Depois de ameaçar derrubar a República, Marcelo Odebrecht tenta ocultar provas

Parece que o impeto inicial do empresário está se esvaindo

A Justiça terá que endurecer o cerco ao empresário Marcelo Odebrecht, caso queira que ele abra a boca e entregue tudo sobre o "Petrolão". Após o impeto inicial, evidentemente surpreendido com a prisão, o presidente da Construtora Odebrecht dá mostras de que não pretende prestar para a Justiça as informações valiosas de que obviamente tem conhecimento ou de que, pelo menos, tentará fazê-lo absolutamente de acordo com suas conveniências pessoais e empresariais. 

A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira ao juiz da Operação Lava-Jato, Sergio Moro, que apreendeu com o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, bilhete manuscrito em que ele ordena "destruir e-mail sondas" (sic). 

O papel foi apreendido na segunda-feira (22) pela Polícia Federal, que informou: "Como de praxe as correspondências dos internos são examinadas por medida de segurança". 

Em comunicado ao juiz Sergio Moro, o delegado da Polícia Federal Eduardo Mauat, asseverou:

“Informo V. Exa. que na data de 22/06/2015 por volta das dez horas da manhã, policiais que atuam na carceragem desta Regional receberam um bilhete manuscrito das mãos do custodiado MARCELO BAHIA ODEBRECHT, o qual, segundo o mesmo, seria entregue aos advogados que se encontravam presentes. Como de praxe as correspondências dos internos são examinadas por medida de segurança, tendo chamado a atenção da equipe a expressão 'destruir e-mail sondas', o que motivou fosse feita uma fotocópia do documento, entendendo os policiais que não haveria problema na entrega do original aos advogados, uma vez que os mesmos iriam ter contato com o preso de qualquer maneira na sequência”, afirma o delegado Eduardo Mauat.

“Partindo do principio da boa-fé, malgrado a gravidade do tema, solicitamos aos profissionais citados que apresentassem a via original do documento. Na manhã de ontem, vieram ao meu gabinete os profissionais dr. Rodrigo Sanches Rios e dr.a Dora Cavalcanti Cordani, os quais ponderaram que o verbo 'destruir' se referia a uma estratégia processual e não a supressão de provas, destacando que o documento original teria sido levado a São Paulo por outro advogado e que iriam apresentá-lo”, acrescentou.

O e-mail a que se refere Marcelo Odebrecht foi usado como prova pela PF para prender o empresário, que teria sinalizado na mensagem datada de 2011, de acordo com os investigadores, ter conhecimento da prática de sobrepreço na empresa. A conversa trata com outros funcionários da empreiteira da colocação de sobrepreço de US$ 25 mil por dia em contrato de afretamento e operação de sondas. O documento também envolve a Sete Brasil, empresa criada para produzir sondas para o pré-sal.

Em manifesto divulgado à imprensa na segunda-feira, a companhia afirma que, no e-mail endereçado à Odebrecht, a palavra "sobrepreço nada tem a ver com superfaturamento, ou qualquer irregularidade. Representa apenas a remuneração contratual que a empresa propôs à Sete Brasil". 

Acredite quem quiser...

da Redação

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