Dois vídeos e um artigo magistral: A estratégia para sabotar a democracia

15/01/2024 às 08:19 Ler na área do assinante

Apresento dois vídeos curtinhos, mas eloquentes sobre a tragédia político/jurídica que se abate sobre este infeliz Brasil. Assista-os, assuste-se, indigne-se, mas não se renda:

TODA DITADURA TRAZ EM SI O GERME DA PRÓPRIA DESTRUIÇÃO.

Esta ditadura do esquema Lula/STF certamente também terá um fim, e um fim sem honra - como sem honra é sua existência – da forma que o tiveram e terão todas as ditaduras. Seus atores certamente, em breve, estarão depostos na LATA DE LIXO DA HISTÓRIA das ditaduras. Esta é a grande lição que a História que nos ensina. Desanimar é proibido!

Não aceitar passivamente a tragédia imposta ao Brasil por aquilo que J. R. Guzzo chama de “Junta de Governo Lula/STF”, é um dever imposto pela civilização a cada um dos que rejeitam o arbítrio, a o abuso jurídico e constitucional desta vergonha brasileira que se tornou o governo da República e o seu valhacouto, o STF.

Eis os dois vídeos anunciados. Na sequência, apresento a íntegra de um artigo magistral de J. R. Guzzo, sobre o teatro ridículo montado em Brasília, aproveitando um ano dos lamentáveis eventos de 08/01/2023:

Eis o artigo de J. R. Guzzo com o título: “É proibido ter paz”, publicado originalmente na Revista Oeste:

O governo Lula, o Supremo Tribunal Federal e o seu sistema de apoio resolveram que o dia 8 de janeiro de 2023 não acabou e, no que depender deles, não vai acabar nunca. Acabaram de fazer uma comemoração oficial da data; é o mais recente dia santo do calendário brasileiro. Utilizaram a oportunidade para insistir, como vêm fazendo há um ano, que a balbúrdia ocorrida naquele dia em Brasília foi uma “tentativa de golpe de Estado”. É uma alucinação. Um ano inteiro de investigações sobre o caso, no STF e na grande delegacia de polícia em que se transformou o serviço público no Brasil, não conseguiu produzir uma única prova de golpe, ou de qualquer coisa remotamente parecida com um golpe. Mas não é só isso — mais uma invenção como as obras do PAC, a nova posição de “líder mundial” atribuída ao presidente Lula e a picanha. O “8 de janeiro” perpétuo tem um propósito muito mais destrutivo: impedir que o Brasil volte a ter um ambiente de paz política, de convívio entre ideias diferentes e de liberdade real para escolher os governantes pelo voto de todos os cidadãos.
Ninguém colocou isso de uma maneira mais clara que o ministro Alexandre de Moraes — o orador principal do comício vetado para o público e cercado por 2 mil policiais que a junta de governo Lula-STF montou para incrementar a campanha de perenização do “golpe”. O ministro disse que paz não significa “apaziguamento”, que no seu entender é uma postura “ignóbil”. Chegou, num impulso, a comparar o miserável quebra-quebra de Brasília, no qual a arma mais perigosa foi um estilingue e ninguém precisou receber um único band-aid, com a Segunda Guerra Mundial, em que morreram mais de 50 milhões de pessoas e que só acabou depois da explosão de duas bombas atômicas. Mais: igualou a atitude de rejeitar a paz no Brasil de hoje com o que fez Winston Churchill 85 anos atrás, ao recusar as propostas de pacificação com a Alemanha de Hitler. Lula, no meio de um xis-tudo quase incompreensível, disse que “não há perdão para quem atenta contra a democracia”. Uma governadora do PT repetiu a palavra de ordem da esquerda extremista: “Sem anistia”.
Como é possível achar algum ponto de contato entre a baderna de Brasília e a Alemanha Nazista — ou respeitar gente que se declara contra a ideia fundamental da compaixão humana, presente em todos os apelos por anistia? Não tem nenhum nexo, mas nada do que estão pregando é para fazer nexo. Afinal das contas, a ex-presidente do STF já disse que os tumultos do dia 8 de janeiro foram o nosso Pearl Harbour — o bombardeio do Japão que fez 2,4 mil mortos no Havaí e jogou os Estados Unidos na Segunda Guerra. Por que não permitir, nesse caso, que o seu colega se escale para o mesmo time de Churchill? O que todos eles querem é dizer que o Brasil está numa situação de vida ou morte, com golpistas de altíssima periculosidade prontos para acabar a qualquer momento com a democracia. Para impedir que façam isso, então, é preciso deixar que a junta STF-Lula faça “tudo o que for necessário” para salvar o país. Esse “tudo” inclui, mais que qualquer outra coisa, o racionamento geral da liberdade no Brasil. Democracia acima de todos. Alexandre de Moraes (e depois Lula, Janja etc.) acima de tudo.
O fato objetivo é que um Brasil de normalidade política, com debate livre, eleições limpas e a vitória de quem teve mais votos é a última coisa que o consórcio STF-Lula quer. Para sobreviverem precisam de ilegalidade, e para manter a ilegalidade é preciso um fantasma que ameaça a todos e contra o qual é lícito fazer tudo. É o único caminho que resta: quando não existe apoio da maioria do povo, cumprimento da lei é perigo de morte. Tem sido assim desde que Alexandre de Moraes abriu, cinco anos atrás, um inquérito ilegal para combater o que chamam de “atos antidemocráticos”. É ilegal porque é perpétuo. Dá ao STF funções que a lei não lhe permite ter. Abrange todos os tipos de acusação que o ministro quer fazer — um bate-boca com ele mesmo no Aeroporto de Roma, por exemplo, ou alguém chamar o ministro da Justiça de “gordola”. Suprime direitos constitucionais dos acusados, a começar pelo direito de defesa. Ignora o processo legal, impõe censura às comunicações e toca a Polícia Federal em cima de grupos de WhatsApp. Corre em sigilo. Não há nada de parecido, em suma, em nenhuma democracia séria do mundo.
É óbvio que o consórcio STF-Lula quer que tudo continue assim; num regime efetivamente democrático, com respeito à lei, aos direitos individuais e às liberdades públicas, não há lugar para ele. Não é o seu bioma. Tem de ter um TSE que diz “missão cumprida” quando faz a diplomação de Lula como presidente da República. Tem de ter, aliás, um TSE exatamente como este, e exatamente com as mesmas urnas. Tem de ter um STF que tira Lula da cadeia onde cumpria pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; até hoje ele não foi absolvido nem da corrupção nem da lavagem, mas está na Presidência da República porque os ministros anularam os seus processos. Não é inocente, porque nenhuma autoridade legal declarou até hoje a sua inocência. Mas “não deve nada à Justiça”, segundo sentença da Rede Globo, e não estaria onde está hoje se não fosse pelo que o STF fez — como fez questão de dizer em público um dos ministros da “suprema corte”. Seu mundo ideal é o mundo sem lei dos inquéritos de Alexandre de Moraes e dos processos, igualmente ilegais, contra os participantes do “golpe de Estado” de 8 de janeiro de 2023.
O Brasil do consórcio Lula-STF precisa de “atos antidemocráticos”, de “golpes” imaginários e de ameaças que simplesmente não existem para justificar a ilegalidade geral que o mantém de pé. Se alguma dessas coisas tivesse algum ponto de contato com a realidade dos fatos, por que cinco anos de investigação, com todo o peso e os bilhões de reais da máquina estatal, não teriam sido capazes de provar até hoje nenhum perigo minimamente sério para a democracia — nem um que seja? É simples: se não descobriram nada, é porque nunca existiu nada para ser descoberto. O “golpe” do dia 8 de janeiro é a ficção mais ambiciosa que o STF, Lula e a esquerda nacional, com o apoio da maioria da mídia, já montaram em sua estratégia básica de sabotar a democracia gritando o tempo todo “em defesa” da democracia. Já há 30 condenados a até 17 anos de cadeia por estarem presentes ao quebra-quebra, outros mil aguardam julgamento, e o ministro Moraes veio com a prodigiosa notícia de que seria enforcado pelos “golpistas” na Praça dos Três Poderes — mas de golpe mesmo não há absolutamente nada, nem vai haver, porque nunca houve golpe nenhum.
Lula, o STF e os jornalistas querem convencer a população de que viram, realmente, a Mula Sem-Cabeça passar por Brasília querendo derrubar o governo, acabar com os programas de “combate à fome” e transformar a Amazônia num monte de cinzas. Para evitar esses horrores, então, deve-se permitir que o ministro Moraes cuide de tudo, que o ministro Toffoli anule R$ 10 bilhões que uma empresa amiga tinha de recolher ao Erário e que o ministro Barroso continue vivendo, como ele mesmo diz, para “a história”. Tudo bem: como mice and men, nas palavras de Robert Burns, eles podem ter the best-laid plans. (Embora esses melhores planos, como lembra o poeta, frequentemente acabem não dando certo — mas isso já é uma outra história, que fica para uma outra vez.) No momento, com certeza, estão podendo fazer os planos que quiserem, sobretudo quando têm as Forças Armadas servindo como a sua empresa privada de segurança. Se quiserem nomear o Pato Donald para a próxima vaga no Supremo, por exemplo, nenhum problema — os senadores Romário, Mara Gabrilli e mais uns 50 vão achar que é uma ótima ideia. O problema é dizer que houve uma “tentativa de golpe” e pretender que alguém leve isso a sério.
É claro que ninguém leva: na última pesquisa de opinião sobre o assunto, só 20% dos entrevistados disseram que acreditam no “golpe”. Como poderia ser diferente? Caso Lula e o STF estivessem dizendo algo próximo à verdade, estaríamos diante de um dos mais prodigiosos fenômenos da história humana — o golpe “não presencial”. Pela primeira vez em 10 mil anos de vida fora das cavernas, o acusado de se beneficiar do golpe não dá o golpe enquanto está na Presidência da República e tem sob o seu controle toda a máquina do Estado, mais o comando supremo das Forças Armadas — segundo está escrito no artigo 73 da Constituição. Em vez de aproveitar isso tudo, não faz nada até o último minuto do seu mandato. Ao contrário: deixa o sucessor tomar posse tranquilamente e vai embora do país. Daí, oito dias depois de sair do governo, e estando nos Estados Unidos, resolve dar o golpe. Pode? É a primeira vez na história, também, que alguém tenta dar um golpe de Estado usando estilingues como arma. Nunca houve, igualmente, um golpe sem se declarar a vacância do cargo de presidente — e a proclamação de alguém para ocupar o lugar vago.
O “golpe” de Lula, do STF e da mídia não teve Exército, paraquedista ou fuzileiro naval. Tinha até vendedor de algodão-doce — mas militar, que é bom, não tinha. É extraordinário, no caso, que os golpistas jamais tivessem tido um plano de ação. Quem faria o que, como, quando, onde e por quê? O único plano do qual se falou até hoje foi o enforcamento do ministro Alexandre de Moraes, mas em matéria de prova, nada — nem 1 metro de corda. Nenhuma das pessoas acusadas do “golpe” tinha a mais remota influência política, contato com algum gato gordo do Estado ou capacidade para organizar nada. Não houve nenhuma informação sobre o que os “golpistas” iriam fazer a respeito do Congresso, dos governadores ou do próprio STF — a não ser o linchamento de Moraes que, segundo a própria PF, foi um “delírio de internet”. A propósito, foi também o primeiro golpe pelo WhatsApp a ser registrado na história universal. Mais espantoso que tudo, talvez, seja o fato de que ninguém até hoje se sentiu ameaçado por nada do que os “golpistas” fizeram.
Pelo que diz a propaganda do consórcio, o povo brasileiro foi salvo de uma ditadura. Mas por que o povo brasileiro nunca soube disso? Todos deveriam estar lotando a Avenida Paulista, a Praia de Copacabana e a Esplanada dos Ministérios para comemorar o primeiro aniversário de sua salvação. Mas não havia um único brasileiro de carne e osso na cerimônia de Lula, do PT e do STF; se alguém tivesse tentado ir, aliás, teria sido preso pela polícia que cercou o Senado e não deixou ninguém chegar perto. Sobrou, no fim das contas, só aquilo que se chama hoje de “narrativa”. É em cima dela que o consórcio vai tentar continuar governando o Brasil. Não tem nenhuma outra ideia.

José J. de Espíndola

Engenheiro Mecânico pela UFRGS. Mestre em Ciências em Engenharia pela PUC-Rio. Doutor (Ph.D.) pelo Institute of Sound and Vibration Research (ISVR) da Universidade de Southampton, Inglaterra. Doutor Honoris Causa da UFPR. Membro Emérito do Comitê de Dinâmica da ABCM. Detentor do Prêmio Engenharia Mecânica Brasileira da ABCM. Detentor da Medalha de Reconhecimento da UFSC por Ação Pioneira na Construção da Pós-graduação. Detentor da Medalha João David Ferreira Lima, concedida pela Câmara Municipal de Florianópolis. Criador da área de Vibrações e Acústica do Programa de Pós-Graduação em engenharia Mecânica. Idealizador e criador do LVA, Laboratório de Vibrações e Acústica da UFSC. Professor Titular da UFSC, Departamento de Engenharia Mecânica, aposentado.

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