O mundo já acabou. Olhem à sua volta. Vejam os sinais

Muita gente amanheceu perplexa com a falta de profissionalismo do planeta Nibiru, que ia fazer uma apresentação de impacto ontem e não deu as caras - nem mandou o Maroon 5 no lugar.

Pessoas, vocês não assistiram "O sexto sentido", aquele suspense kardecista em que o Bruce Willis morreu e não sabe?

Aquilo não era um filme - era um tutorial.

O Bruce Willis foi escolhido pro papel porque ele é duro de matar - mas a verdade é que dureza mesmo é cair na real depois de morto.

Sim, o mundo já acabou.

Já estamos do lado de lá.

Só que, como morreu todo mundo, não tem aquele garotinho para fazer o coaching do desapego.

Olhem à sua volta. Vejam os sinais.

É normal o presidente dos Estados Unidos chamar o ditador da Coreia do Norte de “gordinho maluco” e o gordinho maluco xingar de volta com uma palavra em Inglês (“dotard”) que nem o Trump, que fala Inglês desde criancinha, nunca tinha ouvido falar?

É normal uma mãe se descabelar porque a filha de dois anos é hétero, e a cura hétero ainda não foi regulamentada?

Faz sentido o Jornal Nacional ser estrelado pelo Bonner, a Renata, o Randolfe e o Molon - e a Maju fazer só uma ponta?

O Joesley ser casado com a Ticiane Villas-Boas e ter fetiche de “pegar umas véia”?

O Lula ainda estar solto?

Começar a venda de panetone em setembro?

Soaram as trombetas, mas não ouvimos por causa dos tiroteios na Rocinha e do meu vizinho de cima arrastando móvel e falando alto à uma e meia da madrugada.

Aí você vai dizer que isso já estava assim antes do Nibiru.

Claro que estava.

O Nibiru foi uma repescagem.

O mundo não acabou ontem. Acabou em 2012, lembra?

Estamos no limbo desde então, vagando feito bruciuíles mal desencarnados, ainda querendo salvar o planeta, perder peso, desnegativar no Serasa, afastar o Gilmar Mendes.

Mesmo 2012, que aproveitou o márquetchim da profecia maia, já tinha sido uma espécie de segunda chamada para o verdadeiro fim do mundo, que aconteceu em 2000.

Ou vai dizer que não lembra do bug do milênio?

Pois foi lá que tudo acabou - o colapso planetário porque os computadores entendiam que o 00 da data zerava o odômetro de volta ao Big Bang.

Tudo que veio depois (zika, Dilma, 7 x 1, apropriação cultural, Bolsonaro, Pabllo Vittar, cerveja artesanal, Glória Pires comentando o Oscar) já não era coisa deste mundo.

Os furacões José e Maria acabam de arrasar o Caribe. Espera só o Jesus chegar, pra vocês verem o que é bom pra tosse.

Eduardo Affonso

É arquiteto no Rio de Janeiro.

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