Fazendo Justiça à memória de um jornalista assassinado

Na falta do que dizer, a pobre imprensa diz inverdades e conta histórias distorcidas, para atrair o público ou por pura maldade.


Assim tem feito a imprensa de Mato Grosso do Sul com relação ao jornalista Nicodemos Moura Rodovalhos de Alencar, assassinado cruelmente nesta terça-feira (27) em uma rua do bairro Nova Lima, em Campo Grande.

Supostamente, o envolvimento com uma garota de 18 anos teria motivado o crime, mas não é desse caso que vamos tratar. Isto ainda será apurado pelas investigações.

Nicodemos era uma pessoa do bem, séria, sem absolutamente nada que desabonasse a sua conduta.

Jornalista, com passagem por diversos veículos de comunicação, diante das dificuldades impostas pela profissão e dos baixos salários praticados na área, resolveu fazer concurso para a Polícia Civil, aos 43 anos de idade, durante o governo de André Puccineli, que não o tinha em boa conta. Aliás, o ex-governador odeia jornalista sério.

Inteligente, mesmo afastado a muito tempo dos bancos escolares, ‘Nico’ foi aprovado, entre os cinco primeiros colocados.

Um ano após a aprovação, o jornalista, então com 44 anos, foi chamado para o curso de formação da Academia de Polícia de Mato Grosso do Sul.

Aprovado no curso de formação, ‘Nico’ foi impedido de tomar posse, pois, quando findou o certame, ele já havia completado os seus 45 anos de idade, idade limite estabelecida no edital.

Com uma liminar conferida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Nicodemos foi empossado, gerando um clima de extrema insatisfação nas hostes do governo.

Após a concessão da liminar, por pura maldade, safadeza explícita, Nico foi afastado de Campo Grande, lotado na fronteira, em Coronel Sapucaia (MS).

De acordo com as normas estabelecidas no edital ele, em razão de sua colocação no concurso, tinha o direito de optar por Campo Grande. Seria uma nova briga judicial.

Uma vez policial civil, Nico começou a questionar algumas práticas adotadas na polícia. Inflamou a ira das ‘autoridades’.

Não tardou para que lhe armassem uma arapuca. Arrumaram uma acusação falsa de que ele teria mantido relações sexuais com uma menor de idade.

A Diretoria Geral de Polícia Civil rapidamente montou um procedimento administrativo e demitiu Nicodemos, sumariamente.

Na Justiça ele provou sua inocência e foi absolvido. Ultimamente preparava-se para retornar aos quadros da polícia pela via judicial, onde certamente seria indenizado pelo tempo que ficou injustamente afastado.

Nicodemos merece respeito.

Que Deus o tenha!

Lívia Martins

liviamartins.jornaldacidade@gmail.com

da Redação

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