João Henrique de Miranda Sá

Poeta, escritor, escultor, ator, pintor, fotógrafo, idealizador e realizador de elementos arquitetônicos inusitados, objeto e fruto da arte, mais um daqueles que amam e fazem arte, assim como fazem... amor.

Preconceito: A origem dos malditos

Vivemos no séc. XXI, a maioria das pessoas nasceu no séc. XX, no entanto, ainda convivemos com posturas medievais.

Pesam sobre diversos grupos sociais, as consequências nefastas do preconceito. A rejeição irracional dessas pessoas por aqueles que quase sempre consideram errado tudo o que é diferente deles, gera um estigma sobre tais grupos.

Prostitutas, travestis, homossexuais, dependentes químicos de toda ordem, ex-presidiários, entre tantos outros, são grupos que carregam, onde quer que vão, os olhares ressabiados, ouvem os cochichos e comentários jocosos, convivem com a rejeição pura e simples gerada por um rótulo.

Ignoramos o indivíduo, suas virtudes e talentos, focamos só os vícios (defeitos) e fragilidades.

Não só os indivíduos, mas as instituições a eles relacionadas também são alvo do preconceito e objeto de suas consequências. Comunidades terapêuticas, os hospitais psiquiátricos e os CAPS – Centros de Assistência Psicossocial – por incrível que pareça, são lugares malditos pela sociedade.

É de espantar a insensibilidade de muitos de nós.

A ignorância (o desconhecer) acerca do verdadeiro papel louvável que exercem essas instituições, nesta mesma sociedade que as rejeitam, é um autêntico paradoxo.

Talvez – no dia em que se abata em um dos seus, as consequências de um ato insano, um transtorno mental com todos os sintomas inconvenientes ou a maldição do vício – venham assimilar o fato de que as pessoas que sucumbem a todos esses males, são idênticas a elas.

Talvez, somente quando acontecer consigo mesmo. Talvez, nem assim a pessoa coloque ao seu lado (e não numa posição inferior), aqueles que se distinguem dela.

Nós, os “diferentes”, ficaremos mais aliviados e felizes, quando os ditos ‘normais’ conseguirem vencer seus juízos prévios por alguns instantes, e tentarem (mesmo que não consigam) exercer a empatia com relação a todos que colocam sob seus crivos.

Entendemos que não é uma tarefa fácil se colocar no lugar de quem rejeita, nega diversos aspectos do ser, muitas vezes, desagrada a própria existência. Exercite, tente. Vai ser bom pra todos.

Você que rejeita esse ou aquele grupo, profissão ou condição, já parou para pensar que muitas dessas pessoas a quem você amaldiçoa, convive contigo, com seu preconceito, comentários e piadas, em silêncio generoso, caridoso, sem sequer se manifestar?

É de amor que fala este artigo, amor e lacunas onde ainda não há amor.

Vamos todos amar incondicionalmente o semelhante, afim de que sejamos tolerados com todos os nossos defeitos; afinal, ninguém é perfeito.

João Henrique de Miranda Sá é escritor e redator autônomo
jhmirandasa.gmail.com
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João Henrique de Miranda Sá

Poeta, escritor, escultor, ator, pintor, fotógrafo, idealizador e realizador de elementos arquitetônicos inusitados, objeto e fruto da arte, mais um daqueles que amam e fazem arte, assim como fazem... amor.

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