Agora é Guerra | Depois de Cunha, Renan pode ser a bola da vez

Renan Calheiros faz balanço de sua gestão e uma defesa tímida de Eduardo Cunha, mas não poupa duras críticas ao governo Federal

Veja o vídeo ao final do texto -

A guerra que já havia começado nos bastidores das presidências das Casas Legislativas é declarada abertamente com os rosnados de Eduardo Cunha.

Na antevéspera das declarações do Presidente da Câmara Federal de que estaria “pessoalmente” rompido com o governo de Dilma Rousseff, a imagem mais significativa que prenunciava o rompimento com o governo foi a de Renan Calheiros e Eduardo Cunha ao lado do Vice-presidente, Michel Temer, anunciando que lançaria candidato próprio às eleições presidenciais em 2018.

O anúncio de que o PMDB deverá ter candidato à Presidência da República em 2018 acontece num momento em que as relações entre o partido e o PT, estão estremecidas. Michel Temer afirmou que a aliança entre os dois partidos continuaria firme, muito embora, setores do PMDB, alguns liderados pelo próprio Eduardo Cunha, pregassem a ruptura do partido com o PT, agora.

Temer, com a sua experiência e resguardando a prudente distância entre os cargos de vice-Presidente da República e Presidente do PMDB, o maior partido da base aliada do governo, fez o comunicado de maneira tranquila e serena, virtudes que são características do velho lobo político, de modo a, emprestar pouca luz ao fato de que, no fundo, dentro da situação, se instalou a oposição.

Não seria um fenômeno intrigante não fosse o fato de que, com Cunha esperneando antes do tempo, coloca Temer em saia justa e o PMDB na obrigação de escolher um lado para aquecer suas máquinas de elegibilidade desde agora.

Talvez, o tiro de Cunha tenha saído pela culatra e ele se veja sozinho daqui em diante, posto que, Dilma, junto com Temer, ainda tem três anos, cinco meses e treze dias de mandato para cumprir.

Por outro lado, um governo já insustentável sobre suas próprias pernas, ainda que desejasse o enfraquecimento do PMDB com as denúncias da Lava-jato arrastando Eduardo Cunha e Renan Calheiros para o olho do furacão, também pode sofrer um forte golpe com esse novo desenho político.

Lula, sua maior estrela, também estreou na Operação Lava-jato nessa mesma semana, quando passou a ser oficialmente investigado pelo Ministério Público Federal, sobre uma possível relação promíscua e delitiva com empreiteiras brasileiras e governos estrangeiros, mais especialmente a Odebrecht. Os Procuradores da República buscam indícios de que Lula agiu à margem da lei, sob o manto de palestrante e lobista de alto custo e deferências exclusivas, enquanto praticava crimes como tráfico de influência.

Como já escrevi antes nesta coluna: intermediar negócios entre partes e cobrar pelo trabalho não é crime no Brasil, a não ser que a pessoa use da influência que tem sobre funcionário público para solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por aquele (funcionário público) no exercício de sua função.

Não vamos esquecer que não é raro ver Lula transitando livremente entre as grandes figuras da República e órgãos Institucionais. Muitos ocupantes de importantes cargos foram indicados por Lula, direta ou indiretamente – STF, TCU, TSE, entre outros. Há que se considerar igualmente que, quem, na condição de empregado em empresa de economia mista – Banco do Brasil, por exemplo –, equipara-se a funcionário público, para todos os efeitos legais. Ademais, Lula é figura recorrente na sala da Presidência da República sempre quando algo atinge o governo Dilma; isso não é segredo para ninguém. Aliás, nem os próprios governos eleitos na sigla do PT estão a salvo do grande conselheiro, que com certa frequência se reúne com governadores e prefeitos ditando as doutrinas petistas.

Em suma, sobram fatos para suscitar dúvidas sobre a lisura dos atos do Ex-presidente.

Quanto às entranhas do PMDB, é esperar para colher o resultado: asséptico ou infeccionado.

O que me parece certo é que, teremos um recesso muito diferente este ano, chacoalhado com muitas reuniões e discussões de rumo.

JM Almeida

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JM Almeida

João Maurino de Almeida Filho. Bacharel em Ciências Econômicas e Ciências Jurídicas. 

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