O tresloucado fim de mandato de Rodrigo Janot

Janot em final de mandato parece último capítulo de novela: o que não aconteceu em seis meses acontece em quarenta e cinco minutos: a mocinha é sequestrada, o vilão confessa seus crimes achando que não haverá testemunhas, o mocinho descobre que a mocinha não estava mentindo e se arrepende de não ter acreditado nela, a mocinha consegue pedir socorro, os coadjuvantes se casam, a coadjuvante solteirona que passou a novela inteira procurando marido encontra um pretendente, os figurantes fazem figuração pra lá e pra cá, o mocinho fica preso no trânsito, a mocinha diz que perdoa o vilão, o vilão vacila, o mocinho chega a tempo de salvar a mocinha, o vilão acha que conseguirá escapar, mas um assistente de vilão se redime e ajuda o mocinho a capturá-lo, a mocinha beija ofegante o mocinho, eles se casam, têm dois filhos, a ex-solteirona acaricia a barriga insinuando que está grávida, os personagens gays se beijam, o núcleo cômico faz uma festa e todo mundo dança, a vilã enlouquece.


Assim como novela devia ter só o primeiro e o último capítulo, o mandato de procurador geral não devia ser de dois anos, mas de duas semanas. Só as duas últimas.

Eduardo Affonso

É arquiteto no Rio de Janeiro.

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