Populismo e oportunismo, o perigo nas urnas (parte 2)

22/09/2017 às 01:53 Ler na área do assinante

Não fosse todo o cenário de desordem e bagunça em que se transformou a política brasileira, ainda assim já teríamos com certeza em 2018, uma campanha eleitoral do mais baixo nível, a exemplo do que aconteceu em 2014 quando Dilma Rousseff foi reeleita. Discursos requentados, outros sem nenhuma lógica viável na pratica, sem que para isso não afunde o país num caos ainda maior caso saiam dos devaneios para o mundo real.

Assim se fazem os oportunistas! Munidos de um discurso de vitrine, onde se critica e generaliza tudo que está exposto e atormenta a população hoje em dia. Fazem-se popular muito mais pelas bravatas do que pelo exemplo prático dentro de sua própria biografia. Sustentam-se da revolta e indignação de um eleitor preguiçoso, incapaz de pensar no dia seguinte, incapaz de fazer questionamentos e obter respostas óbvias! De um eleitor que não sabe, mas sua atitude pode leva-lo a uma armadilha muito pior e colocar o país num impasse de ingovernabilidade e conflitos institucionais muito mais graves que os atuais.

Não há problema em aproveitar as oportunidades. O problema é quando candidatos com discursos quase no nível “pastelão” começam a ser levados a sério! Essa figura pitoresca, chamada de Jair Bolsonaro, tem sempre um discurso de “cão raivoso”, e tenta colocar sua disciplina militar como solução para tudo! Tido como provável candidato à Presidência em 2018, hoje lidera algumas pesquisas enquanto não se define um quadro de concorrentes ao pleito.

Tratando hipoteticamente no campo das possibilidades e erros que as urnas democraticamente podem cometer, quem conhece o discurso de Bolsonaro, sabe que para colocá-lo em pratica, tudo e todos teriam que se curvar em obediência automática ao Capitão! O Congresso teria que estar alinhado ao seu discurso de militarização de tudo! Da mesma forma, todo o Judiciário deveria fazer vista grossa às suas arbitrariedades. Em nome de uma ordem idealizada por ele, dentro daquilo que ele entende ser o ideal, todos os exageros poderiam ser cometidos e justificados. Assim surgem os governos autoritários! Déspotas!

Uma coisa é falar! Outra, é colocar em prática, sem que para isso tenha que infringir leis e ignorar direitos, quando a falta de argumentos levar ao uso da força ou abuso de autoridade. Quer queiram ou não, esse país vive uma democracia! Tem poderes independentes e instituições legalmente instituídas. O Brasil precisa de governantes que sejam capazes de circular pacificamente e de forma no mínimo respeitosa entre esses Poderes.

Ainda no campo das hipóteses, um governo de Jair Bolsonaro, por exemplo, poderia afundar e dividir o País ainda mais em um conflito político e jurídico interminável, haja vista que muito do que se promete, necessita de respaldo constitucional. Esses impasses tiraria o foco do que realmente interessa ao país! Medidas extremas, atrairia a atenção e desconfiança da comunidade internacional com consequências imprevisíveis. Correríamos o risco de ter um governo politica e juridicamente inviável, podendo descambar para o uso da força como justificativa para manter a ordem, apoiado por uns, enquanto criminaliza e reprime atos de seus opositores. O Brasil precisa realmente disso? O Brasil já não passou por isso? Pensar não dá trabalho! Pensem!

Autenir Rodrigues de Lima

Funcionário público municipal em Jateí-MS. Formado em Ciências Contábeis.

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