Pio Barbosa Neto

Articulista. Consultor legislativo da Assembleia Legislativa do Ceará

Che Guevara, herói ou vilão?

Há quase 50 anos, Ernesto 'Che' Guevara recebeu uma grande dose de seu próprio remédio. Sem qualquer julgamento, ele foi declarado um assassino, posto contra um paredão e fuzilado. Historicamente falando, a justiça raramente foi tão bem feita. Se o ditado 'tudo o que vai, volta' expressa bem uma situação, é esta.

Mas como um sujeito horrendo, vazio, estúpido, sádico e epicamente idiota conseguiu um status tão icônico?

A resposta é que esse nômade psicótico e completamente inexpressivo chamado Ernesto Guevara teve a magnífica sorte de associar-se ao maior assessor de imprensa da história moderna, Fidel Castro, que por meio século sempre foi capaz de manter toda a imprensa mundial diligentemente à espera de diretivas, correndo para ele a cada chamado seu, como pombos treinados. Caso Ernesto Guevara De La Serna y Lynch não tivesse se juntado a Raul e Fidel Castro na Cidade do México naquele fatídico verão de 1955; caso ele não tivesse se associado, um ano antes, a um exilado cubano na Guatemala chamado Nico Lopez, que mais tarde o apresentou a Raul e Fidel Castro na Cidade do México; tudo indica que Ernesto continuaria vivendo sua vida de viajante vagabundo, mendigando e molestando mulheres, dormindo em albergues inabitáveis e escrevendo poesia ilegível.

Herói para alguns, vilão para outros. Amado por seus seguidores e odiado por seus opositores. Poucos personagens tem papel tão intrigante na história quanto o médico argentino Ernesto "Che" Guevara. Mesmo quase meio século após sua morte, "Che" ainda desperta sentimentos antagônicos e atrai admiradores com a mesma facilidade que coleciona inimigos. Mas por quê? Quem foi verdadeiramente Ernesto "Che" Guevara?

Para muitos, Che é um mártir que se opôs a ditadores e aos EUA e lutou por sociedades mais justas em países como Guatemala, Congo e Bolívia. Para outros, foi um guerrilheiro obcecado por violência que usou de métodos polêmicos – como perseguir e matar opositores – para atingir seus objetivos. De qualquer forma, é uma figura histórica importante e um ícone cultural em todo o mundo, chegando a ser venerado como santo em algumas partes da Bolívia. Seu nome e seu rosto viraram símbolos de rebeldia, sendo usados até hoje em camisetas, pôsteres, músicas e até games.

Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 1928 na Argentina, onde cresceu. Em 1951, deu um tempo na faculdade de medicina e montou numa moto Harley-Davidson para viajar pela América Latina por oito meses com o amigo Alberto Granaldo, também médico. Eles desceram a costa atlântica argentina, atravessaram os Andes até o Chile e depois foram para o norte.

No Peru, a dupla conheceu o dr. Hugo Pesce, médico membro do Partido Comunista, que cuidava de uma colônia de leprosos. Che sonhava em ser médico para curar doenças que afetavam os pobres. Depois da viagem, decidiu que o melhor jeito de ajudar era combater os responsáveis pelas injustiças políticas que contribuíam para a proliferação da pobreza.

O jornalista americano Jon Lee Anderson, autor de CHE - UMA BIOGRAFIA, que descobriu, no final de 1995, o segredo, guardado há três décadas, sobre o lugar onde fora enterrado o corpo do guerrilheiro. Durante uma viagem à Bolívia para investigar os últimos dias de Che, o autor desvendou o mistério, divulgando-o numa grande reportagem no The New York Times. Anderson também conseguiu a gravação do interrogatório final a que Che foi submetido pelo falecido Coronel Andrés Selich, reproduzido no livro. Che Guevara foi capturado em 8 de outubro de 1967 (não no dia 9) e morto no dia seguinte.

O regime cubano ainda hoje homenageia Che Guevara, onde é objeto de veneração quase religiosa; as crianças nas escolas cantam: "Pioneros por el comunismo, Seremos como el Che".

Seu mausoléu em Santa Clara atrai, todos os anos, milhares de visitantes, muitos dos quais estrangeiros. Inclusive, existem pessoas que o consideram um santo e rezam a ele. 

Um homem que a vida toda lutou para implantar ditaduras. Para alguns historiadores essa glorificação messiânica é injustificável. Para eles, longe de ser um humanista, Che Guevara aprovou pessoalmente centenas de execuções sumárias pelo tribunal revolucionário de Havana.

Che Guevara virou grife; os maus capitalistas, aqueles que não são atraídos pelo lucro honesto, mas pelo lucro a qualquer custo no mundo todo usam a imagem dele para vender os mais diversos produtos.

Era um assassino ditador, mas isso não anula o fato de que o símbolo representa a liberdade, visto que na época em que ele foi inserido liberdade era sinônimo de se desvincular da área de influencia comercial dos EUA. As gerações precisam de ídolos, forma mais simples de implantar idéias...

Um dos principais líderes da Revolução Cubana (1953-59) ao lado de Fidel Castro, Guevara teve papel fundamental na doutrinação ideológica dos revolucionários. Após ter participado da guerrilha que defendia o governo socialista de Jacob Arbenz Guzmán na Guatemala, "Che" ingressou na guerrilha cubana em 1954. Até aquele momento, os guerrilheiros eram apenas camponeses insatisfeitos com a ditadura de Fulgencio Batista (1952-59). O médico argentino foi o principal responsável por transformar a revolta popular em um movimento revolucionário de ideologia comunista.

Após a vitória em 1º de janeiro de 1959, Guevara exerceu diversos cargos na alta administração do novo governo comandado por Fidel Castro, mas em 1965 decidiu seguir espalhando a revolução socialista pelo mundo. Para seus admiradores um ato de coragem e compromisso com seus ideais. Partiu para o Congo e posteriormente para a Bolívia, onde pretendia estabelecer uma base guerrilheira. Em 1967, acabaria sendo morto pelo exército local.

Não há duvida sobre legitimidade do que motivava os revolucionários cubanos: o desejo de libertar-se de uma ditadura corrupta. Entretanto seus métodos eram terríveis.

Há uma série de relatos de execuções sumárias de guerrilheiros tidos como espiões. Muitas dessas execuções se deram pelas próprias mãos de "Che". 

Após ascender ao poder, a promessa de livrar o país de uma ditadura sanguinária movida pelos interesses dos Estados Unidos foi cumprida, mas no lugar instalou-se outra ditadura, igualmente repressora e dessa vez subserviente aos interesses da União Soviética socialista. 

Opositores do governo eram mandados executados ou mandados para o campo de trabalhos forçados de Guanahacabibes, onde eram mantidos em condições desumanas, sofriam torturas psicólogas e físicas e em grande parte das vezes não saiam com vida, algo bastante semelhante aos gulags russos na Sibéria ou os Campos de Concentração da Alemanha nazista.

"Che" Guevara pode até ter sido movido por boas intenções no princípio, mas o fato de comandar um exército de camponeses e pessoas do povo não legitima e justifica o desprezo que ele desenvolveu pela vida de seus adversários. Embora alguns historiadores insistam em apresentá-lo como revolucionário, ele não passou de um assassino. 

Apesar de socialistas pelo mundo o descreverem como um libertador, ele foi na verdade um dos responsáveis por construir uma das ditaduras mais longevas do último século. Negar esses fatos é fugir de uma realidade que muitos buscam deturpar: ditaduras de esquerda são tão repugnantes quanto ditaduras de direita. Não há como relativizar. E os responsáveis por elas só merecem um lugar na história: O lixo.

Segundo documentos, Che teria se envolvido em 144 mortes e teria sido responsável pela prisão irregular de 30 mil pessoas.
Mais do que sua crueldade, megalomania e estupidez épica, o que mais distinguia Ernesto "Che" Guevara de seus companheiros era sua manhosa covardia. Suas tietes podem ficar zangadas o quanto quiserem bater a porta do quarto, cair na cama, espernear e chorar abraçadinhas com o travesseiro, mas o fato é que Che se entregou voluntariamente ao exército boliviano e a uma distância segura. Foi capturado em ótimas condições físicas e com sua arma completamente carregada.

Um dia antes de sua morte na Bolívia, Che Guevara, pela primeira vez em sua vida, finalmente enfrentou algo que podia ser adequadamente chamado de combate. Então ele ordenou a seus guerrilheiros que não cedessem um milímetro, que lutassem até o último suspiro e até a última bala.

Com seus homens fazendo exatamente o que ele ordenou (lutando e morrendo até a última bala), um Che ligeiramente ferido evadiu-se do tiroteio e se entregou com um pente cheio de balas em sua pistola, enquanto choramingava manhosamente para seus capturadores: "Não atirem! Sou Che! Valho mais para vocês vivo do que morto!”.

E então ele rebaixou-se desavergonhadamente, tentando desesperadamente se engraçar: "Qual é o seu nome, meu jovem?", perguntou Che a um de seus capturadores. "Ora, mas que nome bonito para um soldado boliviano!"

E mais tarde: "E então, o que eles vão fazer comigo?", perguntou Che ao capitão boliviano Gary Prado. "Não creio que irão me matar. Certamente sou muito mais valioso vivo... E o senhor, capitão Prado", adulou Che, "o senhor é uma pessoa muito especial... Andei conversando com alguns de seus homens. Todos lhe têm em alta estima, capitão! E não se preocupe tudo isso aqui acabou. Nós fracassamos." E então, para adular ainda mais, "seu exército nos perseguiu muito obstinadamente... agora, será que o senhor, por favor, poderia descobrir o que eles planejam fazer comigo?”.

O prazer que Che Guevara tinha em matar cubanos só era possível porque esses cubanos estavam completamente indefesos no momento. Amarrados e vendados, de preferência. E dessa forma eles eram alinhados de frente para o pelotão de fuzilamento e executados. Porém, quando o cenário se alterou e as armas de fogo estavam em posse de outros, o argentino tremeu de medo.
Compare a morte de Tony Chao Flores — "Atire bem aqui! Como um homem!" — com a captura de Guevara: "Não atirem! Sou Che! Valho mais para vocês vivo do que morto!”.

E então pergunte a si próprio: quem deveria ter sua face exposta em camisetas vestidas por jovens que gostam de fantasiar, se imaginarem rebeldes, bravos e adoradores da liberdade? Quem merece um filme de Hollywood?

(Fontes: politik. cafe//. mundoestranho. >abril.com. br.
Referencia:
Livros Che Guevara, Uma Biografia, de Jon Lee Anderson, De Moto pela América do Sul – Diário de Viagem, de Ernesto Guevara, Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século XX, de Francisco Carlos Teixeira da Silva, Guia Politicamente Incorreto da América Latina, de Leandro Narloch e Duda Teixeira, e A Vida em Vermelho, de Jorge Castañeda, e documentário Chevolution.

Pio Barbosa Neto

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