Entenda o que a grande mídia não ousa mencionar sobre o terror na Europa

Entremeios à década de 60, o Líbano era o país de maior população cristã no Oriente Médio. Não obstante, seus cristãos eram maioria em relação a outros grupos, configurando o único Estado de maioria cristã no Oriente Médio. O país usufruía de uma economia estável e de excelentes condições sociais, ótimas universidades, um sistema bancário equiparável a níveis europeus, o que agregou ao Líbano a alcunha de “Suíça do Oriente Médio”, e a Beirut, sua “Paris”, respectivamente. Centro turístico e financeiro, o Líbano, por seu desempenho ímpar, recebia de todo o Oriente Médio pessoas em busca de estabilidade e melhores condições de vida. Os libaneses correspondiam em todos os aspectos a uma nação ocidental, e da mesma forma sua ocidentalização refletia-se em seu governo, que era regido por políticos membros da maioria cristã, estes por sua vez membros da Igreja Maronita. Contudo, devido aos crescentes conflitos no Oriente Médio, ondas migratórias de refugiados palestinos (hoje conhecidos como os êxodos de 1948 e 1967), e influxos de imigrantes oriundos de outras nações árabes, que se aproveitavam das políticas migratórias do Líbano, não tardaram por modificar a realidade demográfica do Líbano.

É conhecido que as divergências entre os modelos familiares cristão e islâmico, acabam por acarretar em um desequilibro populacional – uma vez que muçulmanos casam com várias esposas e têm muito mais filhos que cristãos, casados de maneira geral para a vida toda a uma só mulher. Cabe dizer que, uma vez revestida de preceitos e crenças cristãs, os libaneses preconizavam a tolerância e inclusão, dando espaço para ideologias multiculturais. Logo, sua crescente população muçulmana, que almejava por maior poder político, aproveitou-se da insurgência dos refugiados palestinos e das constantes tensões israelo-palestinas. Com o desequilíbrio demográfico, e a derrota árabe no conflito israelo-palestino, os palestinos agora confinados ao Líbano aliaram-se aos grupos muçulmanos da esquerda libanesa, juntamente dos membros do movimento pan-arabista, constituindo oposição ao governo e a soberania política e cultural cristã. Fomentou-se um conflito civil, tornando os campos de refugiados palestinos ao sul do Líbano verdadeiras bases militares, nas quais os palestinos, destituídos de território, encontraram terreno fértil para a insurgência em meio aos muçulmanos libaneses, estes ávidos pela efetivação de suas reivindicações islamistas.

Após anos de conflito, centenas de milhares de mortos e profundas cicatrizes, os libaneses participam de enormes esforços para reerguer das ruínas de um outrora próspero Líbano a economia do país, e reconstruí-lo de seus escombros. Desta forma, quando consideramos as reais consequências de movimentos migratórios, o caso do Líbano se apresenta como um exemplo a ser considerado. Sua história ilustra os perigos da imigração inconsequente.

Tamanhas implicações levam-nos a questionar o desenrolar da presente crise dos refugiados no território europeu. Hoje, em países como França, Alemanha e Suécia, países ocidentais seculares, cujas liberdades civis prescrevem liberdade religiosa, livre expressão e demonstração pública, já se visualizam taxas de crescimento desproporcionais entre suas populações genuinamente europeias e suas populações islâmicas. Contudo, longe de oferecerem a visão auspiciosa de um multiculturalismo enriquecedor, estes países enfrentam uma crescente radicalização, resistência à autoridade e isolacionismo por parte de suas comunidades islâmicas.

Dentre os países nórdicos, a Suécia, país que durante a década de 70 abraçou uma ideologia liberal que pregava pela diversificação étnico-cultural, abrindo suas fronteiras à imigração, em uma espécie de experimento social que se demonstrou um desastre, agora se encontra a beira do colapso social. Hoje, visualiza-se na Suécia, outrora paraíso das esquerdas progressistas, um significativo aumento da violência urbana, a formação de “no-go zones”, gangues urbanas, e uma das maiores incidências de estupro no mundo, ficando para trás até mesmo de países africanos. Uma coisa é certa, não será o muçulmano chamado “moderado” a se erguer contra a barbárie, e a Europa, enquanto o continente que conhecemos, está invariavelmente destinada a uma desfiguração sociocultural.

Estas populações islâmicas na Europa remontam a um descaso político já de muitas décadas: grande parte das imigrações islâmicas para a Europa remontam da segunda metade do Século XX, continuadas ao longo do Século XXI, e agora inchadas pelo influxo de refugiados. Neste sentido, estas comunidades islâmicas são compostas por membros de uma primeira geração, advindos da crise de refugiados, e membros de segunda geração, estes já nascidos em território europeu, sendo, portanto, descendentes de imigrantes islâmicos. Tais populações já possuem expressão de identidade internas, comunidades que buscam maiores direitos e representatividade, incentivadas por grupos de esquerda sedentos pela supressão da soberania do homem branco europeu.

Não o bastante as imigrações, as diferenças entre as taxas de natalidade, exemplificadas através do caso do Líbano, também fazem-se reais na Europa, uma vez que esta vem enfrentando um decréscimo populacional, tendo os europeus rejeitado o dever de renovar sua população através do casamento e da procriação. Assim, ao considerarmos o continente europeu, essas disparidades no crescimento demográfico levam a uma conclusão óbvia: haverá um ponto em que o efeito será irreversível. Hoje, a ascensão dos muçulmanos como maioria em países como França e Alemanha já é uma realidade tangível.

Na França, Tariq Ramadan, neto de Hassan al-Bana, fundador da Irmandade Muçulmana, advoga que o Islã já “é uma religião francesa, e a língua francesa é uma língua do Islã”. Hoje, cerca de 15 mil muçulmanos na França identificam-se como salafistas, ortodoxos fundamentalistas que clamam pelo retorno às raízes do Islã, nos exemplos de vida do Profeta Maomé. Estes acreditam na Sharia como única lei do Estado e, não o bastante, no califado como única forma de Estado. Dentre estes salafistas, saber quais deles são jihadistas, ou seja, que não pouparão meios para realizar sua aspiração islamista, é terreno pantanoso.

Outrora o berço de uma civilização, hoje a Europa precavê sua própria decadência. A apatia letárgica que consome o ocidente europeu, renega as colunas de uma civilização – a filosofia grega, o direito romano e a moral cristã. E torna-se o homem europeu estranho a sua própria história, e sua própria história já é estranha a ele, que busca satisfazer as exigências de um mundo politicamente correto abrindo mão de si próprio.

A aparente ascensão do ateísmo entre os europeus ocidentais, ao mesmo tempo que exemplifica sua renúncia ao passado cristão, também acarreta a lenta destruição da cultura civilizacional, e que, por conseguinte, acaba mergulhada em uma profunda crise existencial, na qual o marxismo cultural, o relativismo moral, e outras doenças sociais menores, todas elas sintomáticas da pós-modernidade, como a ideologia de gênero, o feminismo, a eugenia e o aborto, promovem uma revolução sem procedentes contra a tradição ocidental. Nesse sentido, enquanto a civilização cristã é vítima de repúdio das esquerdas progressistas sedentas por justiça social, e negligenciada por líderes amordaçados pela ditadura do politicamente correto, o cidadão europeu comum, vítima de um estado de dormência no qual em troca de segurança econômica, uma menor jornada de trabalho e férias em locais exóticos, acaba por renunciar à sua própria soberania individual e à sua nação, tudo em favor da União Europeia, imbróglio burocrático que fomenta o atual mal-estar europeu. No meio tempo, enquanto o número de mesquitas na Europa cresce, igrejas esvaziam-se e aos poucos são demolidas, como para dar espaço a estacionamentos, ou até mesmo conclamadas a serem convertidas em mesquitas para o número crescente de muçulmanos, cada vez mais abarrotados pelas ruas, cobrindo calçadas enquanto oram.

É mesmo irônico, senão trágico, que o laicismo, encabeçando o ideal do Estado secular, o qual foi promovido avidamente junto do cadafalso das guilhotinas da Revolução Francesa, seja ao mesmo tempo a ideologia que, a título de estabelecer o caráter privado da religião, apagou da vida francesa o cristianismo e, do mesmo modo, promovendo a liberdade de religião, permitiu que contingentes orientais, ao imigrarem para a França, erigissem-na como a grande dama na burca negra ou, em outras palavras, sujeitassem o frágil Estado secular ao extremismo islâmico, este último protegido por décadas de tolerância e políticas que repreendessem quaisquer críticas como manifestações de xenofobia, da mesma forma como quaisquer visões de mundo tradicionalistas como retrógradas.

Aqui, portanto, defendemos que o laicismo, do mesmo modo como o ateísmo, são tão eficientes no combate ao terrorismo islâmico quanto uma ratoeira é contra um gato. Somente uma sociedade conscientemente cristã é capaz de combater o fundamentalismo islâmico.

Algumas nações, contudo, já estão cientes de tal realidade.

Enquanto os efeitos demográficos acarretam danos irreversíveis em questão de algumas gerações (simples cálculos estatísticos hoje comprovam a ascensão rumo à maioria islâmica) alguns países, como a Polônia e a Hungria, e de um modo geral o Leste Europeu, outrora parte da experiência comunista, já começam a se posicionar à favor da valoração e proteção de seus direitos a autodeterminação, reafirmando suas identidades (em um caso mais específico, a Polônia, de maioria cristã, busca reafirmar a soberania de sua fé em contraposição à ascensão islâmica), e se posicionando contra políticas agressivas, oferecendo resistência ao regime autoritário da União Europeia, cujo globalismo eugenista vinculado às esquerdas progressistas ministra um verdadeiro suicídio cultural.

Cabe ressaltar que tais nações como Polônia e a Hungria, contudo, não estão sozinhas.

Quando da reunião do G20 em 2017, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu como primeira nação para sua visita a Polônia. Tal viagem é muito significante, e demonstra um certo esnobismo da parte de Trump em relação a outras nações ocidentais europeias, das quais os EUA são historicamente maiores aliados. Contudo, são justamente estas nações que hoje estão engajadas em utopias globalistas, demonstrando que Trump não tem interesse algum para com estas ideologias. Neste sentido, a viagem de Trump à Polônia simboliza em muitos aspectos a revitalização das nações tradicionais conservadoras.

Através de sua visita, Trump não só reconhece a liderança que a Polônia desempenha na Europa oriental, como também demonstra seu apoio às políticas conservadoras da Polônia, em contraposição à ideologia progressista de Bruxelas. Deste modo, Trump desafia a dinâmica globalista da União Europeia, ao demonstrar sua simpatia para com uma nação que hoje impõem resistência à Bruxelas.

De modo geral, no que concerne sua segurança nacional, a Polônia precisa da OTAN, uma vez que domesticamente seu poderio militar é precário. Porém, enquanto membro da União Europeia, a Polônia frustra Bruxelas, uma vez que esta última advoga de políticas liberais e progressistas, sancionando contra a Polônia, do mesmo modo como o faz contra a Hungria.

Consideremos a expressão migratória ideal: nela, o imigrante se submete ao país que o acolhe. Uma cultura, uma concepção de mundo e um ambiente social estruturado, regido por leis e princípios morais, são aquilo que o imigrante aceita, em troca de tudo o que recebe.

Suposição idealista ou não, a verdade é que ela está longe de ser real naquilo que concerne o imigrante islâmico. Confluindo de uma contusão social, uma crise de refugiados que gerou um ambiente de migrações em massa, histeria e medo, o Islã surge como a ideologia que quer tudo e não cede nada; que não reconhece nada que não seja a si própria. É por isso que islamistas, aonde quer que se estabeleçam, acabam por promover a supressão da cultura local, já que de modo veemente acreditam em sua supremacia, baseada essencialmente em preceitos religiosos.

Hoje, assiste-se, nesse sentido, a islamização da Europa, em contraposição à idealista europeização do Islã: uma ideologia contrária a toda ordem social do Ocidente, e que ganha espaço na medida em que suprime e aterroriza, modificando o ambiente social europeu pela força de seu terrorismo, ao mesmo tempo em que anda incólume sob a áurea de vítima. A esquerda, por sua vez, com seus discursos multiculturais, promove uma verdadeira dança da morte entre culturas antagônicas, e que por esse motivo, serão incapazes de conviver ou coexistir.

O projeto pós-moderno está morto, ele não funciona.

É preciso que o homem recupere a consciência de guardião de sua cultura. Os valores pós-modernos são frágeis, são meras construções e estão condicionados por seu aspecto marxista. Hoje, homens agressivos de outras culturas, com outras concepções de mundo, estão nas ruas violentando mulheres, massacrando com caminhões multidões em nossas ruas. Frente ao choque cultural que compõem o conflito Ocidente e Oriente, inclusão e tolerância não conseguirão lidar com todas as ameaças que enfrentamos. Contra a agressão masculina oriental é necessária uma frente masculina ocidental forte. Os orientais clamam de outras culturas, outras religiões, e eles só respeitam homens fortes. Enquanto nossos políticos tentarem ser inclusivos e acolhedores, nossos inimigos, todos aqueles que desejam destruir o Ocidente, enxergarão isso como fraqueza. A verdade é que amor e compaixão não protegem ninguém. Contra um fuzil e um homem-bomba, respeito e inclusão não são nenhuma defesa. Enquanto o número de mesquitas no Ocidente cresce, igrejas no Oriente Médio são destruídas e o cristão vítima de extermínio. Foi a tradição cristã que ergueu o mundo ocidental tal como o conhecemos; agora, devemos defendê-la de seus inimigos.

Guilherme Rasador

Guilherme Rasador é acadêmico de Relações Internacionais.

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