Nenhum dos problemas estruturais ou mesmo menores do Brasil foi causado ou agravado pelo atual governante

Pelo contrário. Temer trocou o comando das estatais, delegando funções a gestores respeitados e ilibados, fez aprovar a PEC do Teto, um freio na sangria do gasto público, cujo excesso tantos males nos causa e, graças a uma equipe econômica de talento indiscutível, logrou ver baixar a taxa de inflação, a taxa de juros e a recessão parar de piorar, até ensaiarmos uma retomada. Muitos desses bons resultados vieram da percepção de que o governo tomara o rumo certo em questões essenciais ao bom funcionamento do país.


Por uma soma de fatores, porém, vinha colhendo popularidade baixa, o que se agravou ao cair numa armadilha que teria flagrado uma negociata com um grande e suspeito empresário.

Quanto ao episódio, ainda não concluí sobre a extensão de sua gravidade, mas é certo que é menor, muito menor, do que o que se revelou de dois ex-presidentes quanto ao Petrolão, um deles ainda gozando do apreço de 30% do eleitorado, segundo as pesquisas.

Se é melhor, na conjuntura dada, Temer ficar ou dar lugar logo a um sucessor pela via constitucional, provavelmente Rodrigo Maia, também custo a formar opinião, mas é certa a necessidade de reformar a Previdência, tanto que dos dois ex-presidentes aqui citados, um a reformou parcialmente (em 2003), outro estava ultimando preparativos para fazê-lo.

Se é justa ou não a baixa popularidade do atual governo, é certo que no fator corrupção ela é desproporcional, pois os anteriores fizeram pior e nem por isso despencaram tanto em aprovação; e no fator governo a baixa popularidade é irracional, pois nem se compara, por exemplo, a diferença entre um Pedro Parente e um Gabrielli na presidência da Petrobras, sem falarmos em BNDES e Banco Central.

De todo modo, com Temer ou sem Temer, falta aos brasileiros uma melhor compreensão do que se deve esperar de um governo, do que se deve esperar do Estado. Sobretudo, uma compreensão maior do que sejam nossos grandes e pequenos problemas. O sistema eleitoral que induz à corrupção é apenas um deles.

Aurélio Schommer

da Redação

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