Guilherme Rasador

Guilherme Rasador é acadêmico de Relações Internacionais.

Crise migratória - Parte 3: A Europa e o Islã: sobre a imigração inconsequente e seu mal

Consideremos a expressão migratória ideal. Nela, o imigrante se submete ao país que o acolhe. Essa suposição idealista, contudo, está longe de ser real no que concerne o imigrante islâmico. O que vemos hoje na Europa, nesse sentido, está longe de ser a ideal europeização do Islã. O que vemos justamente é o oposto. O Islã não reconhece nada que não seja ele, e é por isso que, aonde quer que se estabeleçam, acabam por promover a supressão da cultura local, já que veementemente acreditam em sua supremacia, baseada essencialmente em preceitos religiosos. A esquerda, por sua vez, com seus discursos multiculturais, promove uma verdadeira dança da morte entre culturas antagônicas, e que por esse motivo, serão incapazes de conviver ou coexistir.

Proponho um recuo no tempo. Quando consideramos as reais consequências de movimentos imigratórios, o caso do Líbano se apresenta como um exemplo a ser considerado. Sua história ilustra os perigos da imigração inconsequente. Até a década de 60, o Líbano era um país de maioria cristã – não obstante, era o único de maioria cristã – no Oriente Médio. Sua população era tolerante e inclusiva; era multicultural e orgulhava-se de seu multiculturalismo. O país usufruía de uma economia estável, e de excelentes condições sociais, excelentes universidades, um sistema bancário de nível europeu, recebendo de todo o Oriente Médio pessoas em busca de melhores condições de vida. Beirut era considerada a Paris do Oriente Médio, centro turístico e financeiro. Os libaneses correspondiam em todos os aspectos a uma nação ocidental, e da mesma forma sua ocidentalização refletia-se em seu governo. Contudo, devido aos crescentes conflitos no Oriente Médio, ondas migratórias de refugiados palestinos (hoje conhecidos como os êxodos de 1948 e 1967), e influxos de imigrantes econômicos oriundos de outras nações árabes, não tardaram por modificar a realidade demográfica do Líbano. Logo, sua crescente população muçulmana, que almejava por maior poder político, aproveitou-se da insurgência dos refugiados palestinos e das constantes tensões israelo-palestinas. Com a derrota árabe no conflito israelo-palestino, os palestinos agora confinados ao Líbano aliaram-se aos grupos muçulmanos da esquerda libanesa, juntamente dos membros do movimento pan-arabista, constituindo oposição ao governo e a soberania política e cultural cristã. Fomentou-se um conflito civil, tornando os campos de refugiados em verdadeiras bases militares. Após anos de conflito, centenas de milhares de mortos e profundas cicatrizes, os libaneses participam de enormes esforços para reacender a economia do país, e reconstruí-lo de seus escombros.

Tamanhas implicações levam-nos a questionar o desenrolar da presente crise dos refugiados no território europeu. Hoje, em países como a Suécia, Alemanha e França, países que gozam de secularidade e liberdades civis, já se visualizam taxas de crescimento desproporcionais entre suas populações genuinamente europeias e suas populações islâmicas, que em sua grande maioria advém ou de primeira ou de segunda geração de imigrantes ou refugiados. Essas populações islâmicas na Europa, contudo, são muito mais antigas e remontam a um descaso político já de muitas décadas: o que podemos perceber é que elas sofreram um considerável inchaço desde o início do influxo islâmico e já possuem expressão de identidade internas, com comunidades que buscam maiores direitos e representatividade, incentivadas por grupos de esquerda sedentos pela supressão da soberania do homem branco europeu. Contudo, essas disparidades demográficas não são somente originadas pelo agravante das imigrações, mas pelo fato de que enquanto o sueco, o alemão e o francês se casam com uma esposa por vez, e tem um ou dois filhos (muitas outras vezes optam por filho nenhum), o muçulmano se casa com duas ou três mulheres, e gera até quatro ou cinco filhos. A ascensão muçulmana torna-se um problema de saúde social.

Assim, ao considerarmos o continente europeu, essas disparidades no crescimento demográfico levam a uma conclusão óbvia: haverá um ponto, e pesquisas indicam que ele está muito próximo, em que o efeito será irreversível. Tampouco são as notícias otimistas: na França, segundo Tariq Ramadan, o Islã já “é uma religião francesa, e a língua francesa é uma língua do Islã”. Hoje, o Estado Islâmico fomenta um movimento de repressão social contra os muçulmanos “moderados”, a fim de que estes se levantem de seu amortecimento e ofereçam solidariedade aos militantes extremistas, ocasionando uma guerra civil (não caiam no conto do “muçulmano moderado”, pois a única diferença entre eles e os radicais, é que os radicais matam, e os moderados contentam-se em olhar). O muçulmano chamado “moderado” jamais se erguerá contra a barbaridade.

Levemos em conta uma população majoritariamente islâmica na Europa. Ela terá interesse em preservar a cultura do povo europeu, os valores sobre os quais estes hoje se sustentam? Não, ela almejará uma islamização cultural, pois como o caso libanês demonstra, onde o Islã ascende à maioria, logo ele tende a se rebelar. É por isso que, apesar do tom de catástrofe que geralmente acompanham tais observações, é um fato que a Europa enquanto o continente que conhecemos está invariavelmente destinada a uma desfiguração sociocultural.

 Algumas nações, contudo, já estão cientes de tal realidade. Enquanto os efeitos demográficos acarretam danos irreversíveis em questão de algumas gerações (simples cálculos estatísticos hoje comprovam a ascensão rumo à maioria islâmica) alguns países, como a Polônia e a Hungria, já começam a se posicionar à favor da valoração e proteção de seus direitos a autodeterminação, reafirmando suas identidades (em um caso mais específico, a Polônia, de maioria cristã, busca reafirmar a soberania de sua fé em contraposição a ascensão islâmica), e se posicionando contra políticas agressivas, negando submissão ao regime autoritário da União Europeia, cujo vinculo esquerdista ministra um verdadeiro suicídio cultural.

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Guilherme Rasador é acadêmico de Relações Internacionais.

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