Dilma está 65% mais magra - Parte I

A gordura de suas veleidades está derretendo. Isso tem explicação.

O Datafolha divulgou uma nova pesquisa sobre a avaliação do governo da Presidente Dilma Rousseff. Segundo o instituto, o índice de reprovação do governo é o pior desde o início do seu primeiro mandato. As pesquisas depois da reeleição mostram que em dezembro os que achavam o governo de Dilma ruim ou péssimo eram 24%; em fevereiro 44%; em março 62%; em abril 60%; em junho 65%.

A gordura de suas veleidades está derretendo. Isso tem explicação.

Resumo aqui um tanto de fatos veiculados na imprensa nacional no primeiro semestre do segundo mandato presidencial refletidos e encerro com um pequeno adendo.

Nenhuma novidade que não fosse esperada.

Há mais de dez anos no poder e no tempo que o antecede, o PT sempre fabricou sonhos e utopias. Com pequenos deslizes aqui e acolá, comuns a qualquer um que inicie uma jornada, o Partido dos Trabalhadores pôs em marcha o seu Plano de Governo sob os olhares esperançosos de milhões de brasileiros. Novas oportunidades surgiram, empregos, programas sociais, investimentos de grande vulto, internos e internacionais, fortalecimento na área da educação – ENEM, SISU, PROUNI, PRONATEC –, medidas de facilitação e incentivo ao consumo – renúncia fiscal – moradia – Minha Casa Minha Vida, aumento do salário mínimo, entre outros tantos. – Tudo uma bolha! E bolha, estoura.

Pelo que se vê, ou o governo não tinha a capacidade financeira, ou não tinha capacidade administrativa ou contava com o absoluto sucesso de que as manobras fiscais nas contas governamentais suportariam por tempo adequado ser a cortina que encobriria todas as mentiras. Mas, no caminho do PT havia um Roberto Jeferson e tudo passou a desandar.

Com a descoberta de um grande esquema de variados crimes conexos, em concurso de pessoas, que recebeu a alcunha de Mensalão, teve início a decadência. Ainda assim, o PT continuou contando com prestígio junto a população, apesar de, ilustres de seu partido terem sido acusados, presos, julgados e condenados juntamente com figuras de menor importância na seara política. Alguns já estão soltos, seja em razão do regime de progressão de penas, seja pelo reconhecimento legal da extinção da pena. Verdade seja dita: Lula e seus sectários mantiveram-se firmes e até orgulhosos, como se tivessem vencido uma luta reacionária contra as classes dominantes e enfrentavam as decisões judiciais como heróis do povo.

Quando a poeira parecia baixar, um novo escândalo: o Petrolão!

Novas investigações, novos indiciados, novos e velhos crimes e agora, personagens da Classe Dominante, tão combatida pelo ideário do Partido dos Trabalhadores em sua história, surgem em conluio com os representantes da Classe dos Trabalhadores.

O Governo petista, resistente, leva a cabo a negação de envolvimento com os fatos criminosos que a cada semana vinham à luz através da imprensa. Lula, como sempre, nunca viu, nunca ouviu, nunca soube, chegando a dizer sentir-se traído e mais tarde, reafirmar que não acreditava que tudo tivesse acontecido. Dilma, esquiva-se como pode e não abre mão de ouvir as instruções de seu predecessor de como conduzir-se na posição de Chefe de Estado e Chefe de Governo, ainda que não as siga como quer o seu criador.

A operação Lava-jato, iniciada pela Polícia Federal Brasileira levou ao Mensalão. No Judiciário, o Juiz-Presidente da Instrução Criminal Sérgio Moro, surge como paladino da justiça e novo herói dos inconformados.  

Na instrução criminal e com a peça acusatória da Denúncia, o Juiz Sérgio Moro terá plenas condições de perceber a extensão dos crimes e, se convicto, mandar investigar, inclusive, governos passados. Lógico, tem sido alvo de pesadas críticas dos petistas e seus asseclas. O que é admirável é o governo insistir em não reconhecer seus defeitos próprios, passando uma mensagem extremamente deletéria da governança a que estamos sujeitos, para o mundo e parceiros comerciais mais sérios. E deu tão certo que Dilma reelegeu-se. Em suas promessas de campanha, o que é já do conhecimento de todos, tudo o que disse que faria, não fez; tudo que disse não faria, fez. E continua fazendo e desfazendo.

A hipocrisia não cessa.  Nossa gasolina subiu mais de uma vez de preço desde o início do ano. A energia elétrica e a água também tiveram os seus preços majorados. A inflação superou o teto da meta; ainda que fatores sazonais e acontecimentos imprevisíveis como a seca atípica que começa a retrair-se, não justificam por si sós a alta generalizada de preços. As expectativas de crescimento do PIB em 2015 e 2016 já estão próximas de zero conforme últimas pesquisas, e o PIB de 2014 ficou perto de zero, contradizendo o que já não era boa notícia. A Petrobras é alvo de investigações dentro e fora do país - não bastasse a revelação do extraordinário rombo e do roubo envolvendo a petrolífera brasileira, recentemente a empresa foi destaque pelo acidente na plataforma "offshore" com mortes de funcionários. As hidrelétricas precisam ser ajudadas pelas termelétricas que agora, dizem, não suportarão por muito tempo em razão de suas obsolescências. Os parques de geração de energia eólica continuam em passos de tartaruga por insuficiência da rede de transmissão. A energia solar continua na pauta de baixo do governo petista. O dólar encostou rapidamente em R$ 3,00 e o ultrapassou. As especializadas internacionais em análises de risco rebaixam as notas do Brasil boletim após boletim. Na Bolsa de Valores há sempre uma má expectativa em relação as ações da Petrobras. Há não muito tempo, na abertura do pregão as ações da petrolífera demonstravam uma leve, mas promissora recuperação; surge a Presidente Dilma diante dos jornalistas para defender o indefensável. A cantilena de Dilma: “não há Petrolão; a Petrobras não cometeu malfeitos e sim alguns funcionários; os empresários envolvidos no mega-esquema de propinas devem responder por seus atos, mas as empresas devem ser protegidas”, e outras tantas bobagens de praxe da governante néscia. Pronto! Foi o suficiente para o mercado reagir e os índices da Bovespa recuarem rapidamente.

Mas, há festas nesse Brasil.

Neste carnaval, a Beija-Flor ganhou perdendo. Veio à baila notícia de um financiamento feito por um Ditador Africano no valor de R$ 10 milhões à escola de samba. A Guiné Equatorial, de quem o Brasil era credor de uma dívida de algo em torno de 27 milhões de Reais, obteve do Governo Dilma Rousseff a anistia desta dívida. Obiang, o Presidente Africano mais longevo da história atual, registrou o seu nome e lustrou a sua história junto aos brasileiros, ofuscando o terror e opressão que imprime contra o seu próprio povo; fez os brasileiros encantados pelo enredo e a mirabolante apresentação de artistas da ilusão, pensar tratar-se de um país maravilhoso e que merece a mão estendida do resto do mundo. O que não sabem? – O seu Presidente é um Ditador corrupto e implacável. Alçou o Poder que pertencia ao seu tio – a quem mandou matar – e governa o país por cerca de quase quatro décadas; seu filho – Teodoro Nguema Obiang Mangue, conhecido como Teodorin – é o Vice-Presidente da Guiné Equatorial, e é alvo de investigações por lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes pelas Justiças da França e dos EUA. Consta, segundo a mídia que, no Brasil, Teodorin possui pelo menos oito veículos de luxo, entre eles um Lamborghini Aventador, um Maserati e um Porsche Cayenne, que custam juntos cerca de R$ 30 milhões, além de imóveis de luxo, sendo dois deles, como exemplo, uma cobertura de 1.500 metros quadrados no edifício L’Essence, no bairro dos Jardins, em São Paulo, cujo valor estaria em torno de R$ 56 milhões, além de um apartamento de luxo no Rio.

Num país de governo vulgar, só se pode esperar reações ordinárias. Dilma e Lula encampam um projeto que não se coaduna com uma potência de vontade de construção de Nação. E mais perigoso se torna quando, ainda há muitos que não conseguem enxergar para onde isso pode nos levar. Vejam o que acontece com os nossos vizinhos latino-americanos. Kirchner é denunciada por um promotor por crimes de improbidade que aparece morto logo em seguida. Na Venezuela, as notícias da prisão arbitrária de um prefeito democrata por ser oposicionista do governo de Nicolas Maduro, pode ser o retrato do Brasil de amanhã, embora eu próprio acredite que nossas instituições sejam mais fortes e consolidadas, e não permitirão a legalização de arbitrariedades como prisões sem justa causa e assassinatos de civis inocentes; ou, permitir que um insensato ou louco, que conversa com passarinhos, conduza o nosso país.

De Spinoza: “Quae ad hominum communem societatem conducunt, sive quae efficiunt, ut homines concorditer vivant, utilia sunt, et illa contra mala, quae discordiam in civitatem inducunt”. (É útil aquilo que conduz à sociedade comum dos homens, ou seja, aquilo que faz com que os homens vivam em concórdia e, inversamente, é mau aquilo que traz discórdia à sociedade civil)

Prezados leitores, essa retrospectiva não termina aqui. Nas próximas edições, a Segunda Parte.

JM Almeida

JM Almeida

João Maurino de Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. 

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