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Esse malandro, queiram ou não, é no momento, o homem mais poderoso do Brasil

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O senador alagoano Renan Calheiros é, hoje, o homem mais poderoso do Brasil. Malandro de primeiro naipe, ele articula os fatos de tal forma a restar em suas mãos os grandes movimentos de impacto na vida pública deste país. Neste momento, por exemplo, Renan usa em seu favor o trâmite da PEC 241, o famigerado ‘teto para os gastos públicos’.

De acordo com a repórter Andreia Sadi, da Globo News, neste momento Renan está negociando com os togados ministros do Supremo Tribunal Federal para que um deles faça um ‘pedido de vista’ e interrompa o julgamento da ADPF impetrada pela Rede Sustentabilidade. Na ação, o partido argumenta que o presidente da República não pode, no exercício das funções, responder a ações penais por crimes comuns.

Uma decisão do STF pode afetar Renan. Seu mandato na Presidência do Senado Federal vai até fevereiro de 2017 e, como tal e até lá, Sua Excelência permanece como segundo na linha sucessória da Presidência da Reública Federativa do Brasil, mesmo sendo alvo de 11 inquéritos que tramitam na Corte.

Vale lembrar: em maio, o Supremo decidiu por unanimidade suspender o mandato e afastar Eduardo Cunha da Presidência da Câmara do deputados. À época, o ministro Teori Zavascki afirmou que Cunha não se qualificava para assumir eventualmente a Presidência da República por ser réu em ação penal. Naquele mesmo mês, a Rede ajuizou a ADPF para garantir a consolidação de jurisprudência de ampla repercussão.

O que uma coisa tem a ver com outra? Em 04 de outubro, o ministro Luiz edson Fachin liberou para julgamento em plenário a denúncia da Procuradoria Geral da República contra Renan naquele escândalo de 2007 — ou seja, quase dez anos apenas para julgar se aceita ou não uma denúncia! —, quando o Brasil descobriu que a empreiteira Mendes Júnior pagava propinas ao senador e bancava as despesas pessoais da jornalista-amante e do filho.

Resumindo a ópera do malandro, se o STF julgar procedente a ADPF da Rede e, em seguida, acatar a denúncia da PGR contra Renan, finalmente tornando-o réu numa ação penal, a conclusão é óbvia: ele perde imediatamente a Presidência do Senado e pode ser afastado do mandato, tal como aconteceu com Cunha.

Mas, o neo-Lampião está atuando nas sombras para convencer algum togado-aliado a pedir ‘vista’ numa das ações, retardando por tempo indeterminado seu julgamento. Alguém duvida que ele não vá conseguir a ‘ajuda’ de uma das supremas vestais?!

Digo e repito com frequência: tomar a ministra Cármen Lúcia como ‘salvadora da Pátria’ é incorrer no eterno erro do povo brasileiro. Por mais que ela esteja chateadinha com a verborragia de Renan contra ‘juizecos’ e ‘chefetes’, seu suposto poder está limitado à nauseabunda composição atual do STF, certamente a pior da história.

Renan vai escapar... e o Brasil continuará na lama. É lamentável, eu sei. É triste, também sei. Mas, esse é o país que construímos, que estamos mantendo e que pouco estamos trabalhando para mudar.

Quando ratos de colarinho-branco e minhocas de toga bradam a defesa do Estado, é certo que uma Nação naufragou.

Coisas de #BananeiraJeitinho... 

Helder Caldeira

da Redação
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