereja desse bolo de tolos, o último ato público da ‘presidenta’ foi imediatamente subjugado pelo despacho de Teori Zavascki, ministro-relator da Operação Lava Jato no STF, determinando a abertura de inquérito criminal contra a própria Dilma por tentativa de obstrução da Justiça, num balaio de gatos que também envolve dois de seus ministros mais próximos (José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante), o líder de seu governo no Senado (o ex-senador Delcídio do Amaral) e o padrinho político Luiz Inácio da Silva, vulgo "Lula".

Todos podem ser condenados e presos por atentar gravemente contra o Estado Democrático de Direito, justamente aquele a quem ela, no texto lido, roga indulgência.

No fundo, é uma pena. O marketing havia construído uma bela biografia para Dilma Rousseff  - ‘coração valente’, lembram disso?! — e ela poderia retirar-se da vida pública como uma "carta fora do baralho", seu melhor e mais elaborado autoelogio.

Para encerrar o conjunto de sua obra, sairá de cena deixando aquele gosto de ‘isso não tinha como dar certo mesmo’. É o que acontece com quem opta por blefar na bisca.

Helder Caldeira

da Redação

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