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Em frente ao STF, advogados de presos do 8 de janeiro tomam uma das atitudes mais corajosas da história (veja o vídeo)

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A ASFAV - Associação de vítimas e familiares de 8 de janeiro, criada em abril deste ano com objetivo de denunciar as arbitrariedades da justiça brasileira contra manifestantes do dia 8 de janeiro, e que, portanto, estes são vítimas disso, mais uma vez toma uma atitude de forte apelo para a política e para nosso judiciário.

Em julho, a presidente da ASFAV foi ouvida na Comissão de Segurança Pública do Senado Federal, mas de nada adiantou suas colocações e defesa, além das denúncias que ali fez contra as arbitrariedades dos inquéritos contra os presos, desde a inicial. O processo continuou, afeito às vontades exclusivas dos ministros do STF, e assim foram marcados os primeiros julgamentos do caso na mais Alta Corte do País.

Ainda que tenham acontecido as condenações, diga-se, com dosimetria totalmente descabida, conforme apontado por vários juristas, e que todos sabiam desde desfecho, o que mais chamou a atenção foi a postura firme e objetiva do desembargador aposentado Sebastiao Coelho, agora advogado de uma destas vítimas. Na defesa de seu cliente, de forma presencial, frente a frente com os onze ministros da corte, disse, com todas as letras, que os ministros são as pessoas mais odiadas do Brasil.

A partir disso, o suficiente para uma reação estranhíssima ao rito de julgamentos, o ministro Alexandre de Moraes solicitou à presidente do STF, Rosa Webber, que os próximos julgamentos acontecessem no sistema virtual e com a defesa dos advogados sendo apresentada por áudio. E de nada adiantou o apelo da OAB para que essa decisão fosse revista. Foram atropelados! 

Noves fora que as arbitrariedades se superam cada vez mais, agora foi a vez dos advogados darem uma resposta de reação, indignados e inconformados que estão.

Alguns advogados montaram uma espécie de púlpito do lado de fora do STF, nesta segunda-feira (25), para promoverem a sustentação oral de suas defesas, devidamente trajados como se no plenário estivessem. O advogado Ezequiel Silveira apresentou o evento, com as referidas explicações, e fez a sustentação oral em defesa de seu cliente, ao vivo, e com o prédio do STF ao fundo. E de forma corajosa, dizem: Não seremos intimidados, conforme inscrição de suas camisetas.

Ao meu ver, podemos concluir que o judiciário brasileiro jogou os advogados na rua. É exatamente isto que aconteceu!

Assista o vídeo (legendado em português e inglês):

Em meu livro "Perdeu, Mané!", faço questão de detalhar - de um ponto de vista histórico e político -  o motivo pelo qual o Judiciário brasileiro se encontra no estado em que está. O próprio desembargador Sebastião Coelho é citado.

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Foto de Alexandre Siqueira

Alexandre Siqueira

Articulista

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