Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo,  pósgraduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT, ex-advogado da Auxiliadora Predial S/A ex-Presidente da Fundação CRT e da Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada, Presidente do Partido da República Farroupilha PRF (sem registro).

A privatização ‘fake’ da Eletrobrás

Após o período de 8 anos que vai de 1º de  janeiro de 1995 a igual dia e mês de 2003, correspondente ao Governo FHC, onde as privatizações de empresas paraestatais foram a mola mestra da corrupção, infelizmente as privatizações desonestas voltam agora. E voltam com toda a fúria. Tudo festejado pelos intermediários que ganharão muito com essas operações, e até com pleno apoio da mesma população idiotizada que tem sido responsável pela escolha desse lixo político que comanda  o Brasil desde a ‘Nova República’ de 1985, chegando a níveis  extremos na ‘Era’  PT/BMDB, que começou em 2003, iniciando com Lula da Silva e durando até hoje, com Temer.


É difícil compreender que apesar de toda a roubalheira havida com as privatizações mais ‘antigas’, ninguém tenha sido condenado por esses ilícitos. Tem gente desse ‘núcleo’ que roubou tanto que hoje é  dono  de imóvel avaliado em vários milhões de euros na zona mais nobre de Paris.

Como o Brasil possui uma classe política equiparada às mais ‘espertas’ e ‘ladravazes’ do mundo, essa ‘tchurma’ se notabilizou em ALTERNAR as formas de corrupção no tempo, de modo a usufruir ao máximo, e até a ‘última gota’, das vantagens próprias a cada período.

No Governo FHC, do PSDB, por exemplo, foi predominantemente com as privatizações. Na ‘Era’ PT/PMDB, com os ‘mensalões’, os ‘petrolões’, os escândalos da JBS, BNDES, e tantos outros.

Praticamente fechadas às portas da corrupção nas modalidades descobertas pela Polícia Federal, na ‘Era’ PT/PMDB, onde a ‘Operação Lava Jato’ tem especial  destaque, é evidente que os delinquentes com assento no  Poder Político teriam que fazer um enorme esforço para criar novas  fontes de corrupção para não serem ‘apanhados’. Foi exatamente aí que resolveram retornar à política das privatizações, aproveitando o ‘know-how’ do PSDB, adquirido no passado recente, evidentemente contando com a sua participação e apoio na reintrodução desse projeto, dessa nova fonte de corrupção.

Seria necessário uma intensa campanha com muita mídia comprada para obter aprovação da população. E assim foi feito. Tiveram pleno êxito. Os idiotas estão aí aplaudindo, nem se preocupando em saber as verdadeiras razões  que estão por trás dessa medida. Apesar de um discurso diferente, enganador, ’fake’, o objetivo é um só: MAIS CORRUPÇÃO.

Mas o PT também não quis ficar para trás dos ‘outros’. Ele também privatizou, e muito, contrariando o seu antigo discurso. É evidente que aí também houve muita ‘maracutaia’. Inexplicavelmente nenhuma autoridade se dispôs a investigá-las.

Conveniente seria recordar que a ideia inicial do Poder Público investir em setores da economia, que seriam necessários ao desenvolvimento, mas que não interessavam à iniciativa privada, por um motivo ou outro, principalmente devido à baixa rentabilidade, realmente merece todos os louvores.

Os idealizadores da ‘reforma administrativa’, objeto do  Decreto-lei Nº 200, de 1967, conseguiram dar uma estrutura às empresas integrantes da Administração Indireta do Estado, algumas de direito privado (empresas públicas, fundações públicas e sociedades de economia mista), que deveriam funcionar exatamente nos moldes das demais empresas da iniciativa privada. Porém, devido à nefasta  interferência dos Chefes de Poder Executivo (Presidente da República, Governadores e Prefeitos), o maior contingente  de empresas vinculadas ao Estado jamais conseguiu o desempenho desejável para o qual fora programado. Essa realidade se deve ao fato da nomeação dos dirigentes e conselheiros não se dar como deveria ser, ou seja, pela competência profissional, como se procede na iniciativa privada, e sim como mera acomodação política e mesmo paga por apoios políticos em campanhas eleitorais. Com essa  medida  encheram a direção e o quadro funcional  dessas  empresas com nepotismo, empreguismo, incapacitados e ladrões. Jamais essas empresas poderiam dar certo, tanto quanto deveriam.  Então criaram as condições para privatizá-las com pleno apoio e aplausos da opinião pública, que mais erra que acerta.                                                                                     

Hoje mesmo, estamos lendo nos jornais que o GRUPO GERDAU resolveu afastar do seu  comando executivo todos os membros da própria  família ‘Gerdau’ , substituindo-os por competentes executivos selecionados  no mercado. Ora, se uma família dessa estirpe , que conseguiu erguer um dos maiores conglomerados empresariais do Brasil, sentiu-se com deficiências para prosseguir no comando do grupo, o que não dizer desses “borra-bostas” que para serem eleitos para qualquer coisa  basta ter um título de eleitor, mas que paradoxalmente  têm  ilimitados poderes para preencher os cargos diretivos das empresas do Estado, algumas delas com o porte de uma Petrobrás, Eletrobrás, com patrimônios superiores ao Grupo Gerdau? 

De quem é a culpa da caótica situação das empresas do Estado, cujo desgaste até justificaria as suas privatizações, apesar de muita gente ‘amiga’ do Governo estar na ‘fila’ para faturar alto?

Resta acrescentar que muita ‘grana’ de origem ilícita deve ser aplicada nas privatizações que se avizinham. E certamente muitos desses investimentos vão configurar uma segunda legalização dos ativos desonestos que estavam  ‘lá fora’ e que foram alvo daquela tal de ‘repatriação’ do dinheiro roubado, mas onde tudo foi perdoado em troca do pagamento de imposto. Com essa política os ladrões estarão sendo premiados e passarão a ser donos do patrimônio que antes era do povo, e que acabarão comprando muito  barato em virtude da subavaliação que serviu de base  para a venda, como na época de FHC já foi. 

Sérgio Alves de Oliveira

Advogado, sociólogo,  pósgraduado em Sociologia PUC/RS, ex-advogado da antiga CRT, ex-advogado da Auxiliadora Predial S/A ex-Presidente da Fundação CRT e da Associação Gaúcha de Entidades Fechadas de Previdência Privada, Presidente do Partido da República Farroupilha PRF (sem registro).

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