Matheus Dal'Pizzol

Palpites sobre o oblívio das virtudes

As fantásticas mentiras do Fantástico sobre Donald Trump e os supremacistas brancos


Não é novidade que a mídia mainstream, hoje, dedica um esforço gigantesco para  criticar a qualquer custo o presidente republicano Donald Trump. Com a tragédia em Charlottesville em mãos e o viés bem definido da mídia, o presidente americano enfrenta, como era esperado, todas as acusações imagináveis: “supremacista branco”, “neonazista”, “membro da KKK”.

É preciso ser justo: a reportagem do Fantástico tem seus méritos. Ela realmente retrata, através de entrevistas, a parcela realmente ignorante e intolerante, pertencente ao atual KKK. Mas na mesma medida desses méritos, a reportagem peca enormemente com alegações falsas e sem qualquer fundamento. Algumas da alegações serão corrigidas aqui.

Tratarei primeiro sobre a figura do general Robert E. Lee e, em seguida, sobre as alegações em relação ao presidente Trump.

Segundo a reportagem, o general Lee foi um “confederado defensor da escravidão derrotado na Guerra Civil Americana”. Ou seja: a reportagem tenta reforçar a ideia de que a estátua de Lee é uma homenagem à escravidão.

A questão é que Lee NUNCA comprou um único escravo pessoalmente. Lee teve escravos, porém, os escravos que manteve eram parte da herança deixada pelo sogro à sua esposa. Lee, como um homem de sua época, colocava o dever para com a família em primeiro lugar, e, por isso, colocou a vontade do sogro acima da liberdade dos escravos. Entretanto, Lee expressou sua visão sobre a escravidão em carta à sua esposa datada de 1856, em que disse que

“a escravidão como uma instituição é um mal moral e político”

Lee desprezava a mudança social revolucionária e acreditava na emancipação gradual, compartilhando de diversas das ideias do abolicionista Abraham Lincoln.

Porque então Lee lutou na guerra? Apesar de a escravidão ter sido a causa inegável da guerra, assim como ocorre nos protestos de rua no Brasil, outros grupos com outras reivindicações se envolveram, pois suas reivindicações também dependiam da separação dos estados do norte e do sul. Por exemplo, grupos que temiam uma excessiva concentração de poder no governo federal lutaram na tentativa de manter uma hierarquia federalista com maior respeito à subsidiariedade, pois acreditavam que esses princípios seriam sacrificados caso contrário. E quem, hoje, pode dizer que estavam errados?

Para saber mais sobre Lee, recomendo fortemente o artigo de Stephen M. Klugewicz: Saving Genral Lee.

Passando agora para as alegações sobre Trump:

Segundo a reportagem, “o pai de Donald Trump foi membro do KKK“ e uma grande porcentagem da alt-right é constituída por seus eleitores”.

A estratégia aqui é velha conhecida dos que acompanham a política dos EUA: vincular os republicanos aos neonazistas, supremacistas brancos e “tudo que há de ruim no mundo”.

O problema é que a única evidência que existe para ligar Fred Trump ao KKK é que ele foi preso durante um protesto da KKK em 1927. Porém, das 7 pessoas presas naquele protesto, Trump pai foi O ÚNICO a ser liberado sem acusações e o mais provável é que tenha sido preso por engano. Mas vamos dar o benefício da dúvida. Vamos supor que ele fizesse parte do KKK.

A KKK, como qualquer organização, muda conforme local e época. Em 1927, ser a favor da segregação entre negros e brancos era quase tão natural quanto nascer negro ou branco. De acordo com Rory McVeigh, sociólogo da Universidade de Notre Dame,

“O Klan que tornou-se popular no começo dos anos 1920 defendia a supremacia branca do mesmo modo que o Klan original, mas, nesse respeito, sua visão não era muito diferente da maioria dos brancos americanos daquele período.”

Ou seja, se insinuarmos que Trump filho é um supremacista branco porque seu pai pode ter sido, porque então a maioria dos brancos americanos também não o é? Se o pai de Obama tivesse sido membro da organização terrorista dos Panteras Negras, a mídia estaria insinuando que Obama é um terrorista ou estaria afirmando que “só porque o pai dele foi, não significa que ele o seja?” O discurso do “nem todo membro do grupo x é um radical” só aparece quando o sujeito é um democrata.

E falando em democratas e Klan, aqui é que vem a parte mais interessante: o KKK foi fundado não por republicanos, mas pelo democrata Nathan Bedford Forrest. O KKK tinha como objetivo ser uma milícia terrorista servindo aos interesses do Partido Democrata.

Hoje, os democratas que tentam demonizar os republicanos como racistas, neonazis, supremacistas, foram os que determinaram na Suprema Corte, em 1857, que os escravos eram propriedade e não cidadãos. Foram 7 votos democratas contra 2 republicanos.

Saiba mais sobre a oposição dos democratas aos direitos civis no vídeo abaixo.

Matheus Dal'Pizzol

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