O império do cangaço impune contra-ataca

Papa dessa turma e certo da prerrogativa de ‘foro privilegiado’ que amaina seus crimes, Renan Calheiros partiu para o ataque: chamou de "juizeco" o titular da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília; vociferou contra a Polícia Federal e o Ministério Público Federal; e sobrou até para Alexandre de Moraes, titular do Ministério da justiça e Cidadania, chamado de ‘mero chefete de polícia’.


Numa espécie interessantíssima de autocrítica, Renan justificou suas virulentas palavras como ‘defesa das Instituições da República e do Estado democrático de direito’.

Convenhamos, é bizarro!

No dia seguinte, durante a abertura da sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a ministra Carmen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, respondeu à investida de Renan Calheiros, mas sem citar seu nome, como manda a hipocrisia litúrgica do ‘convívio democrático’ de Suas Excelências.

Disse Carminha: ‘Queremos também... queremos não, exigimos o mesmo e igual respeito para que a gente tenha a democracia fundada nos princípios constitucionais, nos valores que nortearam não apenas a formulação, mas a prática dessa Constituição. Todas as vezes que um juiz é agredido, eu e cada um de nós juízes é agredido." [Fonte: G1 ] 

Cá entre nós, trata-se apenas de uma cênica troca de farpas. Nada além disso. Renan tenta invalidar as provas da Operação Métis e a togada ministra segue o protocolo da ‘defesa intransigente do Estado democrático de direito’, tal qual fizeram todas as associações de magistrados e os muitos lados dessa bizarrice institucional tupiniquim.

No fim dessa história, capitaneados pelo presidente Michel Temer, estarão todos juntinhos no próximo final de semana, abraçados, trocando palavras carinhosas, durante a esdrúxula cúpula que pretende discutir um suposto ‘(Super)Plano Nacional de Segurança Pública’. Lindas fotos que vão estampar os jornais de segunda-feira para alegrar o (ir)respeitável público do circo. E só.

Senão, responda: em que país minimamente sério e civilizado um político denunciado pela reiterada prática de crimes de colarinho-branco em mais de uma dúzia de processos, que tramitam há mais de uma década no STF, continua livre, leve, solto, presidente de uma dos Poderes da República e segunda na linha sucessória doutro Poder?

O Brasil é um caso crônico de falta de vergonha na cara.

#BananeiraJeitinho 

Helder Caldeira

da Redação

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